Na manhã desta quinta-feira (3), o mercado de criptomoedas operava a um market cap de 2,66 trilhões (-2,5%), enquanto o Bitcoin (BTC) orbitava US$ 83,3 mil (-2%) com retração acumulada semanal de 4,6%, dominância de mercado elevada a 62,1%,  sentimento de medo dos investidores (24%) e a maioria das principais altcoins no vermelho.

As saídas líquidas sucediam o “dia da libertação”, termo utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em referência ao dia 2 de abril. Na ocasião, o republicando confirmou a imposição de taxas alfandegárias recíprocas a diversos países, cujos percentuais chegam a 50%. No caso do Brasil, o percentual será de 10%, já as exportações da União Europeia (UE) representarão a retenção de 20% enquanto os produtos chineses terão que pagar 34% de tarifa, a partir do próximo dia 5. 

O que se apresenta como o possível início de uma guerra comercial de escala global também inclui a taxação em 25% de automóveis e autopeças de outros países, além do aço e alumínio. Para os analistas, o ‘tarifaço de Trump’ deve resvalar em mercados como o de criptomoedas porque pode resultar em inflação e recessão na maior economia global, cenário de elevação da aversão ao risco.

Os dados retornados pelas plataformas de monitoramento indicavam que os traders de criptomoedas estão cautelosos, buscando proteção. Entre eles, o aumento no volume de negociações de stablecoins lastreadas ao dólar americano. Caso do Tether (USDT) e do USD Coins (USDC), cujos respectivos volumes de negociações chegaram a US$ 101,83 bilhões (+75%) e US$ 16,94 bilhões (+85,5%) em 24 horas.

Apesar da alta do S&P 500 e do Nasdaq, historicamente correlacionados ao desempenho do Bitcoin, encerrados respectivamente em 5.670,97 (+0,67%) e 17.601,05 pontos (+0,87%), o mercado Futuro de índices operava em queda, sinalizando pessimismo dos investidores, caso do DOW FUT (-2,74%), S&P FUT (-3,34%) e do NAS FUT (-3,81%).

A pressão vendedora também era percebida no mercado Futuro de criptomoedas, cujo interesse aberto recuava a US$ 98,7 bilhões (-3,4%) enquanto o volume de negociações avançava a 316,4 bilhões (+45,95%). De acordo com dados da Coinglass, a liquidação de traders alavancados atingia US$ 488,1 milhões (+100%), sendo US$ 273 milhões em posições compradas (long) e US$ 215,1 milhões em posições vendidas (short), tomadores de empréstimos que apostaram respectivamente na alta e na queda.

O FUD (medo, incerteza e dúvida) ainda era percebido pela ascensão do Volatility Index (VIX), calculado pela Bolsa de Valores de Chicago (CBOE) a partir do desempenho das empresas de capital aberto que compõem o S&P 500, conhecido como índice do medo, a 26,23 pontos (+20,5%). Por outro lado, os fundos negociados em bolsa (ETFs) estadunidenses baseados em negociação à vista (spot) de Bitcoin avançaram em líquidos US$ 220,76 milhões, enquanto os ETFs de Ethereum (ETH) recuaram em líquidos US$ 51,24 milhões, segundo dados da plataforma SoSoValue.  

O índice altseason, que mede o nível de rotação de capital para os principais tokens em capitalização de mercado, encontrava-se espremido a 14 pontos. Nesse grupo de tokens, o HYPE derretia a US$ 11,47 (-15%), o ENA se depreciava a US$ 0,30 (-13,4%), o TRUMP tombava a US$ 8,97 (-13%), o BERA retornava a US$ 6,20 (-12,1%), o JTO caía a US$ 1,99 (-11,4%), o IP avançava a US$ 4,23 (+2,5%), o CHEEMS se comparava a US$ 0,0000016 (+7,7%) e o DGB alcançava US$ 0,0089 (+5,5%).

Quanto às altas de dois dígitos percentuais, o UXLINK representava US$ 0,47 (+17,1%), o W valia US$ 0,083 (+10,5%), o GPRO estava precificado em US$ 64,73 (+35,1%), o BIGTIME era transferido por US$ 0,051 (+31,9%), o SAROS estava cotado a US$ 0,10 (+26%), o ALCH respondia por US$ 0,090 (+17,1%), o RARE era comprado por US$ 0,071 (+31,5%), o FUN estava quantificado em US$ 0,0051 (+27,1%) e o VICE se referenciava por US$ 0,054 (+38,7%).

Entre as novas listagens em exchanges de criptomoedas estavam STO na Gate.io, Bitget, BitMart e Kucoin; XAUT, USDQ e ESDR na P2B; PT e FLZ na LBank; RSR e EDGE na Coinbase e USUAL na AscendEX.

No dia anterior, a “memecoin do bumbum” disparou 585% e a volatilidade cercava o Bitcoin no ‘dia da libertação de Trump’, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.