A renovação da máxima histórica do Bitcoin (BTC) em 14 de março marcou o topo do atual ciclo de alta das criptomoedas, iniciado em outubro de 2023. Após o "banho de sangue" testemunhado no fim de semana, que culminou com a queda para US$ 49.000 na manhã da segunda-feira, 5 de agosto, o Bitcoin está 21% abaixo do recorde de US$ 73.750. Cotado em torno de US$ 56.000 no momento em que este texto foi escrito, acumulava ganhos de 5% nas últimas 24 horas, de acordo com dados da CoinGecko.
O sentimento predominante entre os traders, no entanto, ainda é de medo e incerteza. Turbulências macroeconômicas, instabilidade geopolítica e a indecisão na corrida presidencial dos EUA ainda são ameaças à recuperação das criptomoedas no curto prazo, embora muitos analistas concordem que os cortes nas taxas de juros a serem promovidos pelo Fed (Banco Central dos EUA) devolverão a liquidez aos mercados financeiros, favorecendo os ativos de risco.
Em um cenário predominantemente negativo, um levantamento do Cointelegraph Brasil identificou seis tokens, entre os 100 maiores em termos de capitalização de mercado, que se destacam por contrariar a tendência de baixa do mercado, apresentando um desempenho positivo na janela que vai do topo registrado em 14 de março até agora.
Gráfico diário que compara desempenho de BTC, TON, KAS, ONDO, NOT, BRETT e OM desde o topo de 14 de março. Fonte: TradingView
O token do protocolo de ativos do mundo real (RWA) Mantra (OM) acumula ganhos de 202,5% no período. Embora tenha um valor total bloqueado (TVL) relativamente baixo em comparação com concorrentes do setor – apenas US$ 1,04 milhão, de acordo com dados do Defi Llama – o Mantra beneficiou-se do hype em torno da narrativa de ativos do mundo real para liderar os ganhos desde março entre as principais criptomoedas do mercado.
Validando a importância da aderência de narrativas junto ao mercado, a segunda posição neste ranking particular cabe a uma memecoin. Principal memecoin da Base, rede de camada 2 da Ethereum (ETH), o Brett (BRETT) valorizou 108% em pouco mais de quatro meses.
Nesse período, o Brett despertou a atenção de Ronaldinho Gaúcho, que foi ao X propor uma parceria com os desenvolvedores do projeto para alavancar a comunidade da memecoin no Brasil.
Os dois próximos tokens fazem parte do ecossistema da The Open Network (TON), a rede de camada 1 que mais cresceu em termos de adoção e usuários ativos em 2024. O Notcoin (NOT) subiu 53% desde a máxima histórica do Bitcoin. Em seguida, o TON, token nativo da blockchain de camada 1 associada ao Telegram, registrou ganhos de 38%.
Validando a força da narrativa RWA no atual ciclo de mercado, o token da Ondo Finance (ONDO) registrou ganhos de 23%. Em março, a BlackRock adotou a stablecoin atrelada a rendimentos de títulos do Tesouro dos EUA emitida pela Ondo Finance, o USDY, como lastro para o BUIDL. O fundo RWA da maior gestora de ativos financeiros do mundo contribuiu para impulsionar o bom desempenho do ONDO em 2024.
Com uma narrativa baseada em uma rede de camada 1 de prova-de-trabalho (PoW) fundamentada nos princípios de Satoshi Nakamoto, porém mais eficiente do que o Bitcoin, o token da Kaspa Network (KAS) valorizou 12%, fechando a lista.
Vale notar que o Notcoin e o Brett figuram na lista dos três tokens que registraram valorizações mais expressivas após o fundo local registrado na segunda-feira. O NOT valorizou 23,4%, e o BRETT, 18,9%. Com ganhos de 23,5%, o Bittensor (TAO) lidera o top 3 em valorização nas últimas 24 horas, de acordo com dados da CoinGecko.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, uma combinação de instabilidade no cenário macroeconômico e geopolítico global, e o crescimento das chances de vitória de Kamala Harris nas eleições dos EUA foram responsáveis pela pior queda do mercado de criptomoedas desde o colapso da FTX em 2022.