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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

MP deflagra operação contra streamings piratas acusados de lavagem de dinheiro com criptomoedas

Investigação que resultou na Operação Endpoint identificou expressiva movimentação financeira e indícios de uso de criptomoedas na lavagem de dinheiro pelos suspeitos.

MP deflagra operação contra streamings piratas acusados de lavagem de dinheiro com criptomoedas
Brasil

Resumo da notícia:

  • MPCE realiza Operação Endpoint contra plataformas de streaming piratas, que supostamente usavam criptomoedas na lavagem de dinheiro.

  • Captação de clientes também usava WhatsApp e canais no Telegram.

  • Plataformas preferiam pagamentos via Pix e contavam com suporte de empresas especializadas em checkout e gateway.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Endpoint para desarticular uma estrutura de plataformas de streaming piratas e lavagem de dinheiro, incluindo o uso de criptomoedas.

De acordo com o MPCE, a operação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com a colaboração da Polícia Civil do Estado do Ceará, do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e dos Gaecos de Alagoas e Santa Catarina.

A ação buscava cumprir 19 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva, além de sequestro de bens e valores e suspensão da atividade de 14 empresas investigadas, em Fortaleza, Chorozinho, Eusébio, Maracanaú e Caucaia, além de Alagoas e Santa Catarina.

Segundo o MPCE, o Gaeco abriu o Procedimento Investigatório Criminal a partir de informações da possível prática dos crimes de violação de direitos autorais, lavagem de dinheiro e organização criminosa, supostamente cometidos por operadores de plataformas de streaming piratas, dentre as quais se destacam as “marcas” intituladas como “DezPila”, “Tyflex” e “Onlyflix”. Para instruir o procedimento, foram requeridas e deferidas medidas cautelares de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. A análise dos dados revelou expressiva movimentação financeira em contas de investigados e de empresas a eles vinculadas com origem na pirataria digital. 

As investigações também apontaram  indícios de lavagem de dinheiro, inclusive, mediante o uso de criptoativos. Paralelamente, constatou-se a atuação de integrantes responsáveis por apoio operacional, incluindo suporte às atividades financeiras e logísticas, bem como a participação de outros indivíduos ainda em processo de identificação.

A apuração demonstrou ainda o uso sistemático de “laranjas” para viabilizar a movimentação de valores e ocultar a real titularidade de bens e ativos. Em reforço a essa dinâmica, foi identificado um conjunto de pessoas jurídicas vinculadas ao grupo, utilizadas para o trânsito e a pulverização de recursos ilícitos. Verificou-se, igualmente, parcerias entre integrantes do esquema, com compartilhamento de empresas de fachada e a compra e venda irregular de maquinário destinado à mineração de criptoativos, havendo indícios de furto de energia elétrica para abastecer essas estruturas.

Quanto ao modus operandi das plataformas, apurou-se que os investigados atuavam como se fossem prestadores de serviço de TV por assinatura, ofertando programação televisiva, filmes e séries sem autorização dos detentores dos direitos e em desacordo com a legislação vigente. A captação de clientes era realizada por meio de páginas na internet hospedadas em serviços de criação de sites (a exemplo de Wix e Hostinger), além de redes sociais, grupos de WhatsApp e canais no Telegram. A monetização, em plena atividade até a deflagração da operação, era viabilizada por estruturas de pagamento on-line, com utilização de empresas especializadas em checkout e gateway, e recebimento de valores por diversos meios, especialmente via Pix.

Com base nos elementos colhidos nessa fase da investigação, o MPCE requereu ao Poder Judiciário, além dos mandados de busca e apreensão e prisão preventiva:

  • Sequestro de bens e valores no montante de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais);

  • Bloqueio e apreensão de criptoativos;

  • Suspensão das atividades de 14 (quatorze) empresas pelo prazo de 180 dias;

  • Bloqueio de domínios de internet e perfis em redes sociais vinculados ao esquema;

  • Desindexação de resultados de pesquisa em plataformas de busca, de forma a dificultar o acesso do público às estruturas utilizadas para a prática dos ilícitos.

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Operação Endpoint

Na linguagem da computação, “endpoint” é o ponto de acesso ou comunicação de um serviço na rede — a “porta” por onde um sistema recebe solicitações e envia respostas. A operação recebe esse nome justamente por ter como foco a identificação e bloqueio desses pontos de acesso (como servidores, painéis de controle de revendedores de IPTV, dispositivos e demais canais de comunicação) que sustentam atividades ilegais, especialmente a pirataria de conteúdos audiovisuais e outros cibercrimes. Ao atingir diretamente esses endpoints, a atuação enfraquece a infraestrutura utilizada pelos criminosos e contribui para a proteção de usuários, de provedores legais de conteúdo e de todo o ecossistema digital.

Em setembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Sibila, em São Paulo (SP), para desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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