A principal criptomoeda do mercado, o Bitcoin (BTC), está cotada na manhã desta quinta-feira, 03/04/2025, em R$ 475.522,21. As tarifas anunciadas por Donald Trump trouxeram incertezas ao mundo e queda ao mercado de criptomoedas que ensaiava uma leve recuperação, com isso, o BTC voltou para US$ 83 mil e pode cair se perder o suporte de US$ 80 mil.
André Franco, CEO da Boost Research, destaca que os anúncios de tarifas exerceram uma influência negativa no preço do Bitcoin no curto prazo, como evidenciado pela queda inicial após as declarações de Trump. Essa volatilidade reflete a percepção do mercado de que, embora o Bitcoin seja frequentemente considerado um “ativo de refúgio alternativo”, ele ainda não é a primeira escolha em tempos de incerteza econômica.
"Ainda olhando para o curto prazo, é possível observar um aumento na volatilidade é uma continuação da pressão sobre o preço do Bitcoin, à medida que outras nações se preparam para responder e retaliar às tarifas impostas por Trump. No longo prazo, se as tarifas levarem a inflação ou mudanças econômicas significativas, o Bitcoin poderia ser visto como uma proteção, mas, com base na reação imediata, o impacto parece predominantemente negativo", afirmou.
Na mesma linha, José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, afirma que a sinalização de mudança na política tarifária dos EUA está influenciando diretamente as expectativas do mercado sobre inflação, desemprego e crescimento econômico. O modelo amplo de tarifas deve dar lugar a uma abordagem mais recíproca e setorizada, o que pode reduzir algumas tensões comerciais, mas ainda gera incertezas sobre os impactos na economia global e nas cadeias de suprimento.
"Essa incerteza já se reflete no desempenho dos ativos: o ouro, visto como proteção em momentos de instabilidade, sobe 12,5% desde a posse de Trump. Em contrapartida, o S&P 500 recua 6,3% e o Bitcoin acumula queda de 16%, sinalizando cautela dos investidores diante do novo cenário", disse.
Diante disso, Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, destaca que o S&P pode retestar os 5.781 pontos e buscar os 6.000, caso o cenário se revele positivo. Por outro lado, a perda da região dos 5.363 pontos abre espaço para quedas mais fortes até os 4.820.
"No mercado cripto, o Bitcoin iniciou abril cotado a US$ 82.367, com leve recuo de 2% após um mês de consolidação. Caso rompa a resistência em US$ 85.962, o ativo pode mirar os US$ 93.772 e US$ 96.850, com potencial de atingir US$ 122 mil até o fim do trimestre em um cenário mais eufórico.
Por outro lado, se perder o suporte em US$ 74.145, o BTC pode recuar até a faixa dos US$ 70 mil. Um fechamento mensal abaixo desse nível crítico indicaria o início de uma tendência de baixa prolongada"
Analisando o Ethereum, ele aponta que o ativo segue pressionado abaixo de US$ 1.975, enquanto a dominância do Bitcoin, atualmente em 62,58%, reforça sua força relativa. Mesmo cotado em torno de US$ 82 mil, o BTC demonstra maior resiliência frente às altcoins, evidenciando sua posição de preferência entre investidores em períodos de incerteza.
"O índice de medo e ganância do mercado pinta um quadro de medo crônico, mantendo pelo segundo mês consecutivo leituras historicamente baixas e permanecendo próximo às mínimas", destaca.
Mike Ermolaev, analista e fundador da Outset PR, destaca que a ausência de catalisadores de alta para o Bitcoin devem prender o ativo na faixa de consolidação atual com viés de queda caso dados sobre a inflação venham ruins.
"Todos os sinais vindos das políticas de Trump, aliado ao seu recente discurso de mudar a constituição dos EUA para permitir que ele fique no poder como presidente jogam contra um cenário econômico positivo e, com isso, as criptomoedas que são ativos de risco, sofrem junto. Os touros precisam de um catalisador de alta forte, caso contrário podemos ter uma queda abaixo de US$ 80 mil ainda em abril", disse.
Bitcoin pode cair para US$ 71 mil
Guilherme Prado, country manager da Bitget, também destacou que as tarifas inesperadamente severas de Trump, incluindo taxas de 10-49% sobre importações, podem ter desencadeado uma liquidação impulsionada pelo pânico no mercado mais amplo, com ETH e SOL caindo cerca de 6% e investidores migrando para stablecoins à medida que o medo aumentava.
Segundo ele, além do choque inicial, essas tarifas ameaçam a economia dos EUA, o que pode gerar impactos nos mercados de criptoativos. O aumento dos custos de importação—especialmente de parceiros-chave como a China—pode acelerar a inflação, com alguns modelos projetando um aumento de 2-3% no IPC até o segundo trimestre de 2025 caso a guerra comercial se intensifique.
"Paralelamente, a estimativa do Fed de Atlanta para o PIB do primeiro trimestre de 2025, prevendo uma queda de 2,8%, pode piorar à medida que o consumo e os investimentos das empresas diminuem sob a pressão das tarifas.Um dólar mais fraco devido ao impacto econômico e a possíveis flexibilizações do Fed pode impulsionar o BTC como hedge, com dados apontando para tendências iniciais de acumulação. No entanto, as altcoins podem precisar de fundamentos mais sólidos para se beneficiarem no longo prazo", afirmou
Em sua última análise, Charles Edwards, fundador do fundo quantitativo de Bitcoin e ativos digitais Capriole Investments, alertou sobre o impacto das tarifas comerciais dos EUA “maiores do que o esperado”.
