A Polícia Federal deflagrou três operações simultâneas em sete estados da federação para desarticular um grupo criminoso acusado, entre outras coisas, de usar criptomoedas para lavar dinheiro proveniente de mineração ilegal de ouro em garimpos clandestinos localizados em Rondônia, informou reportagem do O Estado de São Paulo publicada na semana passada.
A quadrilha também é acusada dos crimes de extração e comércio ilegais de ouro, receptação qualificada, invasão de terras da União, crimes ambientais, corrupção e organização criminosa. As investigações tiveram início em fevereiro de 2021 após denúncias de que empresas do ramo de saúde estariam lavando dinheiro recebido através de licitações fraudulentas. Investigações preliminares identificaram que as empresas recebiam recursos oriundos de garimpo ilegal desde 2012.
Por determinação da 3ª Vara Criminal da Justiça Federal de Porto Velho (RO), a "Operação Ganância" realizou mandados de busca e apreensão em 65 endereços e determinou o bloqueio dos bens dos suspeitos até o limite de R$ 2 bilhões. Cinco pessoas foram presas a partir da primeira fase das operações.
A investigação revelou que a organização criminosa movimentou R$ 16 bilhões entre 2019 e 2021, valendo-se de saques e depósitos de dinheiro em espécie, empresas de fachada e um criptoativo emitido por uma das empresas envolvidas. O ativo digital era utilizado para justificar os valores decorrentes da extração ilegal de ouro como se fossem investimentos de terceiros interessados em receber dividendos a partir das atividades ilícitas do grupo.
O impacto ambiental das atividades de garimpo ilegal implementadas pelos criminosos devastram uma área equivalente a 212 campos de futebol, causando prejuízos estimados em R$ 300 milhões e danos ‘cumulativos e potencialmente irreversíveis’ ao meio ambiente.
"Foi possível demonstrar que a mineradora investigada 'esquentava' o ouro extraído ilegalmente de outros garimpos da região norte do país utilizando-se de licenças ambientais inválidas e extrapolando os limites da licença de pesquisa e da guia de utilização que possuía para o local. Estima-se que o rendimento da empresa tenha sido de R$ 1,1 bilhão”, registrou a PF em relatório preliminar sobre a operação.
Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, criptomoedas foram responsáveis por menos de 1% dos R$ 707 bilhões movimentados em atividades criminosas no país em 2021.
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