A empresa de rastreamento de dados do mercado de criptomoedas Chainalysys divulgou um relatório preliminar sobre atividades criminosas na indústria em 2021 que mostra um crescimento de 81% nos valores movimentados por golpes e fraudes em relação ao ano anterior. Até agora este ano, US$ 7,7 bilhões foram roubados de investidores do mundo todo. 

Segundo a empresa, estes números colocam em risco a confiança dos investidores e podem criar obstáculos ao aumento da adoção das criptomoedas, especialmente porque as vítimas de fraudes e golpes geralmente são investidores novatos no espaço.

 

Valor total roubado por golpistas em criptomoedas anualmente, 2017-2021. Fonte: Chainalysys.

Em 2019, os crimes envolvendo criptomoedas registraram sua máxima histórica, aproximando-se de US$ 10 bilhões, e em 2020 houve uma redução significativa de mais de 50%.

Em 2021, somente o caso da Finiko, um esquma de pirâmide financeira baseado em investimentos em criptoativos voltado principalmente para habitantes da Rússia e de outros países do lese europeu, causou prejuízos de US$ 1,1 bilhão às suas vítimas.

Além disso, 2021 testemunhou o surgimento de uma nova modalidade de crime que contribuiu para que o volume de recursos movimentados por criminosos voltasse a se aproximar do recorde histórico: os rug pulls.

A "puxada de tapete" em tradução literal caracteriza-se por um golpe em que os desenvolvedores criam projetos aparentemente legítimos e, após captarem uma boa quantidade de fundos dos investidores, desaparem levando consigo todo o dinheiro.

Rug pulls

Rug pulls responderam por US$ 2,8 bilhões dos recursos movimentados por atividades criminosas até agora em 2021, o equivalente a 37% do total.

Rug pulls são muito comuns em projetos DeFi, em que os investidores adquirem determinado token para aplicá-los em pools de liquidez em troca de rendimentos gerados pelas taxas de negociação. Eventualmente, os desenvolvedores recolhem os fundos do pool de liquidez, derrubando o valor do token. Mas o crescimento do setor de jogos play-to-earn também tornou game tokens bastante atrativos para esta nova modalidade de golpe.

Possuindo conhecimento técnico, é barato e fácil criar novos tokens em blockchains como o Ethereum ou a Binance Smart Chain e listá-los em exchanges descentralizadas (DEX) sem passar por uma auditoria de código que dificultaria a execução desse tipo de golpe. No entanto, devido à natureza descentralizada das DEX, basta criar um pool de liquidez para negociar esses tokens, enganando investidores desavisados.

Embora tenha havido inúmeros casos em 2021, apenas um deles foi responsável pelo desvio de US$ 2,6 bilhões, representando mais de 90% dos valores movimentados por rug pools. Tratou-se do caso da Thodex, uma exchange centralizada turca que desabilitou a função de saque para os usuários e depois ficou-se sabendo que o seu CEO desaparecera.

Fraudes

Excluídos os rug pulls, verificou-se uma queda no número total de endereços que interagiu com contratos fraudulentos do ano passado para cá: de pouco menos de 10,7 milhões para 4,1 milhões, o que leva a crer que houve um número menor de vítimas individuais. Por outro lado, isso também significa que o valor médio roubado de cada uma das vítimas aumentou.

O tempo de manutenção de esquemas fraudulentos diminuiu drasticamente em 2021. Enquanto em 2020, mantinham-se ativos por 192 dias, em média, este ano o número caiu para 70 dias. A Chainalysys sugere que uma das razões para este recuo é que as ferramentas para investigação de fraudes estão em constante evolução.

Anteriormente, os golpistas podiam continuar operando por mais tempo, pois a marginalidade do mercado de criptomoedas os mantinha distantes da atenção dos reguladores e das autoridades. Em 2013, por exemplo, a média ficava em 2.369 dias. Desde então, ela vem caindo regularmente ano a ano, com exceção de 2019 e 2020.

Outro aspecto interessante é que cada vez mais há uma descorrelação entre a revelação de golpes e fraudes e o comportamento do mercado. Até então, os golpes cresciam em correspondência com os ciclos de alta do Bitcoin (BTC), quando novos usuários são atraídos para o mercado. Em 2021, no entanto, as atividades fraudulentas mantiveram-se estáveis, independentemente dos altos e baixos dos preços das criptomoedas.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, fraudes e golpes envolvendo criptomoedas também aumentaram no Brasil este ano. Personagens como Glaidson dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", e Cláudio Oliveira, o "Rei do Bitcoin", ganharam destaque na grande mídia e chamaram a atenção dos brasileiros também para o lado obscuro dos criptoativos

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