O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, destacou nesta quinta 03, durante a Digital Assets Conference, organizado pelo Mercado Bitcoin, que o DREX vai continuar independente de quem seja o presidente da instituição.

"Quanto à nossa programação e os próximos passos, é importante destacar que este não é um projeto apenas para o futuro, é algo que está sendo implementado em escala nacional. Os quatro blocos principais do projeto estão se aproximando, e o Banco Central continuará com esse trabalho, independentemente de quem estiver à frente da instituição.

Pela primeira vez, existe uma clara percepção dentro do Banco Central de quão relevante esse projeto é, não apenas do ponto de vista técnico, mas também no impacto real sobre a vida das pessoas", disse.

O presidente do BC também apontou que a postura do BC nunca será proibir que bancos tenham exposição ativos virtuais, mas criar um ambiente para que isso seja feito de forma a regular e incentivar o mercado.

"Lembrando que o que tem crescido ultimamente não são as criptomoedas, são as stablecoin. Sendo que 99.5% de tudo isso são stablecoin em dólar. Eu acho que tem uma coisa, especialmente no mundo emergente, onde os stablecoins estão crescendo, que é um desejo de você ter conta em dólar de uma forma barata", apontou.

Além disso, ele apontou que uma das grandes preocupações do Banco Central era a criação de um sistema que pudesse equilibrar a inovação financeira com a manutenção da capacidade de crédito dos bancos.

Para isso, diversas alternativas foram discutidas, mas nenhuma parecia adequada até que surgiu a ideia de um "depósito tokenizado", que permitiria a tokenização dos ativos dos bancos sem interferir diretamente na administração dessas instituições.

Ele também destacou a importância da tokenização como uma ferramenta para o futuro dos bancos, permitindo que ativos sejam geridos de forma fracionada e eficiente. Além disso, o presidente vê essa tecnologia como uma forma de melhorar a segurança e a eficiência dos contratos, especialmente em transações mais complexas, como a compra de automóveis, onde a transparência total do contrato poderá reduzir custos e aumentar a confiança.

Campos Neto mencionou que o Banco Central está avançando na criação de um sistema integrado de várias camadas, onde os agregadores conectam todos os serviços disponíveis, e protocolos específicos permitem a entrada de novos participantes no sistema. Essa estrutura, que já está em fase de implementação, tem como objetivo proporcionar mais eficiência nos pagamentos digitais, garantindo liquidez e facilitando a tokenização de ativos.

Ao falar sobre o futuro do Drex, o presidente do Banco Central afirmou que a plataforma escolhida para a implementação, baseada no Hyperledger, oferece a flexibilidade necessária para avançar em direção à criação de contratos programáveis e outros avanços tecnológicos. No entanto, ele reconheceu que o principal desafio agora é encontrar o equilíbrio ideal entre privacidade, programabilidade e escalabilidade do sistema.

Tokenização de ativos

Campos Neto também afirmou que a visão de que a tokenização de ativos será uma das principais transformações da economia no século XXI. Segundo ele, o futuro do sistema financeiro global será marcado pela criação de redes multiativas, reguladas e tokenizadas, capazes de operar de maneira mais rápida, segura e transparente.

No entanto, Campos Neto destacou que ainda há incertezas sobre como essas redes se organizarão, seja através de várias redes interconectadas ou de um único "super hyperledger" que integre todos os ativos.

O presidente do BC também mencionou que um dos maiores desafios atualmente é encontrar a maneira mais eficiente de fazer com que essas redes colaborem entre si. Ele destacou que, embora a integração de diferentes hyperledgers seja possível, talvez seja mais vantajoso, principalmente no setor financeiro, concentrar os ativos em uma única rede. Para ele, a complexidade das interações entre redes pode ser uma barreira, e a centralização em uma rede poderia criar um ambiente financeiro mais robusto e eficaz.

A fala do presidente destacou que a tokenização da economia vai muito além de uma simples tendência, representando uma transformação fundamental no modo como os ativos são comprados, registrados e transacionados.

"A tokenização possibilita transações mais rápidas, baratas, seguras e transparentes", afirmou Campos Neto. Ele enfatizou que essas características são essenciais para o futuro da intermediação financeira, um campo no qual o Banco Central tem trabalhado intensamente nos últimos anos.

Campos Neto concluiu sua fala com uma visão otimista para o futuro. "Estamos projetando um ambiente financeiro mais avançado", disse ele, destacando o papel central da tokenização e das inovações tecnológicas nesse processo.

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