Apesar de ainda serem tratados como universos distintos, os mercados de criptomoedas e o sistema bancário tradicional caminham para uma integração, movimento que, inclusive, já se encontra em andamento. Esta é a avaliação do CEO da exchange de criptomoedas brasileira Mercado Bitcoin, Reinaldo Rabelo, que palestrou na última semana durante o Congresso Nacional de Executivos de Finanças, em Fortaleza (CE), evento realizado pelo  Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef). 

O executivo se baseou no crescimento e popularização das criptomoedas nos últimos anos, além do potencial de crescimento do setor. Segundo o executivo, desde a criação da exchange, em 2013, até dezembro de 2021, o volume de criptoativos negociados na plataforma ultrapassou os R$ 60 bilhões, sendo que 50% deste montante foi transacionado no ano passado. 

A avaliação de Rabelo acontece na esteira de um relatório do banco estadunidense Morgan Stanley que observou uma queda mais acentuada do Bitcoin (BTC) em abril para sugerir o fim da correlação entre a criptomoeda e o mercado de ações. O que vai de encontro com um relatório divulgado em abril pela exchange de criptomoedas australiana BTC Markets (BTCM) sugerindo que o mercado de criptoativos se encontra em processo de amadurecimento, uma vez que o impulso de crescimento no volume médio de negócios na plataforma no ano passado, 118%, foi motivado em sua maioria pelo reconhecimento da utilidade das criptomoedas e não pela especulação. 

Para o CEO da Mercado Bitcoin, a integração entre o sistema bancário e os criptoativos será resultado do aumento do interesse das pessoas em comprar usando criptomoedas, uma vez que o crescimento da demanda irá despertar a necessidade de inovação por parte do sistema financeiro. 

No Brasil, apesar de diversos estabelecimentos aceitarem pagamentos em criptomoedas, a adesão de clientes ainda é praticamente nula. Mas, a realidade pode mudar já que mais de 900 empresas no país aceitam criptomoedas como forma de pagamento, embora a volatilidade ainda prejudique a adoção. 

À coluna E- Investidor, do Jornal O Estado de São Paulo,  Reinaldo Rabelo disse que: 

“Esse movimento que a gente observou, de anúncios do BTG Pactual, da XP e do Nubank oferecendo criptomoedas diretamente das suas plataformas e não por meio de fundos, já é uma indicação dessa integração.” 

Ele se referia ao anúncio feito pelo presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti, de que o banco vai lançar uma exchange de criptomoedas daqui a dois meses, e da parceria anunciada pelo Nubank com a plataforma Paxos, para viabilizar aos clientes do banco a compra, venda e custódia de criptomoedas

A possível integração entre os sistemas bancários e de criptomoedas prevista pelo CEO da Mercado Bitcoin também está no radar do Banco do Canadá, que recorreu à computação quântica para simular a adoção de criptomoedas no país por meio da simulação de um octilhão (10 seguido por 30 zeros)  de cenários possíveis em um intervalo de meia hora, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil

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