A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu na última quarta-feira (18), uma série de mandados de busca e apreensão contra um grupo suspeito de sequestrar um dos sócios da pirâmide de Bitcoin Indeal, segundo o portal Jornal NH.
O caso, que aconteceu em abril, teria tido envolvimento de um policial, um trader de investimentos e o pai dele. Os três teriam sequestrado um dos sócios da Indeal, não identificado pela matéria, devido a prejuízos causados pela pirâmide financeira.
Os três pediram à vítima um resgate de 50 BTC, que valeriam atualmente R$ 47 milhões. O delegado João Paulo de Abreu explicou:
“As investigações apontam que a extorsão mediante sequestro se deu em represália a perda de valores que teriam sido investidos pelos autores em uma empresa, cuja vítima de sequestro era um dos sócios”.
O sócio da Indeal teria sido sequestrado na manhã do dia 29 de abril deste ano e libertado horas depois, por volta das 17 horas do mesmo dia, sem pagamento de resgate.
As ações desta semana fazem parte da Operação Talião, que busca indícios da participação dos três envolvidos nos municípios de Canoas, Sapucaia do Sul, Porto Alegre e Campo Bom, todos no Rio Grande do Sul.
Pirâmide bilionária investigada pelo FBI
A Indeal foi uma das grandes pirâmides de Bitcoin que atuava no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, região que também abrigou a Unick Forex. As autoridades estimam que a empresa tenha deixado um prejuízo bilionário prometendo rendimentos "garantidos" com investimentos em criptomoedas.
Os sócios da empresa usavam o dinheiro dos investidores para adquirir bens pessoais de luxo, como imóveis e carros. O chefe da pirâmide, Francisco Daniel Lima de Freitas, pediu liberdade ao Supremo Tribunal Federal neste ano, mas teve o pedido negado.
No começo de novembro, o FBI atendeu um pedido das autoridades brasileiras e apreendeu mais de R$ 120 milhões em Bitcoin que estavam em carteiras dos Estados Unidos e seriam de um dos sócios da pirâmide.
A Indeal chegou a alimentar outras pirâmides financeiras do Rio Grande do Sul. A polícia também investiga a lavagem de R$ 50 milhões de outra empresa com ajuda da Indeal.
Estima-de que o rombo deixado pela Indeal seja de R$ 1,1 bilhão, sem perspectivas para que os investidores sejam ressarcidos pela Justiça no curto prazo.
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