Após um fim de semana negativo para o Bitcoin (BTC), com os fechamentos mensal no sábado, 31, e o semanal no domingo, 1º, a maior criptomoeda do mercado permanece em um momento de indecisão que ainda deve se arrastar ao longo do mês de setembro.
No domingo, a vela semanal fechou em queda de 10,7%, contribuindo para um recuo de 8,7% no preço do Bitcoin em agosto, de acordo com dados da CoinGecko.
O novo mês começa com duas perspectivas conflitantes para os traders: de uma lado, o histórico negativo do Bitcoin em setembro; do outro, a expectativa de corte da taxa de juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que sinalizaria uma mudança importante – e benéfica para os ativos de risco – na política monetária do Banco Central dos EUA (Fed).
Desde 2013, o preço do Bitcoin fechou setembro no vermelho, exceto em três ocasiões – 2015, 2016 e 2023. Ainda assim, com altas modestas para o padrão do BTC: 2,3%, 6% e 3,9%, respectivamente, de acordo com dados da plataforma de monitoramento de mercado CoinGlass.
Mesmo em ciclos de alta, como em 2017, 2020 e 2021, o Bitcoin acumulou prejuízos em setembro, alimentando o pessimismo dos traders em um mercado que já caiu 20% desde a máxima histórica de US$ 73.750, registrada em março.
No cenário macroeconômico, a primeira semana de setembro apresentará indicadores que poderão impactar o humor dos mercados após o feriado do Dia do Trabalho nesta segunda-feira, 2.
A divulgação do Índice dos Gerentes de Compras (PMI) do setor industrial do Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM) para agosto deve sinalizar a contração mais acentuada na atividade industrial desde novembro de 2023, de acordo com previsões do ForexLive.
Se confirmada a queda, aumentam as chances de uma redução mais acentuada nos juros. Atualmente, a ferramenta FedWatch do CME Group aponta 69% de chance de um corte mínimo de 0,25% e 31% de chance de redução de 0,5%.
Uma postura mais agressiva do Fed pode impactar negativamente o dólar, reforçando a tendência de baixa dos últimos dois meses e impulsionando a demanda por ativos de risco, como criptomoedas.
Até agora, o Bitcoin não reagiu positivamente ao enfraquecimento do dólar, apesar da tradicional correlação inversa entre ambos os ativos. A explicação pode ser o temor generalizado de uma recessão, que pode afetar negativamente todos os mercados de maneira uniforme.
Ao longo da semana, dados sobre os empregos nos EUA serão divulgados, oferecendo uma visão mais clara sobre os rumos da economia americana e as possibilidades de os Estados Unidos enfrentarem uma recessão.
Análise do Bitcoin
A vela vermelha no fechamento semanal do Bitcoin traz um motivo adicional de preocupação para os traders, afirma Diego Pohl, analista da Crypto Investidor:
"A vela vermelha do BTC no semanal fechou com um engolfo de baixa, um padrão gráfico que indica um movimento de busca por níveis de suporte mais baixos no curto prazo. Caso perca o suporte atual de US$ 57.000, o preço poderá cair para a região entre US$ 53.000 e US$ 55.000, onde encontra sustentação na média de 50 períodos."
O histórico negativo do mês de setembro torna plausível uma queda a níveis que não são vistos desde fevereiro, quando o Bitcoin ganhou forte impulso em direção à máxima histórica atual, sob efeito dos aportes nos recém-lançados ETFs de BTC à vista.
"Caso perca os suportes citados anteriormente, há chances de testemunharmos uma correção ainda mais forte, que poderia empurrar o Bitcoin para a faixa entre US$ 44.000 e US$ 39.000", acrescentou Pohl.
Conforme delineado no gráfico abaixo no segundo bloco vermelho, isso resultaria em uma queda de aproximadamente 30% em relação ao preço atual.
Gráfico semanal anotado de futuros perpétuos BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor
Mesmo na eventualidade de um retorno acima da resistência de US$ 60.000, em vigor desde 28 de agosto, a tendência de baixa deve persistir, segundo o analista:
"No curto prazo, pode ocorrer um repique no preço, com um reteste da resistência entre US$ 62.000 e US$ 64.000, mas a tendência é de continuidade da correção recente."
A retomada da tendência de alta de longo prazo poderia ter início a partir "do rompimento do topo local de US$ 65.200, conforme delineado no gráfico abaixo, conclui Pohl.
Gráfico diário anotado de futuros perpétuos BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor
No início da noite desta segunda-feira, 2, o Bitcoin era negociado a US$ 58.970, em alta de 1% nas últimas 24 horas, de acordo com dados da CoinGecko.
Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o mercado teme uma repetição em setembro da forte queda registrada em agosto do ano passado. Naquela época, o Bitcoin atingiu mínimas de US$ 25.000 antes de se recuperar significativamente no quarto trimestre, encerrando o ano cotado a US$ 42.208.