A volatilidade retornou ao mercado de criptomoedas em agosto, impactando negativamente o desempenho do Bitcoin (BTC), que registrou uma queda de 8,7%. 

Em oposição, tanto o ouro quanto o mercado acionário no Brasil e nos EUA fecharam o mês em alta, colocando em risco a liderança do Bitcoin como o investimento de melhor desempenho em 2024.

O ouro atingiu uma nova máxima histórica em 27 de agosto e fechou o mês em alta de 3,19%, mantendo-se como ativo preferencial para investidores em busca de proteção contra as incertezas nos cenários macroeconômico e geopolítico global.

Um pouco abaixo, tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq recuperaram-se de correções registradas no início do mês, decorrentes da crise desencadeada pelo aumento da taxa de juros no Japão. O principal índice de ações dos EUA fechou em alta de 2,28% e o índice associado ao setor de tecnologia acumulou ganhos de 0,65%.

Ibovespa lidera ganhos em agosto

No entanto, o grande destaque do mês de agosto foi o desempenho positivo do Ibovespa, que superou tanto o ouro quanto as ações dos EUA, com uma alta de 6,5%.

O recorde de 136 mil pontos registrado no pregão da última sexta-feira, 30, fez de agosto o melhor mês do mercado acionário brasileiro em 2024, consolidando uma sequência de alta iniciada em maio.

Em agosto, o rebalanceamento do índice MSCI favoreceu a bolsa brasileira ao aumentar a participação dos ativos do país na carteira de mercados emergentes. Esse ajuste atraiu um fluxo significativo de capital estrangeiro para as ações de empresas brasileiras, já que muitos fundos de investimento globais adaptam seus portfólios para refletir as mudanças nos índices de referência. 

O MSCI (Morgan Stanley Capital International) é um índice de referência global que rastreia o desempenho das ações das principais empresas em países emergentes, incluindo o Brasil. O índice é determinante para a atração de investidores estrangeiros que buscam oportunidades além dos mercados financeiros tradicionais. Em agosto, o MSCI foi crucial para ampliar a demanda por ações brasileiras e contribuir para o bom desempenho não apenas do Ibovespa, mas também de outros índices da B3.

Paralelamente, dados macroeconômicos positivos nos Estados Unidos diminuíram as preocupações sobre uma recessão iminente, reduzindo a aversão ao risco entre investidores globais e incentivando a alocação de recursos em mercados emergentes, como o Brasil.

Analistas do Itaú BBA projetam que o Ibovespa continuará em alta nos próximos meses, indicando um 2024 positivo para o mercado acionário brasileiro:

“Sob a ótica da análise gráfica, se o índice conseguir ultrapassar a marca atual, poderemos vê-lo seguir em direção aos próximos alvos em 141.000 e 150.000."

Segundo analistas ouvidos pela B3, os principais obstáculos à continuação da alta do Ibovespa são a deterioração da situação fiscal e os riscos políticos associados à mudança no comando do Banco Central. Em 2025, o atual presidente Roberto Campos Neto será substituído por Gabriel Galípolo, cuja indicação foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada.

Liderança do Bitcoin é ameaçada por alta do ouro e ações de tecnologia

Apesar de ter registrado seu segundo pior desempenho mensal de 2024 em agosto, o Bitcoin ainda se destaca como o melhor investimento do ano até agora.
Em reais, o Bitcoin acumulou ganhos de 59,6% até agosto, enquanto o ouro valorizou 41,5%, de acordo com dados do Valor Econômico. Na comparação em dólares, o Bitcoin subiu 36% enquanto o ouro valorizou 20%, de acordo com a TradingView.

Gráfico comparando os desempenhos do Bitcoin e do ouro em relação ao dólar em 2024. Fonte: TradingView

Uma postagem publicada pela Ecoinometrics no X em 2 de setembro destaca que os retornos ajustados ao risco do Bitcoin são inferiores aos das ações da Nvidia, estão praticamente igualados com os das ações da Meta e estão cada vez mais próximos dos do ouro, colocando em risco o "título" de melhor investimento de 2024 ostentado até agora pela maior criptomoeda do mercado:

"O desempenho superior do Bitcoin em retornos ajustados ao risco está sendo questionado. Nos últimos doze meses, a Meta e até mesmo o ouro estão se aproximando dele. O Bitcoin ainda não demonstra um senso de direção claro após o lançamento dos ETFs no início do ano."

Retornos ajustados ao risco de diferentes classes de ativos. Fonte: Ecoinometrics

Os retornos ajustados ao risco medem o desempenho de um investimento considerando o risco envolvido, ajustando os retornos em função da volatilidade, tornando as comparações mais fidedignas entre diferentes ativos. O conceito parte do princípio que ativos mais arriscados devem oferecer retornos maiores para serem considerados atrativos.

Em uma postagem adicional publicada em 3 de setembro, a Ecoinometrics aponta o retorno da volatilidade ao mercado de criptomoedas e reforça a indecisão na ação do preço do Bitcoin a curto prazo. "O preço do Bitcoin continua preso em uma faixa delimitada, com poucos catalisadores evidentes no horizonte", afirma o texto.

Apesar das expectativas de que a redução das taxas de juros nos EUA possa favorecer uma reversão à tendência de queda consolidada em agosto, o cenário macroeconômico mais amplo não oferece garantias de que necessariamente isso vai acontecer.

"Alguns investidores estão apostando que o Banco Central dos EUA reduzirá as taxas de juros este mês. Porém, dada a fragilidade das condições financeiras dos EUA, isso pode não ter efeitos práticos para os ativos de risco. E se o mercado de trabalho continuar enfraquecendo, as coisas podem piorar", conclui a Ecoinometrics com uma nota de pessimismo.

Cotado a US$ 57.630 no início da tarde desta terça-feira, 3 de setembro, o Bitcoin acumula perdas de 2,2% em setembro, de acordo com dados da CoinGecko.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o histórico negativo do Bitcoin em setembro e a vela de engolfo de agosto consolidada no fechamento mensal apontam para novas quedas de até 30% ao longo deste mês.