Cinco cúmplices de Glaidson dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", estariam foragidos em uma ilha paradísiaca no Caribe para escapar da Justiça brasileira, informou reportagem do jornal Extra nesta sexta-feira.

De acordo com a reportagem, um grupo de 500 pessoas composto por sócios e consultores da GAS Consltoria Bitcoin embarcou para a República Dominicana no dia 23 de agosto em dois voos fretados pela empresa para participar do lançamento de um programa de compliance e do anúncio de uma aliança entre a GAS e uma instituição bancária não identificada.

Integrantes da excursão afirmam que os casais João Dumas e Larissa Dumas, e Vicente Gadelha  e Andrimar Vergel, e Victor Teixeira ficaram na República Dominicana. Dois dias depois da chegada do grupo à ilha, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a "Operação Kryptos", prenderam Glaidson e fizeram a maior apreensão de criptoativos da história do Brasil.

Segundo relatos de testemunhas ouvidas pelo Extra, no momento em que as notícias da operação chegaram ao Caribe, o paraíso se transformou em um verdadeiro inferno e os consultores que esperavam por dias de divertimento e luxo tiveram que se dedicar ao atendimento da clientela da GAS Consultoria preocupada com o destino de seus investimentos financeiros. Enquanto isso, os membros mais importantes do esquema, como Vicente, João e Victor, isolaram-se em seus apartamentos com segurança particular e passaram a ignorar os demais.

Um dos integrantes do grupo que revelou detalhes do episódio ao Extra disse que muitos entraram em pânico, temendo serem presos na chegada ao Brasil. Mesmo assim, tiveram que retornar ao país nos voos que haviam sido previamente fretados para a volta. Sem condições de se manter na ilha por conta própria, desembarcaram no Brasil em 4 e 5 de setembro. 

Os cinco integrantes dos altos escalões da GAS Consultoria permaneceram na República Dominicana, onde teriam alugado uma casa, evitando as penalidades determinadas pela Justiça brasileira. Contra João Marcus e Vicente, há mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal do Rio de Janeiro.

A denúncia do MPF acusa o "Faraó dos Bitcoins" e 16 cúmplices de terem organizado e operado um esquema de pirâmide financeira baseado em investimentos em Bitcoin através da GAS Consultoria, empresa de propriedade de Glaidson sediada em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia, a GAS Consultoria teria 67 mil clientes, e movimentou R$ 38 bilhões entre 2015 e agosto de 2021. Até o momento, as autoridades conseguiram reaver aproximadamente R$ 200 milhões que estavam depositados em contas vinculadas à empresa.

A investigação concluiu que a GAS Consultoria tinha Glaidson e sua mulher, a venezuelana Mirelis Zerpa, que se encontra foragida, como líderes do esquema. Em seguida, havia aqueles que o inquérito identificou como "sócios" da organização criminosa. Vicente e Andrimar enquadram-se nesta categoria. Depois, havia os “sócios-administrativos”, responsáveis pela “operacionalização da atividade da empresa, como gestão de contratos, recebimento e pagamento de valores”. João Marcos, Larissa e Victor faziam parte deste grupo. Por fim, havia os consultores.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o caso da GAS Consultoria motivou o deputado federal Áureo Ribeiro (SD-RJ) a pedir a instauração de uma CPI das Criptomoedas para investigar casos de fraudes e golpes que têm feito vítimas por todo o país.

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