Em participação no painel “Criptomoedas: 15 anos do Bitcoin, e a jornada para 1 bilhão de usuários” na tarde da última quarta-feira (24) no Blockchain.Rio, o vice-presidente da Binance na América Latina, Guilherme Nazar, destacou a participação da exchange na consulta pública do Banco Central (BC) antes da normatização infralegal do mercado de criptomoedas no país e elencou outros pilares de atuação da empresa.
De acordo com o executivo, a regulação é ainda mais importante a partir do estágio da adoção e, segundo teorias de difusão de inovação, 2,5% da população é formada por inovadores, que estão dispostos a correr riscos para abraçar uma nova tecnologia. Já os primeiros adeptos, cerca de 13,5% da sociedade, são os líderes de opinião, os influenciadores, ponto em que o mercado de criptomoedas se encontra hoje, segundo ele.
“Isso significa que estamos chegando a uma massa mais ciosa do balanço de risco e retorno, e as regulações têm um grande papel de contribuição, à medida que contribuem para a confiança das pessoas, para que as criptomoedas possam de fato se tornar populares no grande público”, completou.
O executivo disse que a exchange está de olho no avanço da regulamentação do mercado cripto nacional ao argumentar que, na maior parte dos países, os reguladores têm olhado para os benefícios que a inovação tecnológica oferece, em convergência com o aumento da segurança e da transparência para os usuários. Valores que estão no DNA da empresa, segundo ele.
“No Brasil, o caminho é o mesmo. O Banco Central realizou a consulta pública se propondo a ouvir e se alimentar da experiência e conhecimento dos players atuais e outros atores do mercado de capitais. Diversos players do mercado participaram, a Binance fez uma longa e robusta contribuição, oferecendo toda nossa experiência nos 18 mercados onde detemos autorizações e licenças”, acrescentou.
Entre outros pontos abordados, o executivo dissertou sobre as principais estratégias à chegada ao primeiro bilhão de usuários, já que um levantamento recente da consultoria Tripple estimou que 560 milhões de usuários cripto no mundo, cerca de 7% da população mundial, dos quais 210 milhões utilizam a Bincance segundo ele.
O avanço, emendou, se deve à aderência dos usuários de varejo, foco da exchange.
“E isso acontece porque cada vez mais pontos do varejo têm aceitado pagamentos em cripto. Estamos quase no patamar recorde histórico e isso tende a aumentar. Pagamentos em cripto são rápidos, mais baratos, e têm ficado mais simples a cada dia. E são a prova de que um produto cripto tem potencial para ser uma alternativa viável para serviços financeiros tradicionais, com benefícios importantes para quem usa”, justificou.
Sympla e Lumx
Através de uma parceria com a provedora de infraestrutura blockchain Lumx, a plataforma de eventos Sympla também anunciou no Blockchain.Rio a adoção de um sistema de check-in, em que os QR Codes serão validados via blockchain. A empresa, que recentemente adotou a emissão de ingressos por tokens não fungíveis (NFTs), acrescentou que a nova funcionalidade vai permitir a transferência entre os titulares de ingressos, através de registro em blockchain.
“Visamos tornar a plataforma de vendas de ingressos ainda mais aberta e transparente, com o intuito de oferecermos segurança, confiabilidade e irrefutabilidade para a indústria de eventos como um todo, não só dentro da plataforma, mas para o ecossistema inteiro”, afirmou o CTO da Sympla, Roberto Mameli.
A Sympla acrescentou a empresa está operando em prol do lançamento de um ecossistema de revenda de ingressos que faz uso de contratos inteligentes, possibilitando assim habilitar um mercado secundário C2C (consumer-to-consumer) e tornando o mercado secundário mais confiável e regulado de acordo com a lei. Inovação que, segundo a empresa, protege todos os stakeholders da cadeia de valor, uma vez que torna a transação dos ingressos transparente e pública.
Ribus lança WineSkin
Outra empresa brasileira a marcar presença no Blockchain.Rio foi a Ribus, plataforma de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês), que anunciou uma atualização de protocolo, o WineSkin, que possibilita a posse de tokens que podem representar a posse unitária ou fracionada de determinado ativo por meio. O que inclui a governança, tanto de tokens de propriedade quanto os de multipropriedade, casos em que os usuários da plataforma têm governança sobre o ativo físico no mundo digital, por meio dos tokens.
Segundo o que informou a empresa, esses tokens, os Ribushare, podem ser negociados no mercado secundário ou convertidos em meio físico, após a queima do NFT como forma de conversão para a documentação física.
Em maio, a Ribus também anunciou a criação de uma fintech focada em tokenização de recebíveis e crowdfunding para o mercado imobiliário, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.