A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 11, a quarta fase da Operação Kryptos, que desvendou e desarticulou um esquema de pirâmide financeira baseado em investimentos em criptomoedas liderado por Glaidson dos Santos, também conhecido como "Faraó dos Bitcoins", e a sua mulher, a venezuelana Mirelis Zerpa, à frente da GAS Consultoria Bitcoin.

Intitulada "Flyer One", em alusão ao primeiro avião dos Irmãos Wright, pioneiros norte-americanos da aviação, na nova fase da Operação Kryptos a Polícia Federal cumpriu um novo mandado de prisão contra Glaidson e apreendeu dez carros de luxo, avaliados em R$ 6 milhões, de acordo com reportagem do O Globo publicada nesta quinta-feira, 11.

Conexões com ex-piloto do traficante Pablo Escobar

A "Flyer One" também trouxe novas revelações acerca das operações da GAS Consultoria, qualificando o esquema comandado pelo "Faraó dos Bitcoins" como uma "organização criminosa responsável por fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas no Brasil e no exterior”.

De acordo com a Polícia Federal, as operações da GAS Consultoria nos EUA foram organizadas por um piloto de avião ligado ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar:

"A organização criminosa estendeu sua atuação ilícita para o exterior, promovendo a atividade de captação de recursos financeiros de terceiros nos Estados Unidos, Portugal e outros países. Conforme foi apurado, nos EUA a atuação foi estruturada por um indivíduo que saiu do Brasil portando passaporte falso, em razão de condenação prévia por tráfico internacional de drogas, ocasião na qual fora preso por ser um dos pilotos responsáveis pelo transporte de drogas do cartel comandado pelo narcotraficante Pablo Escobar".

Segundo a investigação da Polícia Federal, as operações do Faraó dos Bitcoins nos EUA foram financiadas através de stablecoins, cuja conversão em moeda fiduciária era justificada por documentação forjada:

"A atividade se desenvolveu por meio da utilização de documentos falsos, notadamente mediante a criação de invoices (comprovantes fiscais) sem lastro, a fim de que fosse justificada a profusão de depósitos nas contas da empresa criada em solo americano. A saída dos valores se dava por meio do depósito, em favor do líder da organização criminosa, de criptoativos lastreados no dólar americano, também chamados de stablecoins."

O piloto, que não teve o seu nome divulgado, chegou a intermediar a compra de um avião particular para os deslocamentos de Glaidson e Mirelis nos EUA, revela a investigação:

"[O acusado] foi o responsável por viabilizar a documentação necessária à estada dos líderes da organização criminosa no país americano, bem como por satisfazer uma série de seus desejos pessoais, como a aquisição de uma aeronave com capacidade para 19 pessoas, por meio da utilização de sua filha como interposta pessoa."

Faraó dos Bitcoins

Na manhã desta quinta-feira, agentes da Polícia Federal foram ao Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, onde Glaidson encontra-se preso, para cumprir o novo mandado de prisão.

Glaidson tornou-se nacionalmente conhecido como "Faraó dos Bitcoins" sob a acusação de organizar um esquema de pirâmide financeira sob a fachada de investimentos em criptomoedas à frente da GAS Consultoria. Os contratos firmados pela empresa com seus clientes prometia rendimentos mensais fixos de 10% sobre o valor investido.

A organização criminosa foi desarticulada depois que a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagou a "Operação Kryptos". Glaidson foi preso em 25 de agosto do ano passado em uma ação que resultou na maior apreensão de criptomoedas da história do Brasil – aproximadamente R$ 150 milhões na cotação da época. Carros de luxo e R$ 13 milhões em espécie também foram encontrados no local da prisão, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, o esquema da GAS Consultoria teria movimentado R$ 38 bilhões e afetado no mínimo 67.000 investidores.

Glaidson, e outros 16 réus são acusados por crimes de crimes de gestão de organização financeira sem autorização, gestão fraudulenta e organização criminosa na denúncia formal do caso apresentada pelo Ministério Público Federal em outubro do ano passado.

Em abril deste ano, Glaidson se filiou ao partido Democracia Cristã (DC) como parte de seus planos para lançar-se na carreira política, concorrendo a uma vaga de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião.

LEIA MAIS