Nesta quarta-feira, 28 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central do Brasil. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio do Planalto.
Galípolo, que atualmente ocupa a Diretoria de Política Monetária do BC, precisa ainda passar por uma sabatina no Senado Federal antes de assumir oficialmente o cargo, substituindo Roberto Campos Neto, cujo mandato termina no dia 31 de dezembro.
A indicação de Galípolo para o cargo é uma escolha estratégica do governo Lula, que busca um novo direcionamento para a política monetária do país. Galípolo é um economista de 42 anos com uma ampla experiência no setor financeiro e público.
Antes de sua atuação no Banco Central, ele foi ex-secretário de Economia e Transportes no governo de São Paulo, trabalhou na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e foi presidente do Banco Fator, instituição que ele mesmo fundou.
O ministro Fernando Haddad destacou a importância da indicação e confirmou que a decisão foi discutida com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para definir a data da sabatina.
Contudo, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Vanderlan Cardoso, declarou que a sabatina pode não ocorrer na primeira semana de setembro, como esperado. Cardoso afirmou que a CAE não tem pressa e que a análise deve ser feita com a devida seriedade.
O atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, parabenizou o diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, pela indicação do presidente Lula ao Senado. O BC informou que Campos Neto tem trabalhado de forma harmônica e construtiva com o diretor Galípolo desde a sua chegada ao Banco Central.
"Campos Neto deseja a Galípolo muito sucesso nessa nova fase da sua vida profissional", destacou um comunicado do BC.
Quem é Gabriel Galípolo
Galípolo possui uma extensa carreira no setor econômico e financeiro. Formado em Ciências Econômicas e mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ele iniciou sua trajetória acadêmica como professor universitário, lecionando de 2006 a 2012.
Sua experiência prática inclui posições relevantes como chefe da Assessoria Econômica da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo e diretor de Estruturação de Projetos na Secretaria de Economia e Planejamento de São Paulo. Ele também fundou a Galípolo Consultoria, onde trabalhou até sua entrada no Ministério da Fazenda.
Antes de sua atual função como diretor de Política Monetária do Banco Central, Galípolo foi presidente do Banco Fator, onde esteve à frente de importantes projetos de privatização e parcerias público-privadas. Seu trabalho em parcerias público-privadas, especialmente na privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), é um exemplo de sua expertise na estruturação de projetos econômicos complexos.
Recentemente Galípolo, fez comentários sobre as dificuldades técnicas enfrentadas pelo BC para viabilizar o lançamento do Drex. O possível presidente do BC, destacou o perfil inovador da autoridade monetária brasileira, mas disse que a viabilidade do Drex depende de o setor privado construir soluções para garantir a privacidade, a segurança e a inviolabilidade da versão digital do real.
"Nem as maiores empresas do mundo do setor tecnológico conseguiram oferecer [soluções] de uma maneira que seria adequada", afirmou. Ele ainda qualificou a agenda de inovação do Banco Central como "desafiadora."
O cronograma original do BC estimava que o Drex pudesse ser lançado ainda neste ano. Com as dificuldades relativas à segurança do sistema e à privacidade das transações, esse prazo ficou para, possivelmente, 2026, como admitiu o próprio diretor do projeto, Fábio Araújo.
"A gente já testou algumas soluções [de privacidade. Essas soluções têm seus prós e contras. A gente vai fazer uma análise de quais soluções são maiores ou suficientes para a adoção do ecossistema do Drex e deve soltar um relatório para a sociedade, encerrando essa primeira fase de testes."
As declarações de Galípolo ecoam a afirmação de Araújo de que o Drex "empacou" nas tentativas de desenvolvimento de uma solução de privacidade efetiva e escalável.