O Drex e a tokenização de ativos do mundo real (RWA) acelerarão a transformação digital em curso no mercado imobiliário, preveem empresários do setor.

Recursos como a digitalização e o fracionamento de propriedades, o uso da tecnologia blockchain para registro e transferência de imóveis, e a programabilidade da futura moeda digital de banco central (CBDC) criarão novos casos de uso relacionados à propriedade de imóveis e promoverão uma injeção de liquidez sem precedentes em um mercado tradicionalmente ilíquido.

Novos casos de uso da tokenização de imóveis

“Acreditamos com todas as nossas forças no futuro da tokenização como uma grande evolução para o mercado imobiliário, não apenas para a comercialização de imóveis, mas também para casos de uso relacionados à locação e distribuição de renda", afirmou Alexandre Frankel, CEO da Housi. 

A empresa que oferece soluções de tecnologia para o mercado imobiliário fechou uma parceria com a Netspaces para a criação e gestão de tokens RWA de imóveis localizados em diversas regiões do Brasil.

A parceria visa expandir os casos de uso de tokenização de imóveis da Housi. Atualmente, a empresa mantém um programa intitulado Cashback Token Housi, que recompensa os proprietários de imóveis com tokens de utilidade.

Esses ativos digitais podem ser utilizados para o pagamento de contas de condomínio e o aluguel de veículos compartilhados, por exemplo.

Em sociedade com a Netspaces, Frankel pretende implementar novos casos de uso relativo a operações de compra e venda, aluguel e investimentos baseados nos imóveis comercializados pela Housi.

“As opções com a tokenização de ativos imobiliários são infinitas", afirmou Andreas Blazoudakis, CEO da Netspaces, à reportagem do NeoFeed.

O fracionamento de imóveis, por exemplo, oferece soluções tanto para democratizar o acesso à casa própria quanto para a geração de renda passiva, afirma Blazoudakis:

“Se uma pessoa quer comprar um imóvel da Housi que custa R$ 500.000, mas só tem R$ 100.000, ela pode adquirir 20% do imóvel e os outros 80% ficam condicionados à aquisição em um determinado período de tempo, com essa cláusula descrita em contrato.”

Para aqueles que pretendem adquirir um imóvel como investimento financeiro, a tokenização oferece menor risco e maior liquidez, segundo Frankel.

Inovações do Drex no setor imobiliário

Carlos Netto, CEO da Mattera, afirmou que a conjunção das soluções financeiras do Drex com tokens RWA permitirá a criação de um mercado secundário de aluguéis.

Em um painel no Superlogica Next, um evento voltado para o mercado imobiliário na terça-feira, 19, em São Paulo, o empresário citou como exemplo a antecipação de recebíveis de contratos de locação.

Netto apresentou um contrato hipotético no qual o proprietário teria R$ 100.000 a receber ao longo de cinco anos de contrato:

“O que ele poderá fazer? Será possível tokenizar esse fluxo de recebíveis do aluguel, transformando-o em um token na blockchain e, em seguida, vendendo-o em um marketplace aberto. Suponha que o preço do token seja R$ 75 mil. Uma ou várias pessoas interessadas em receber essa renda regular durante cinco anos vão lá e compram o token integralmente, ou mesmo partes dele, com desconto.”

Segundo Netto, ambas as partes tendem a sair ganhando com a negociação. Tanto o vendedor, que receberá o dinheiro da venda do token à vista, quanto os compradores, que pagam um valor antecipado pelo recebimento proporcional e periódico de um valor pré-determinado com um prêmio. 

“Todos receberão sua parte e ninguém toma calote", afirmou Netto. Com o Drex, “as transferências serão garantidas, reguladas e seguras.”

A transferência do Registro Geral de Imóveis (RGI) para a blockchain também vai tornar mais ágil e eficiente o processo de compra, venda e transferência de imóveis, previu Netto:

“Para comprar um imóvel, é necessário pagá-lo. Depois, esse bem precisa ser transferido para o comprador. Com o Drex, quando os imóveis também estiverem registrados na blockchain — vale reforçar que isso ainda não é possível agora — você poderá fazer a compra do imóvel e a transferência dele simultaneamente, em uma única transação.”

Blazoudakis estima que o processo de venda e transferência de um imóvel, que atualmente leva 30 dias para ser concretizado, poderá ser concluído em minutos. O CEO da Netspaces também projeta uma redução de aproximadamente 50% nos custos adicionais envolvidos nesse tipo de transação.

Apesar das promessas de dinamização da economia brasileira contidas no Drex, as dificuldades para implementação da CBDC brasileira vêm atrasando o desenvolvimento do projeto. 

Recentemente, executivos dos bancos Itaú e Santander, que participam dos consórcios envolvidos na segunda fase do Piloto Drex, afirmaram que os desafios para implementação da CDBD vão muito além da privacidade.