Após uma série de indicadores negativos sobre atividade econômica nos EUA, o Bitcoin (BTC) confirmou seu pior fechamento semanal desde o colapso da FTX, com uma queda de 14,7%.

Após superar brevemente os US$ 70.000 na segunda-feira, 29 de julho, o par BTC/USD fechou o domingo cotado a US$ 58.161, de acordo com dados da CoinGecko. As perdas se aprofundaram após a abertura dos mercados asiáticos.

A aversão ao risco que tomou conta dos mercados derrubou não apenas o Bitcoin, mas também o mercado global de ações, depois que dados negativos sobre o mercado de trabalho dos EUA alimentaram os temores de que uma recessão está em curso na maior economia do planeta.

Em julho, foi registrada a criação de menos empregos do que o esperado na economia americana, e houve contração na atividade industrial. Enquanto surgiam boatos de que o Banco Central dos EUA (Fed) poderia convocar uma reunião emergencial para debater a revisão imediata de sua política monetária, o Bitcoin chegou a bater nos US$ 49.000 nas primeiras horas da manhã.

Desde então, recuperou-se e no fim da tarde desta segunda-feira, é negociado acima dos US$ 54.500. Ainda assim, está em queda de 7,2% nas últimas 24 horas.

Sinais de pessimismo no mercado de criptomoedas

Os dados negativos, no entanto, não se limitaram ao cenário macroeconômico. As reservas de BTC de mineradores seguem em declínio e estão em seu nível mais baixo em mais de um ano, de acordo com um boletim de mercado da Kaiko Research publicado nesta segunda-feira:

"Os dados on-chain mostram que as reservas de Bitcoin dos mineradores estão diminuindo desde o início do mercado de alta no final de 2023, à medida que estas entidades têm vendido progressivamente suas participações."

Por sua vez, a queda da atividade de traders do varejo teve um forte impacto sobre os lucros reportados pela Coinbase, que caíram de US$ 1,2 bilhão nos três primeiros meses deste ano para US$ 36 milhões no segundo trimestre. O volume negociado na maior exchange de criptomoedas dos EUA recuou 28% no período.

Além das incertezas no cenário macroeconômico e da deterioração de indicadores importantes do mercado de criptomoedas, sob uma perspectiva histórica, o horizonte de curto prazo não deve oferecer alívio para os traders. 

Conforme observou o analista de dados on-chain Ali em uma postagem no X, agosto e setembro costumam ser os piores meses em termos de desempenho de preço do Bitcoin, "com perdas médias de 7,82% e 5,58%, respectivamente."

Retornos Mensais do Bitcoin. Fonte: @ali_charts (X)

Coincidentemente, no ano passado, um dos maiores eventos de desalavancagem do mercado ocorreu em 16 e 17 de agosto.

Queda foi antecipada por analistas

A recente correção foi antecipada por Diego Consimo, analista e fundador da Crypto Investidor, na semana passada, depois que o Bitcoin novamente falhou em romper a forte resistência estabelecida entre US$ 70.000 e a atual máxima histórica de US$ 73.750.

Diante das incertezas no cenário macroeconômico e da quebra de um suporte importante na região de US$ 53.000, novas quedas se apresentam no horizonte de curto prazo do Bitcoin, segundo Arthur Driessen, analista da equipe da casa de análise de criptomoedas brasileira: 

"O BTC iniciou a semana testando o suporte dos US$ 53.000 e agora poderemos ter uma recuperação para formar uma onda B e, posteriormente, uma nova onda de correção para finalizar a onda C do movimento ABC" na região sinalizada em verde no gráfico abaixo.

Gráfico diário anotado BTC/USD. Fonte: Crypto Investidor

Se confirmada a perda do suporte em US$ 53.000 no gráfico diário, os próximos suportes são US$ 44.000 e US$ 37.800, explica o analista. Por sua vez, a primeira resistência a ser vencida situa-se nos US$ 60.000.

No entanto, para confirmar a reversão da tendência de baixa atual, a onda B teria que romper o topo dos U$70.000, afirma Driessen. Esse movimento "invalidaria a correção da onda C e confirmaria que o fundo teria sido atingido em U$49.000," diz o analista.

Driessen também destaca o retorno da correlação com o mercado de ações em uma comparação da ação de preço do Bitcoin com o desempenho recente da NASDAQ:

"O índice NASDAQ pode estar empreendendo um movimento semelhante ao do BTC, sinalizando um ABC de correção da tendência de alta que se iniciou em janeiro de 2023."

Em um momento de aversão dos mercados ao risco, uma correção do índice NASDAQ, conforme delineada no gráfico abaixo, "também favorece essa potencial correção do BTC", conclui o analista.

Gráfico diário anotado NASDAQ. Fonte: Crypto Investidor

Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o mercado de criptomoedas perdeu US$ 600 bilhões em capitalização de mercado nos últimos sete dias, devido a uma combinação de fatores que incluem a política interna dos EUA, turbulências macroeconômicas e geopolíticas em escala global e a dinâmica do próprio mercado de ativos digitais.