Novas revelações da investigação conjunta do Ministério da Justiça e da Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de crime financeiro indicam que Glaidson Acácio dos Santos transferiu R$ 1,2 bilhão em Bitcoin (BTC) para para a sua própria conta pessoal na "maior exchange do mundo", informou reportagem do "Fantástico", da TV Globo, no domingo.
De acordo com a investigação o dinheiro dos clientes da GAS Consultoria eram transferidos diretamente da conta da empresa para a conta pessoa física de Glaidson e para de cinco outros cinco comparsas.
Entre os benficiários estariam Mirelis Zerpa, mulher e sócia de Glaidson e que está foragida, Tunay Pereira Lima, o cordenador da equipe de promotores de vendas da GAS Consultoria, que foi preso junto com o dono da empresa na semana passada, e Vicente Gadelha Rocha Neto, também foragido, além de duas outras pessoas que não tiveram seus nomes revelados.
Documento obtido pela reportagem do Fantástico afirma que o rendimento de 10% mensais prometido pela GAS Conslultoria era pago aos clientes com dinheiro de novos contratos, configurando uma "pirâmide insustentável".
Delegado responsável pelo caso, Leonardo Borges deu mais detalhes sobre o esquema em entrevista ao Fantástico:
"A rentabilidade do esquema não é a partir de lucro com investimento em criptoativo. Ela advém dos novos aportes e como a remuneração é muito alta, as pessoas são estimuladas a reaplicar o dinheiro que elas ganham."
Os investimentos em Bitcoin eram exclusividade da quadrilha. Além dos R$ 1,2 bilhão movimentados por Glaidson, Vicente Gadelha possui mais de R$ 20 milhões em criptomoedas, informou a reportgagem.
Glaidson Acacio dos Santos foi preso pela Polícia Federal na semana passada em uma casa em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca quando planejava fugir do país. Ele é investigado por crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Em uma outra investigação, esta conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, o dono da GAS Consultoria é suspeito de crime contra a economia popular, que vem a ser a montagem e exploração de um esquema de pirâmide financeira.
Sua mulher, a venezuelana Mirelis Zerpa, conseguiu entrar nos EUA com visto de estudante e está na lista de foragidos da Interplo. Ela é acusada de ser a responsável pela gestão financeira da organização criminosa.
Em depoimento ao portal G1, o delegado da Delegacia de Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro, Gabriel Poiava, afirmou que as exchange para onde Glaidson transferiu parte do dinheiro estão sediadas em paraísos fiscais.
Segundo a Polícia Civil, a suposta pirâmide vai levar a uma "enxurrada de registros de estelionado".
Embora não tenha sido citada em ambas as reportagens, a Binance é reconhecidamente a maior exchage do mundo. Conforme o Cointelegraph vem noticiando já há algum tempo que a empresa vem sofrendo pressão dos reguladores globais em diversos países do mundo. O CEO e fundador da empresa é o chinês Changpeng Zhao, porém a empresa não tem jurisdição definida.
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