O primeiro trimestre de 2025 levou os investidores de criptomoedas da euforia à depressão de forma abrupta – e até certo ponto inesperada. O ano começou sob o êxtase da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, com o Bitcoin (BTC) atingindo uma nova máxima histórica de US$ 109.000 em 20 de janeiro, data do início do mandato, e a promessa de uma nova era para as criptomoedas nos EUA, com apoio governamental e regulação favorável.
No entanto, o próprio Trump parece ter sido responsável pela queda generalizada que veio a seguir. O primeiro golpe sobre o mercado veio antes mesmo da posse, com o lançamento da memecoin oficial do presidente. O Official Trump (TRUMP) surpreendeu os investidores ao ser anunciado aproximadamente 48 horas antes da cerimônia de posse, sugando a liquidez do mercado de altcoins, com uma alta parabólica até atingir uma capitalização de mercado de US$ 71 bilhões.
Embora o lançamento do TRUMP tenha impulsionado tanto o Bitcoin quanto a Solana (SOL) rumo a novas máximas históricas, o que veio depois eliminou aproximadamente US$ 1 trilhão da capitalização total do mercado de criptomoedas, de acordo com dados do CoinMarketCap.
Ao assumir o cargo de presidente, Trump desencadeou uma guerra comercial indiscriminada contra aliados e inimigos, gerando incertezas macroeconômicas em um cenário global já abalado por conflitos e tensões geopolíticas. Os mercados financeiros reagiram de forma negativa, com uma fuga em massa dos ativos de risco, o aumento da correlação do Bitcoin com os índices de ações dos EUA e a disparada do ouro, porto seguro em momentos de crise, rumo a máximas históricas acima dos US$ 3.000.
A correção derrubou o Bitcoin até 30% abaixo de suas máximas históricas e a maior criptomoeda do mercado fechou o primeiro trimestre em queda de 12% – seu pior desempenho desde 2018, ano que marcou o início de um prolongado mercado de baixa que se estendeu até 2020.
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As altcoins sofreram abalos ainda maiores, com o Ether (ETH) e a Solana recuando 62% e 61% desde suas máximas históricas, respectivamente. Embora a correção do Bitcoin possa ser considerada normal em ciclos de alta, as quedas do ETH e do SOL são típicas de mercado de baixa.
Com o anúncio das tarifas comerciais de Trump e a ausência de catalisadores imediatos de alta, o rumo do mercado na continuação de 2025 é uma incógnita. Analistas estão divididos entre uma possível retomada da alta, com o Bitcoin buscando novos recordes de preço, e perspectivas de que um novo mercado de baixa já esteja em curso.
7 altcoins que escaparam do banho de sangue no 1º trimestre
Em meio ao cenário de destruição de capital no primeiro trimestre de 2025, apenas 7 altcoins contrariaram a tendência macro de baixa e acumularam ganhos superiores a 10% no período. Três foram lançadas este ano e se beneficiaram do fator novidade e de airdrops generosos para suas comunidades crescerem.
O token nativo da blockchain de camada 1 Berachain (BERA) registrou o melhor desempenho no período, com ganhos de 642% desde o lançamento em 6 de fevereiro, de acordo com dados do CoinMarketCap.
Em menos de dois meses, a Berachain atingiu US$ 3 bilhões em valor total bloqueado (TVL) e fechou março com um total de US$ 3,78 bilhões em volume negociado nas exchanges descentralizadas (DEX) de seu ecossistema.
A vice-liderança coube ao Four (FORM), um token do setor de jogos baseado na BNB Chain. A alta de 467% no primeiro trimestre foi impulsionada pela listagem do FORM na Binance em 18 de março.
Token nativo do Onyx Protocol (XCN), uma plataforma blockchain focada em investidores institucionais que oferece suporte a múltiplos ativos, o Onyxcoin (XCN) também ganhou impulso com a listagem de seu token nativo em uma das maiores exchanges do mercado.
Com a abertura de suas negociações na Coinbase na última semana de janeiro, o XCN disparou 264% e fecha o top 3 do primeiro trimestre de 2025, apesar de ter devolvido grande parte dos ganhos desde então.
Com a maior capitalização de mercado do setor de ativos do mundo real (RWA), o Mantra (OM) vem mantendo em 2025 o desempenho positivo registrado no ano passado. À medida que o segmento de RWA ganhou mais atenção de investidores institucionais, o OM valorizou 67% no primeiro trimestre.
O Story (IP), um protocolo da Web3 que tem como objetivo criar um marketplace de propriedade intelectual programável, lançou sua rede principal e seu token nativo em 13 de fevereiro.
Apoiado por pesos pesados do capital de risco, como Andreessen Horowitz, Polychain Capital, Hashed e Samsung Next, o Story levantou US$ 29 milhões em uma rodada de financiamento semente em maio de 2023, US$ 25 milhões na Série A em setembro de 2023 e mais US$ 80 milhões na Série B em agosto de 2024.
Com um airdrop que distribuiu 10% do suprimento total do IP para a comunidade, o Story valorizou 62% nos primeiros três meses de 2025.
Apesar do declínio do mercado de memecoins em 2025, o Cheems foi uma exceção. Mais uma memecoin de cachorro na linhagem dos Shiba Inus, o Cheems acumulou ganhos de 57% no período.
O token nativo do protocolo de staking da Solana, Solayer (LAYER), fecha a lista com uma alta de 17%. Lançado em 11 de fevereiro com apoio da Binance, o token contrariou a tendência de baixa do mercado e se mantém em alta mesmo em condições desfavoráveis.
Maior altcoin em capitalização de mercado, o Ether (ETH) é o maior exemplo de como os investidores têm enfrentado dificuldades para encontrar alternativas ao Bitcoin no atual ciclo de alta. Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, especialistas têm afirmado que a Ehtereum pode "estar morrendo."