Alguns canais de notícias gostam de comparar a ação de preço do Bitcoin (BTC) a de outros ativos. Em particular, as duas classes de ativos mais comumente comparadas são o ouro e as ações de tecnologia.
Embora exista uma correlação, ela tende a ser uma super estimada. Durante grande parte de 2022 e início de 2023, por exemplo, a narrativa de que o "Bitcoin era negociado de forma muito parecida com as ações de tecnologia” prevalecia. Como essa correlação foi quebrada, no entanto, não há mais muitas notícias relacionadas a tal correlação.
Agora, uma nova narrativa ganha destaque: a correlação do Bitcoin com o ouro. Desde as falências do Silvergate Bank, do Signature Bank e do Silicon Valley Bank em março, ambos os ativos valorizaram. Ambas as narrativas fazem sentido na superfície. Se o Bitcoin for visto como um ativo especulativo, ele pode ser negociado de forma semelhante a uma ação de tecnologia. E se o Bitcoin é antes um ativo de proteção, uma correlação com o ouro parece razoável.
No entanto, é importante observar que as correlações vêm e vão. Só porque dois ativos compartilham uma correlação por um tempo nem sempre significa que eles compartilham o mesmo espectro do mercado a longo prazo. E ao ampliar o zoom para prazos maiores, pode ser possível descartar ambas as correlações.
Vamos examinar essas duas correlações em uma base anual para julgar ver se elas têm algum mérito.
Bitcoin, ouro e NASDAQ: análise da correlação anual
No acumulado do ano, o Bitcoin valorizou cerca de 58%, passando de US$ 16.600 no início do ano para mais de US$ 26.000 no momento da redação deste artigo. No mesmo período, o Índice Nasdaq acumulou cerca de 36% em ganhos, subindo de 11.000 pontos para pouco mais de 15.000 pontos no período.
Enquanto isso, o ouro subiu pouco mais de 7% no acumulado do ano.
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De acordo com o coeficiente de correlação de 90 dias, o BTC está atualmente correlacionado positivamente com o ouro (0,58) e negativamente correlacionado com as ações de tecnologia (-0,65). Durante a maior parte deste ano, o BTC esteve altamente correlacionado com ambos os ativos. No início do ano, a correlação com o ouro era profundamente negativa, enquanto a correlação com as ações de tecnologia estava um pouco abaixo do neutro.
Então, qual é correlação mais efetiva do Bitcoin? A correlação com porto seguro ou a correlação com ativos de risco? Ou a presença de múltiplas correlações aponta que não há nenhuma correlação? Em primeiro lugar é preciso questionar: uma ação de preço semelhante em uma base anual constitui uma relação significativa entre dois ativos?
Essa discussão pode se tornar bastante longa. Essas questões são melhor interpretadas de forma retórica, ou seja, elas implicam que pode haver qualquer número de ativos que compartilhem padrões semelhantes de ação de preço em um gráfico de um ano.
Ao olhar para a questão em termos de ganhos percentuais, as coisas parecem ainda mais diferentes: o ouro subiu 9%, enquanto o Bitcoin subiu 18% e o Nasdaq subiu 30%.
Vale a pena mencionar a importância do fato de que, volta e meia, o Bitcoin tende a ser correlacionado às ações. Mas até agora este ano, a relação entre os dois permaneceu constante durante a crise bancária que começou em março e levou a uma extensa recuperação do BTC. Desde então, a correlação desapareceu; o Nasdaq subiu para suas máximas anuais, com o BTC sendo negociado majoritariamente de forma lateral.
Em uma linha do tempo longa o suficiente, tudo desmorona
Nos últimos 14 anos, o Bitcoin valorizou-se em relação ao dólar em dezenas de milhões de pontos percentuais. Poucas classes de ativos são capazes de apresentar retornos semelhantes. Outros ativos também não carregam o mesmo grau de volatilidade, tornando uma correlação de longa data ainda menos eficaz.
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Até o momento, o ouro subiu de US$ 800 no início de 2009 para $ 1.945 hoje – um ganho de quase 150%.
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O Índice Nasdaq subiu mais de 10 vezes desde o início de 2009, com retornos superiores a 1.000%. Embora esses ganhos não sejam insignificantes, eles estão muito distantes dos 52.000.000% de valorização do Bitcoin de julho de 2010 até o presente.
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Em resumo, as principais conclusões são as seguintes:
- Um ativo que valoriza mais de 50.000.000% ao longo de sua vida útil pode não estar correlacionado com outros ativos.
- As correlações entre Bitcoin, ouro e ações de tecnologia geralmente não se sustentam por prazos superiores a um ou dois anos.
- Devido em grande parte aos dois pontos anteriores, as correlações não têm muita significância.
Os investidores fariam bem em ter isso em mente ao analisar os mercados. Apostar em qualquer correlação específica como parte de uma estratégia de investimento pode ser arriscado, pois essa correlação pode ser quebrada a qualquer momento.
Este artigo não contém conselhos ou recomendações de investimento. Todo movimento de investimento e negociação envolve riscos, e os leitores devem conduzir suas próprias pesquisas ao tomar uma decisão.
Este artigo é para fins de informação geral e não pretende ser e não deve ser considerado um conselho legal ou de investimento. As visões, pensamentos e opiniões expressas aqui são exclusivas do autor e não necessariamente refletem ou representam as visões e opiniões do Cointelegraph.
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