A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se um incêndio na manhã desta quarta-feira (29) em um restaurante de Cabo Frio, na Região dos Lagos, foi causado por clientes da Eagle Eyes.

A empresa de investimentos pertence ao pastor Jonas Gomes da Silva e fica no mesmo bairro do restaurante. Segundo O Globo, o delegado Carlos Eduardo Pereira Almeida, responsável pelas investigações, informou que o estabelecimento que pegou fogo também pertencia ao líder religioso.

Jonas é acusado de ter encerrado as atividades do grupo financeiro sem devolver os valores aportados pela maioria dos investidores.

A reportagem diz que, horas depois, o prédio da Igreja Apostólica Ministério Renascer, onde Jonas realizava cultos, teve o portão arrombado.

O prédio foi saqueado por pessoas que se diziam clientes da Eagle Eyes, que contaram ao jornal que a Eagle Eyes garantia faturamento de 30% ao mês, mediante aporte mínimo de R$ 2 mil.

Depois, o lucro foi reduzido para 15%, e apenas valores acima de R$ 3 mil eram aceitos. 

As promessas eram registradas em contrato, com reconhecimento de firma em cartório e notas promissórias assinadas por Jonas.

O líder religioso ficou conhecido como "pastor do bitcoin".

A Eagle Eyes não possui site ou perfis oficiais em nenhuma rede social e utiliza apenas WhatsApp como comunicação com os clientes.

Na semana passada uma mensagem foi enviada pela Eagle Eyes explicando que "devido à situação de tudo que tem acontecido em Cabo Frio", os clientes passaram a pedir a devolução dos valores aportados. "Agradecemos a todos que acreditaram e confiaram a nós o seu bem, mas decidimos encerrar nossas atividades e devolver o capital de todos".

Desde então, segundo o relato de investidores ao jornal, Jonas, a esposa (também pastora) e outros dois parentes, pararam de responder a qualquer contato.

Além disso, os pagamentos previstos teriam parado, assim como a devolução do dinheiro para a maioria dos clientes.

O delegado Carlos Eduardo Pereira Almeida falou ao Globo sobre as denúncias de calote praticado pelo grupo:

“Chegou uma primeira petição sobre o assunto hoje (quarta-feira), mas ainda será feito o registro de ocorrência, e a investigação preliminar terá início em seguida. Ainda não posso afirmar nada. Tenho que encontrar elementos mínimos”

A região de Cabo Frio tem sido usada por vários grupos investigados pela polícia por praticar golpes com Bitcoin  outras criptooedas.

Como o Cointelegraph noticiou, um consultor do Faraó dos Bitcoins disse que 'R$ 2 bilhões por hora entravam nas contas' da GAS Consultoria.

Michael de Souza Magno disse: ‘De dez em dez minutos, entra uma menina na conta do Banco do Brasil e transforma todo o saldo que tem em criptomoedas’.

Um dos cosultores de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, preso por um esquema ilegal de Bitcoins, afirmou, segundo o G1, em uma conversa interceptada com autorização da Justiça, que investidores aportavam, por hora, R$ 2 bilhões nas contas das empresas.

Segundo a reportagem, o telefonema foi dado dias antes da Operação Kryptos. A ação da PF prendeu Glaidson e um sócio, Tunay Pereira, em 25 de agosto.

Ao todo, o 'Faraó dos Bitcoins' responde a quase 300 processos protocolados na justiça do Rio por clientes lesados pela GAS Consultoria. 

Até a noite de quinta-feira (23/09), 289 ações haviam sido encaminhadas ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em que clientes solicitam o ressarcimento pelos prejuízos decorrentes de investimentos realizados através da empresa.

No relatório final da Operação Kryptos, Glaidson Acácio dos Santos e mais 21 foram indiciados por crimes contra o sistema financeiro.

Investigações concluíram que a GAS Consultoria era uma organização criminosa que cometeu crimes contra o sistema financeiro e de gestão fraudulenta.

Diante das investigações, o Ministério Público autorizou a venda de R$ 150 milhões em Bitcoins apreendidos durante operação que prendeu Glaidson Acácio dos Santos.

Uma das vítimas do 'Faraó do Bitcoin' disse que era convencida a investir em criptomoedas dentro de igreja evangélica. 

Carlos Monteiro foi vítima de esquema com criptomoedas na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, e teve prejuízo de R$ 35 mil depois de investir na empresa do ex-garçom Glaidson Acácio.

Além disso, a GAS Consultoria pode ter lavado dinheiro de traficantes e milicianos, segundo a Polícia Federal.

Dois moradores da Favela do Lixo, em Cabo Frio, fizeram depósitos em dinheiro que somam R$ 1,7 milhão na conta da GAS Consultoria.

A GAS Consultoria, empresa de Cabo Frio (RJ), alvo de investigação por pirâmide com Bitcoin, rebateu as acusações.

Em nota, a ABCripto, Associação Brasileira de Criptoeconomia, se manifestou sobre o assunto:

"A Abcripto vem a público reforçar o alerta sobre o risco que exchanges de criptomoedas que não seguem as leis brasileiras representam para o país.

Novas informações públicas sobre o caso do “Faraó do Bitcoin”, esquema de pirâmide operado pelo ex-garçom Glaidson Acácio do Santos, mostram que as movimentações financeiras operadas pelo esquema foram feitas por meio de exchanges que não seguem as práticas de prevenção à lavagem de dinheiro e crimes financeiros e, mais do que isso, não respeitam a Instrução Normativa 1888/19 da Receita Federal Brasileira.

Vale reforçar que todas as empresas que atuam em território nacional são obrigadas a comunicarem as transações realizadas para RFB, medida importante justamente ajudar a combater o mau uso dos criptoativos. As associadas da Abcripto também seguem nosso Código de Autorregulação, que traz as melhores práticas de compliance do mercado.

Por isso, reiteramos a necessidade de uma fiscalização mais efetiva, que impeça a operação de empresas que encobrem crimes ou não respeitam a legislação vigente. Só assim teremos uma criptoeconomia mais segura para todos."

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