Preso preventivamente há 8 meses no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, sob acusação de comandar um esquema de pirâmide financeira baseado em investimentos em criptomoedas, Glaidson dos Santos faz planos para lançar-se na carreira política concorrendo a uma vaga de deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, informou reportagem da Veja publicada no fim de semana.
Glaidson se filiou ao Democracia Cristã (DC) em 2 de abril, último dia para pretensos concorrentes às próximas eleições aderirem a algum partido, tornando viável uma possível candidatura. Para iniciar sua trajetória na política, Glaidson escolheu o partido comandado por José Maria Eymael, que por sua vez pretende concorrer pela sexta vez à presidência da República.
Glaidson tornou-se nacionalmente conhecido como "Faraó dos Bitcoins" sob a acusação de organizar um esquema de pirâmide financeira sob a fachada de investimentos em criptomoedas à frente da GAS Consultoria. Os contratos firmados pela empresa com seus clientes prometia rendimentos mensais fixos de 10% sobre o valor investido.
A organização criminosa foi desarticulada depois que a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagou a "Operação Kryptos". Em 25 de agosto, Glaidson foi preso em uma ação que resultou na maior apreensão de criptomoedas da história do Brasil – aproximadamente R$ 150 milhões na cotação da época. Carros de luxo e R$ 13 milhões em espécie também foram encontrados no local da prisão, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações, o esquema da GAS Consultoria teria movimentado R$ 38 bilhões e afetado no mínimo 67.000 investidores.
Glaidson, e outros 16 réus são acusados por crimes de crimes de gestão de organização financeira sem autorização, gestão fraudulenta e organização criminosa na denúncia formal do caso apresentada pelo Ministério Público Federal em outubro do ano passado, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
Moisés
Sua estratégia política prevê uma transformação de sua imagem perante a opinião pública. Glaidson que ser ser associado a Moisés, personagem mitológico que libertou os judeus do jugo da escravidão no Egito. Como "Moisés do Bitcoin", Glaidson quer se apresentar como um libertador que conduz os seus seguidores a um caminho alternativo ao sistema financeiro tradicional.
Glaidson está preso preventivamente há mais de 200 dias, mas ainda não foi julgado e portanto ele não foi condenado pelos crimes de que é acusado e, assim, não existe nenhum impedimento legal para que ele concorra a cargos públicos na próxima eleição, como destacou à reportagem da Veja o secretário-geral do Democracia Cristã, Rubens Pavão:
"Ele manifestou interesse de vir para o DC e nosso departamento jurídico analisou a situação. Como não é ficha suja, não temos porque barrá-lo."
Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, em dezembro do ano passado, Glaidson e outras cinco pessoas se tornaram réus sob a acusação de tentativa de homícidio contra supostos rivais no mercado de investimentos em criptomoedas na Região dos Lagos, litoral norte do Rio de Janeiro, onde está sediada a GAS Bitcoin.
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