Mais de 120 mil clientes da GAS Consultoria Bitcoin abriram cadastro na administração judicial da 5ª Vara empresarial do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) para tentar recuperar R$ 9,3 bilhões perdidos em investimentos em criptomoedas realizados através da empresa de Glaidson dos Santos, também conhecido como "Faraó dos Bitcoins", informou reportagem do portal G1 publicada na quinta-feira, 8.

A 5ª Vara empresarial do TJ-RJ nomeou o advogado Sérgio Zveiter como o administrador judicial do processo. Assim, Zveiter tornou-se responsável pelo cadastramento dos clientes supostamente lesados pelo esquema de pirâmide financeira baseado investimentos em criptomoedas montado por Glaidson e sua mulher, a venezuelana Mirelis Zerpa, através da GAS Consultoria. A empresa e o casal tiveram seus bens bloqueados pela Justiça em março deste ano.

Até agora, mais de 120 mil pessoas se cadastraram para tentar reaver o dinheiro investido através da administração judicial, mas Zveiter estima que pelo menos 300 mil pessoas foram atraídas pela promessa de retornos mensais fixos de 10% prometidos pela empresa.

O advogado garantiu que todos aqueles que foram prejudicados pelo esquema terão direito ao ressarcimento, desde que cumpram alguns requisitos básicos e de que a Justiça consiga identificar onde a empresa e seus sócios mantêm seu patrimônio:

"Todos os investidores que comprovarem em juízo que o dinheiro investido é de origem lícita, têm, sim, a possibilidade de receber os seus valores. Isso depende exclusivamente da GAS apresentar em juízo aonde estão esses valores."

De acordo com a reportagem do G1, a defesa da GAS Consultoria informou que o processo de recuperação judicial segue em curso, e que, no momento, está em fase de atualização do cadastro de credores apresentado pelo administrador judicial.

A empresa disse que está conferindo a documentação apresentada e que, em seguida, vai apresentar uma nova lista de créditos atualizada. Mais uma vez a GAS Consultoria culpou a suspensão do pagamento aos clientes devido aos bloqueios judiciais.

GAS Consultoria

Glaidson tornou-se nacionalmente conhecido como "Faraó dos Bitcoins" sob a acusação de organizar um esquema de pirâmide financeira sob a fachada de investimentos em criptomoedas à frente da GAS Consultoria. Os contratos firmados pela empresa com seus clientes prometiam rendimentos mensais fixos de 10% sobre o valor investido.

A organização criminosa foi desarticulada depois que a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou a "Operação Kryptos". Glaidson foi preso em 25 de agosto do ano passado em uma ação que resultou na maior apreensão de criptomoedas da história do Brasil – aproximadamente R$ 150 milhões na cotação da época. Carros de luxo e R$ 13 milhões em espécie também foram encontrados no local da prisão, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

A mulher de Glaidson escapou da prisão ao fugir para os EUA dias antes da deflagração da operação. Desde então, Mirelis está foragida e passou a integrar a lista vermelha de criminosos procurados pela Interpol.

De acordo com as investigações, o esquema da GAS Consultoria teria movimentado R$ 38 bilhões e afetado no mínimo 67.000 investidores.

Glaidson, e outros 16 réus são acusados por crimes de crimes de gestão de organização financeira sem autorização, gestão fraudulenta e organização criminosa na denúncia formal do caso apresentada pelo Ministério Público Federal em outubro do ano passado.

Em abril deste ano, Glaidson se filiou ao partido Democracia Cristã (DC) como parte de seus planos para lançar-se na carreira política, concorrendo a uma vaga de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião.

Em 15 de agosto, o "Faraó dos Bitcoins" registrou sua candidatura pelo partido Democracia Cristã (DC). Em sua declaração de bens apresentada ao TSE, informou possuir um patrimônio de R$ 60,4 milhões. Uma semana depois, o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura com base na Lei da Ficha Limpa.

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