Mirelis Zerpa, mulher de Glaidson dos Santos, também conhecido como "Faraó dos Bitcoins", transferiu aproximadamente R$ 2,3 milhões para a irmã, Noiralis Zerpa, em uma transação de 10 BTC realizada através da exchange de criptomoedas Binance, informou reportagem do O Globo publicada nesta sexta-feira.

A transação identificada pelos investigadores do suposto esquema de pirâmide financeira baseado em criptomoedas engendrado pela GAS Consultoria Bitcoin, da qual Mirelis e Glaidson são os sócios majoritários, teria acontecido durante a primeira quinzena de dezembro do ano passado.

Com a transação, Mirelis Zerpa burlou o bloqueio judicial de bens e ativos da empresa e do casal determinado pela Justiça brasileira. Como a Binance não possui representação oficial no Brasil, um eventual bloqueio da transação está fora do alcance das autoridades brasileiras.

Segundo os investigadores, tal atitude demonstra que a mulher do "Faraó dos Bitcoins", que está foragida desde agosto e está na lista de procurados da Interpol, não tem intenção de se entregar às autoridades ou de negociar um acordo para ressarcir o dinheiro dos investidores da GAS Consultoria.

A revelação da transferência dos Bitcoins deve dificultar um possível acordo de leniência de Mirelis com a Justiça brasileira, apesar de Ciro Chagas, o advogado que a representa, ter declarado há duas semanas que fora autorizado por sua cliente a apresentar às autoridades brasileiras um plano para devolução dos valores investidos aos clientes lesados pela empresa.

O esquema de pirâmide financeira travestido de investimentos em criptomoedas da GAS consultoria foi desarticulado em agosto do ano passado com a deflagração da Operação Kryptos. Em 25 de agosto, Glaidson dos Santos foi preso em uma ação que resultou na maior apreensão de criptomoedas da história do Brasil. Mirelis fugira alguns dias antes. Seu destino inicial teria sido Miami, no estado da Florida, nos EUA.

De acordo com as investigações, o esquema montado por Glaidson e Mirelis teria movimentado R$ 38 bilhões e afetado no mínimo 67.000 investidores. De acordo com a reportagem do O Globo, até agora as autoridades conseguiram reaver apenas R$ 200 milhões.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, Glaidson, Mirelis e outros 15 réus são acusados por crimes de crimes de gestão de organização financeira sem autorização, gestão fraudulenta e organização criminosa na denúncia formal do caso apresentada pelo Ministério Público Federal em outubro do ano passado.

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