A B3 ganha um novo ETF de criptomoedas nesta sexta-feira, 13 de dezembro – o 18º disponível para os investidores na bolsa brasileira.
Visando capitalizar o crescente interesse dos investidores brasileiros pelo mercado de ativos digitais, a gestora Buena Vista Capital lança o primeiro ETF de Bitcoin que oferece rendimentos mensais adicionais aos investidores, além de rastrear o preço da criptomoeda.
O COIN11 é atrelado ao índice NEOS Bitcoin High Income Index e distribuirá, em média, dividendos de 2% ao mês aos cotistas. Lançado em outubro nos Estados Unidos, o ETF tem entregado rendimentos adicionais de 2,3% ao mês aos investidores.
A meta é que o rendimento adicional anualizado do COIN11 atinja, no mínimo, 24%. A taxa de administração do ETF é de 0,98% ao ano.
Diferente de outros ETFs que recorrem ao staking de criptomoedas para gerar rendimentos, o COIN11 utiliza uma estratégia de hedge comum no mercado tradicional de derivativos, denominada covered call.
A operação consiste na venda de opções de compra, na qual a gestora mantém uma posição comprada em Bitcoin (BTC) e vende opções de compra do ativo para gerar renda adicional.
A estratégia pode ser usada tanto para gerar uma renda extra sobre o investimento ou como proteção em condições de mercado estáveis ou levemente negativas, como explicou Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital, durante a divulgação do lançamento do produto:
“Ao lançar essa opção de compra, o produto protege a posição comprada e recebe um ‘prêmio’. Muitos investidores usam essa estratégia como proteção, nós a usamos para o pagamento de dividendos.”
No caso do ETF de Bitcoin da Buena Vista Capital, a típica volatilidade do mercado de criptomoedas favorece os ganhos nesse tipo de operação:
“Como o Bitcoin é mais volátil do que as ações, logo os proventos também são maiores.”
Apesar de a capitalização de mercado das criptomoedas estar operando próxima de máximas históricas após a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA e das dificuldades que o preço do Bitcoin tem enfrentado para se manter acima dos US$ 100 mil, Nobile afirma que ainda há espaço para alta, mesmo para investidores que fizerem seus primeiros aportes a partir de agora.
Considerando uma possível melhora no ambiente regulatório nos Estados Unidos e a queda das taxas de juros nas principais economias globais, o executivo acredita que “o momento ainda é muito favorável para criptomoedas.”
A Buena Vista Capital estuda a possibilidade de lançar novos ETFs de criptomoedas no mercado brasileiro, apesar da forte concorrência que existe hoje no setor.
Nobile destaca que, apesar da popularidade crescente dos ETFs como instrumentos financeiros, esses produtos ainda representam apenas 1% do patrimônio líquido dos fundos de investimento no mercado brasileiro.
Embora o COIN11 seja o primeiro ETF de Bitcoin que paga dividendos aos cotistas, a distribuição adicional de proventos não é uma exclusividade do produto da Buena Vista Capital.
Em setembro deste ano, a Hashdex lançou um ETF spot de Solana (SOL) que oferece rendimentos adicionais aos investidores, provenientes de operações de staking de SOL, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.
“O uso do staking com o objetivo de reduzir custos e potencializar retornos reflete nosso compromisso contínuo com a inovação e a criação de valor para nossos investidores", afirmou Samir Kerbage, CIO da Hashdex, na ocasião.