Durante o painel "Drex: Unlocking possibilities in the Web3 revolution", realizando pelo banco Itaú, durante o WebSummit, Carolina Sansão Moreira Alexandrino, diretora de inovação da Febraban, disse que acredita que o Drex ainda precisa enfrentar muitos desafios antes de ser lançado oficialmente para a população.

Assim, segundo a diretora da Febraban, diante destes desafios, a CBDC brasileira deve atingir a maturidade para ser lançada oficialmente somente em 2026. 

"O que eu acho importante colocar também, é que o prazo para isso (DREX) entrar em produção, ser disponível para o cliente na ponta, isso é algo que todo mundo pergunta. Talvez a maturidade que o mercado tenha para lançar o DREX pode ser no final de 2025, mas eu acho esse prazo ainda muito arrojado. Mas, quem sabe em 2026 a gente consiga estar prontos, seguros e preparado para lançar isso para a população", disse.

A diretora de inovação da Febraban destacou que todos os bancos têm um cuidado muito forte para que qualquer produto que seja lançado no mercado, ele tenha solidez e segurança para não enfrentar uma crise e gerar um desiquilibrio no mercado financeiro.

Portanto, ela argumenta que atualmente o Drex continua em uma fase de infraestrutura, avaliando soluções de plataforma e privacidade, mas há ainda muitas questões a serem resolvidas além daquelas que estão sendo abordadas nos testes atuais.

"Então eu acho que o Banco Central poderia ampliar o escopo atual de ativos tokenizados com os quais podemos trabalhar e, quem sabe, ampliar a quantidade de participantes dos testes (atualmente em 16 consórcios) e, o mais importante, começar a trabalhar na governança e regulação, além de discutir com o mercado o business, os negocios que podemos avançar e explorar na plataforma", apontou.

Seguindo a mesma linha, Larissa Moreira, coordenadora de cripto e CBDC do Itaú, afirmou que ainda é preciso mitigar todos os níveis de incertezas com relação ao Drex e, para isso os testes são importantes. Ela também aponta que grandes ciclos de mudança tecnológica demora de 10 a 15 anos para ganhar maturidade.

"Então o que estamos passando hoje com blockchain é que o mercado por si só está experimentando. Se a gente comparar com a internet, na qual tivemos disrupções que a gente nem imaginava que era possível, então, provavelmente, com o lançamento do Drex, daqui a 10 anos, teremos modelos de negócios que a gente nem sabia que era possível", apontou.

Drex

Tanto a diretora da Febraban como a coordenadora do Itaú destacaram que apesar do Drex estar em fase de testes a plataforma já vem sendo reconhecida mundialmente e se tornou referência para muitos bancos centrais em todo o mundo.

Contudo, usando o Pix como referência, disseram que não é possível "dormir falando que deseja criar um sistema de pagamento instantâneo e acordar no dia seguinte com isso disponível para a população", 

"Então qual é o momento que nós estamos? No momento certo. Qual é esse momento? É um momento na qual a gente está fazendo um piloto para a realização de testes para avaliar não só se a tecnologia escolhida pelo Banco Central é aquela tecnologia que a gente vai ter a privacidade, que a gente vai ter a segurança, que a gente vai ter a escalabilidade. Também precisamos avaliar coisas como o que eu quero lançar dentro dessa plataforma? Qual que é o ativo que eu quero tokenizar dentro da plataforma? Comercializar dentro da plataforma....

Além do mais, a gente tem questões de governança. Como é que vai funcionar a governança dessa plataforma? Como é que vai ser a questão de segurança? Como é que vai ser a regulação dessa plataforma? Porque uma vez que a gente está falando de CBDC, que é uma moeda digital emitida pelo Banco Central, ela precisa de uma regulação. Então, as regras precisam estar claras para todos os players que vão jogar dentro dessa plataforma", apontou.

Em outro painel realizado no evento no estande do BV, Fábio Araujo, também afirmou que o Drex ainda precisa resolver questões relacionadas as soluções de privacidade e que nenhuma das soluções de privacidade testadas até agora conseguiu resolver o dilema entre privacidade e escalabilidade (a Parfin iniciou os testes recentemente com o Bacen e não disponibilizou para os participantes).

"A gente já testou algumas soluções. Essas soluções têm seus prós e contras. A gente vai fazer uma análise de quais soluções são maiores ou suficientes para a adoção do ecossistema do Drex e deve soltar um relatório para a sociedade no meio do ano, encerrando essa primeira fase de testes", afirmou.

Diante disso, o relatório do BC, segundo o executivo, deve chegar a três resultados.

"O primeiro resultado é, olha, essa tecnologia não está pronta e não estará pronta nos próximos anos. Essa tecnologia está descartada, a outra solução, a outra estreia. O segundo é olha, essa tecnologia está pronta, nós já podemos pensar em levar esse sistema para a produção. Não parece que seja esse o caso. O que a gente tem em vista agora (que é o terceiro ponto), é que privacidade é um obstáculo grande e a gente precisa encontrar caminhos para trabalhar, a gente ainda precisa amadurecer as soluções para a capacidade, então até o meio do ano a gente deve ter essas soluções um pouco mais amadurecidas do que elas são agora, mas ainda não prontas para a produção", apontou.

Assim, Araujo apontou que esse é o maior desafio que a BC tem para frente. E nos próximos passos, dado essa maturidade das soluções de capacidade, o BC deve ampliar as soluções para começar a amadurecer os produtos.

" A primeira fase do teste foi muito focada em smart contracts desenvolvidos para a infraestrutura concreta, então são smart contracts de especificidade do Banco Central, mas o Banco Central só vai oferecer a plataforma, os serviços vão ser feitos pelos participantes, pelos participantes do mercado. Então a gente tem que amadurecer dessa governança dos smart contracts, dos participantes dessa plataforma. Esse é o próximo passo que a gente deve começar", disse.