A audiência pública para debater medidas de combate a fraudes envolvendo Bitcoin (BTC) e criptomoedas reuniu representantes do poder público e especialistas no tema nesta quarta-feira, 27, na Câmara dos Deputados.
Convocada pelo deputado federal Aureo Ribeiro (Solidariedade/RJ), a audiência deu destaque ao caso da GAS Consultoria Bitcoin, e abriu espaço para participação da sociedade civil. Quem estava assistindo à sessão, transmitida pela internet, pôde fazer questionamentos e entender mais sobre a polêmica que afetou milhares de famílias brasileiras.
Durante a discussão, Aureo Ribeiro relembrou sua tentativa de instaurar a CPI das Pirâmides Financeiras, batalha que trava há mais de dois anos.
Além da regulamentação, que já está em andamento na Câmara dos Deputados, o parlamentar também quer a realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar casos de fraudes e golpes que têm feito vítimas por todo o país.
As representantes do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, Viviane Braga e Aline Pedrini, abriram a reunião lembrando que o atual cenário é muito favorável a golpes e fraudes devido à falta de regulamentação.
Sérgio José, do Banco Central, citou as medidas de combate a fraudes adotadas pelo órgão, que conta com um sistema de registro de demandas que permite o monitoramento constante de transações.
Celso Luiz, da Comissão de Valores Mobiliários, destacou as campanhas de orientação sobre fraudes promovidas pela CVM e lembrou a necessidade de investimento em educação financeira no Brasil.
Representando a Receita Federal, Jonathan José lembrou que o órgão monitora, desde 2019, todo o fluxo de transações envolvendo criptoativos e que essa iniciativa foi reconhecida, inclusive, pelo Fundo Monetário Internacional.
Golpes com criptomoedas
O debate contou com a participação de advogados especialistas no tema. Para Artêmio Ferreira, advogado especialista em combate a golpes, o Brasil precisa ter uma atmosfera que atraia os investidores e a falta regulamentação faz o contrário, afugentando quem quer investir em moedas digitais no país.
Caio Sanad, mestre em inovação tecnológica, contou que há tecnologias que possibilitam o mapeamento e rastreamento de investidores, o que ajuda a prevenir atividades ilícitas. Para Ciro Costa, especialista em blockchain e regulação, esse é o início da caminhada para um ambiente regulatório mais moderno.
O representante da Associação Brasileira de Criptomoedas, Rodrigo Monteiro, mostrou o compromisso da instituição, que fiscaliza e exige que seus membros sigam um código de autorregulação. Mas, para ele, a interferência de um órgão regulador é fundamental para dar mais segurança ao mercado.
Jeferson Sarandy Brandão foi convidado como especialista em direito tributário, mas levantou muitos questionamentos ao falar da GAS Consultoria, empresa da qual é cliente. Para Jeferson, a prisão do CEO da GAS, Glaidson Acácio dos Santos, é inconstitucional e injusta, uma vez que as investigações ainda estão em curso e não há sentença penal condenatória.
Ao assumir a palavra, o deputado federal Aureo Ribeiro, que tem sido uma voz ativa quando se trata de criptomoedas, reafirmou que a regulamentação vai garantir segurança jurídica aos investidores. Aureo relembrou a luta que está travando pela instauração da CPI das Pirâmides Financeiras.
O parlamentar criou uma petição pública para recolher assinaturas da população e pressionar o congresso pela realização da CPI.
“A quem interessa a não realização da CPI das Pirâmides Financeiras, já que milhares de pessoas estão sendo lesadas por esse tipo de esquema no país? Em 2019 eu protocolei, com o apoio de mais de 180 parlamentares, a CPI para investigar crimes como o caso da Atlas Quantum, que lesou milhares de brasileiros. São milhares de famílias prejudicadas e nós precisamos dar uma resposta firme a esses crimes”, afirmou.
Após sua fala, Aureo Ribeiro abriu espaço para a participação popular, repassando aos participantes perguntas que recebeu em suas redes sociais no decorrer da transmissão da audiência pública.
Projeto de lei para regulamentar criptomoedas em tramitação na Câmara
O Projeto de Lei 2303/15, que trata da regulamentação das moedas digitais, de autoria do deputado federal Aureo Ribeiro (Solidariedade/RJ), foi aprovado pela Comissão Especial de Criptoativos.
O objetivo da proposta é garantir mais segurança jurídica a quem investe em moedas digitais, como os bitcoins. Segundo Aureo, a ideia do projeto é por uma legislação que não engesse o mercado, que não haja taxação, principalmente para os pequenos investidores.
Atualmente o PL encontra-se com seu relatório aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, aguardando votação em Plenário.
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