Edwards disse que as expectativas empresariais dos EUA estão refletindo o tipo de incerteza visto apenas três vezes desde a virada do milênio.
“Considere isso como tarifas maiores do que o esperado. A pesquisa Philly Fed Business Outlook está mostrando expectativas hoje comparáveis a 2000, 2008 e 2022”, ele disse aos seguidores do X.
Um gráfico anexo mostrou que a Pesquisa de Perspectivas Empresariais (BOS) do Fed da Filadélfia voltou a ficar abaixo de 15 pela primeira vez desde o início de 2024. O final de 2022 foi o auge do mais recente mercado de baixa das criptomoedas, quando o par BTC/USD reverteu para US$ 15.600 .
Pesquisa de Perspectivas Empresariais do Fed da Filadélfia vs. S&P 500. Fonte: Charles Edwards/X
Na última atualização de mercado da Capriole em 31 de março, Edwards reconheceu que os dados do BOS podem produzir sinais não confiáveis sobre o sentimento do mercado, mas argumentou que eles não devem ser ignorados.
“Embora não haja garantias sobre a perspectiva futura (essa métrica tem sinais falsos), esta é uma leitura de dados que já tivemos antes em zonas de risco muito alto (anos 2000, 2008 e 2022), nos dizendo para manter a mente muito aberta”, escreveu ele, acrescentando:
“Especialmente se a guerra tarifária aumentar significativamente além das expectativas atuais ou se as margens corporativas começarem a cair.”
Para o Bitcoin, um nível importante a ser observado após a tarifa é US$ 91.000, com Capriole sugerindo que os movimentos macroeconômicos dos EUA “decidiriam a tendência técnica final a partir daqui”.
“Todas as outras coisas sendo iguais, um fechamento diário acima de US$ 91 mil seria um forte sinal de recuperação de alta”, explicou a atualização junto com o gráfico semanal BTC/USD.
“Caso contrário, uma queda na zona de US$ 71 mil provavelmente veria um salto considerável.”
Gráfico de 1 dia BTC/USD (captura de tela). Fonte: Capriole Investments
Portanto, o preço do Bitcoin em 03 de abril de 2025 é de R$ 475.522,21. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0021 BTC e R$ 1 compram 0,0000021 BTC.
As criptomoedas com maior alta no dia 03 de abril de 2025, são: Story (IP), DeXe, (DEXE) e Mantra (OM), com altas de 4%, 2% e 1% respectivamente.
Já as criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 03 de abril de 2025, são: Hyperliquid (HYPE), Bonk (BONK) e Official Trump (TRUMP), com quedas de -14%, -11% e -12% respectivamente.
O que é Bitcoin?
O Bitcoin (BTC) é uma moeda digital, que é usada e distribuída eletronicamente. O Bitcoin é uma rede descentralizada peer-to-peer. Nenhuma pessoa ou instituição o controla.
O Bitcoin não pode ser impresso e sua quantidade é muito limitada – somente 21 milhões de Bitcoin podem ser criados. O Bitcoin foi apresentado pela primeira vez como um software de código aberto por um programador ou um grupo de programadores anônimos sob o codinome Satoshi Nakamoto, em 2009.
Houve muitos rumores sobre a identidade real do criador do BTC, entretanto, todas as pessoas mencionadas nesses rumores negaram publicamente ser Nakamoto.
O próprio Nakamoto afirmou ser um homem de 37 anos que vive no Japão. No entanto, por causa de seu inglês perfeito e seu software não ter sido desenvolvido em japonês, há dúvidas sobre essas informações. Por volta da metade de 2010, Nakamoto foi fazer outras coisas e deixou o Bitcoin nas mãos de alguns membros proeminentes da comunidade BTC.
Para muitas pessoas, a principal vantagem do Bitcoin é sua independência de governos mundiais, bancos e empresas. Nenhuma autoridade pode interferir nas transações do BTC, importar taxas de transação ou tirar dinheiro das pessoas. Além disso, o movimento Bitcoin é extremamente transparente - cada transação única é armazenada em um grande ledger (livro-razão) público e distribuído, chamado Blockchain.
Essencialmente, como o Bitcoin não é controlado como uma organização, ele dá aos usuários controle total sobre suas finanças. A rede Bitcoin compartilha de um ledger público chamado "corrente de blocos" (block - bloco, chain - corrente).
Se alguém tentar mudar apenas uma letra ou número em um bloco de transações, também afetará todos os blocos que virão a seguir. Devido ao fato de ser um livro público, um erro ou uma tentativa de fraude podem ser facilmente detectados e corrigidos por qualquer pessoa.
A carteira do usuário pode verificar a validade de cada transação. A assinatura de cada transação é protegida por assinaturas digitais correspondentes aos endereços de envio.
Devido ao processo de verificação e, dependendo da plataforma de negociação, pode levar alguns minutos para que uma transação BTC seja concluída. O protocolo Bitcoin foi projetado para que cada bloco leve cerca de 10 minutos para ser minerado.
Aviso: Esta não é uma recomendação de investimento e as opiniões e informações contidas neste texto não necessariamente refletidas nas posições do Cointelegraph Brasil. Cada investimento deve ser acompanhado de uma pesquisa e o investidor deve se informar antes de tomar decisão