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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Diretor cotado para substituir Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central questiona viabilidade do Drex

Gabriel Galípolo afirmou que a agenda de inovação do Banco Central é "desafiadora", e que ainda não existe uma solução adequada para garantir a privacidade dos usuários do Drex.

Diretor cotado para substituir Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central questiona viabilidade do Drex
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O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, fez comentários sobre as dificuldades técnicas enfrentadas pela instituição para viabilizar o lançamento do Drex, durante sua participação no Upload Summit em São Paulo, na quarta-feira, 24 de abril.

Galípolo destacou o perfil inovador da autoridade monetária brasileira, mas disse que a viabilidade do Drex depende de o setor privado construir soluções para garantir a privacidade, a segurança e a inviolabilidade da versão digital do real, segundo reportagem do Portal Poder 360. 

"Nem as maiores empresas do mundo do setor tecnológico conseguiram oferecer [soluções] de uma maneira que seria adequada", afirmou. Ele ainda qualificou a agenda de inovação do Banco Central como "desafiadora."

Indicado ao cargo de diretor do BC pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Galípolo é um dos principais nomes cotados para substituir Roberto Campos Neto na presidência do BC a partir de 2025. Se a sua nomeação for confirmada pelo governo, Galípolo assumirá diretamente a responsabilidade pela implementação da moeda digital de banco central (CBDC) brasileira.

Os primeiros testes do real digital foram realizados pelo Banco Central e pelos consórcios de empresas envolvidas no projeto em março do ano passado. Em setembro, houve a primeira emissão experimental de títulos públicos baseados no design da CBDC. 

O cronograma original do BC estimava que o Drex pudesse ser lançado ainda neste ano. Com as dificuldades relativas à segurança do sistema e à privacidade das transações, esse prazo dificilmente será cumprido, como admitiu o próprio diretor do projeto, Fábio Araújo, recentemente no Rio Web Summit:

"A gente já testou algumas soluções [de privacidade. Essas soluções têm seus prós e contras. A gente vai fazer uma análise de quais soluções são maiores ou suficientes para a adoção do ecossistema do Drex e deve soltar um relatório para a sociedade no meio do ano, encerrando essa primeira fase de testes."

As declarações de Galípolo ecoam a afirmação de Araújo de que o Drex "empacou" nas tentativas de desenvolvimento de uma solução de privacidade efetiva e escalável.

Em um outro painel sobre o Drex realizado durante o Rio Web Summit, a diretora de inovação da Febraban, Carolina Sansão Moreira Alexandrino, disse que o Drex ainda tem muitos desafios a superar antes de ser lançado oficialmente. Segundo ela, a CBDC brasileira estará madura para ser efetivamente adotada somente em 2026.

Sigilo bancário em redes públicas

As salvaguardas à privacidade dos usuários do Drex não dependem exclusivamente da tecnologia, ressaltou Vanessa Butalla, diretora Jurídica e de Conformidade do Grupo 2TM/MB, em entrevista concedida ao Cointelegraph Brasil durante o Rio Web Summit.

Butalla ressaltou que o sigilo bancário é garantido pela Constituição e eventuais violações à Lei Complementar 105/21 são passíveis de punição. No entanto, na plataforma pública que o BC planeja para o Drex, em tese seria possível que indivíduos ou entidades que não fazem parte do sistema financeiro acessassem informações protegidas pela lei do sigilo bancário.

Este é o desafio tecnológico que vem sendo enfrentado pelo BC e os consórcios de empresas envolvidas no desenvolvimento da CBDC brasileira, como destacou Butalla:

"Como é que a gente faz para garantir que essas informações só sejam vistas por quem deveria ter acesso a elas? Será que a gente pode mudar a quantidade de informações que tem que ser mostradas ou que tem que ser inseridas na blockchain? Tem um jeito de fazer isso sem prejudicar a própria transação? Aqui entra a tecnologia."

Buscar o equilíbrio entre os componentes humanos e tecnológicos do sistema será fundamental para a viabilidade do Drex, concluiu Butalla:

"Não é uma questão exclusivamente jurídica, nem exclusivamente tecnológica. É como esses dois componentes conseguem garantir a proteção do sigilo bancário em relação àquelas transações."

Por sua vez, o diretor de negócios digitais do Citigroup para a América Latina, Driss Temsamani, afirmou que o histórico de inovações e adoção de soluções digitais capacita o Brasil a se tornar um dos líderes mundiais da transição para uma economia 100% digital, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente.

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