Apesar da recente queda de 17,6% em sete dias, o Bitcoin (BTC) oferece a melhor relação de risco-retorno em um cenário de crescente endividamento global, afirmam os analistas de criptomoedas da Genial Investimentos. 

Em um boletim publicado na sexta-feira, 2 de agosto, em meio ao caos que começava a tomar conta dos mercados financeiros globais, Erich Marinelli e Bruno Bandiera destacaram que o desempenho positivo do Bitcoin e do ouro em 2024 foi "impulsionado pela demanda por ativos que possam servir como proteção contra a instabilidade das moedas fiduciárias."

Até o final de julho, o Bitcoin acumulava uma valorização de 52% em dólares e 75% em reais, enquanto o ouro subiu 37%.

"Este movimento reflete a percepção de que os criptoativos podem atuar como um escudo contra as crises fiscais, especialmente em um cenário de crescente endividamento público", afirmaram os analistas. A busca por ativos de proteção poderia servir como um antídoto contra uma súbita perda de confiança em nações fortemente endividadas.

Recentemente, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) lançou um alerta sobre os riscos de um afrouxamento prematuro das políticas monetárias dos bancos centrais de diversas jurisdições.

Em junho, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou o primeiro corte de taxa de juros na zona do euro desde 2019. O Banco Popular da China (PBoC) confirmou que cortaria a taxa de recompra reversa de sete dias em 0,1%, para 1,7%, enquanto a taxa preferencial de empréstimo de um e cinco anos seguiu o mesmo caminho. Na primeira semana de agosto, foi a vez do Banco da Inglaterra reduzir os juros em 0,25%.

Os Estados Unidos estão se posicionando para reduzir as taxas de juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), marcada para setembro. Com a inflação tecnicamente sob controle e uma deterioração no mercado de trabalho e na atividade produtiva, o presidente do Banco Central dos EUA (Fed) sinalizou uma reversão nas políticas de aperto monetário em curso desde março de 2022.

A advertência do BIS destaca a grave situação fiscal em economias desenvolvidas, exacerbada pelas políticas de afrouxamento monetário implementadas em resposta à pandemia do coronavírus. Na ocasião, os governos se viram obrigados a aumentar seus gastos para sustentar a economia, ao mesmo tempo em que enfrentavam quedas de receitas.

A inédita expansão da liquidez global provocou uma espiral inflacionária que foi enfrentada com o aumento das taxas de juros e o consequente endividamento público. No final de 2023, a relação dívida/PIB dos Estados Unidos atingiu 123%.

Em 30 de julho, a dívida do governo federal dos EUA ultrapassou a marca de US$ 35 trilhões, levantando preocupações sobre a saúde da maior economia do mundo. 

Apesar da volatilidade e dos questionamentos à eficácia do Bitcoin como um ativo de proteção equivalente ao ouro, os analistas da Genial Investimentos afirmam que as "criptomoedas representam a melhor opção de investimento disponível" no contexto atual, pois consideram a relação de risco-retorno desse mercado "particularmente atraente."

"Por essa razão, uma exposição estratégica, mesmo que pequena, em criptoativos pode ser uma decisão sensata para qualquer investidor, oferecendo uma diversificação potencialmente lucrativa e uma proteção contra as turbulências dos mercados financeiros tradicionais", concluem Marinelli e Bandiera.

Apesar do otimismo com as perspectivas futuras do mercado de criptomoedas, a recente correção do Bitcoin pode não ter chegado ao fim. Segundo Arthur Driessen, analista da Crypto Investidor, um rompimento da resistência na região de US$ 70.000 é fundamental para confirmar uma eventual retomada da tendência de alta, conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil.