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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Banco Central do Brasil acelera compras de ouro enquanto Reserva de Bitcoin permanece estagnada no Congresso

Banco Central do Brasil reforça tendência global de diversificação de reservas ao adquirir 31 toneladas de ouro em setembro e outubro, interrompendo um hiato de quatro anos.

Banco Central do Brasil acelera compras de ouro enquanto Reserva de Bitcoin permanece estagnada no Congresso
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Resumo da notícia:

  • O Banco Central do Brasil comprou 31 toneladas de ouro em setembro e outubro, elevando o total de suas reservas para 161 toneladas.

  • O movimento acompanha uma tendência global de proteção contra incertezas geopolíticas e queda de confiança no dólar.

  • O projeto de criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin não avança no Brasil.

O Banco Central (BC) adquiriu 16 toneladas de ouro em outubro, elevando o estoque total do metal precioso nas reservas internacionais do Brasil para 161 toneladas, segundo relatório do World Gold Council.

Foi o segundo mês consecutivo de compras após um hiato de quatro anos. Em setembro, a instituição havia reportado a aquisição de 15 toneladas de ouro. Com as duas compras, o Brasil tornou-se o quarto país que mais acumulou ouro em 2025. Atualmente, o ativo soberano compõe 6% das reservas internacionais do país, segundo o World Gold Council. Em 2018, representava apenas 0,7%.

Gráfico de aquisição de ouro por bancos centrais em 2025. Fonte: World Gold Council

Reservas soberanas em ouro seguem tendência global de expansão

O movimento do BC está inserido em um contexto global de diversificação de reservas soberanas e redução da dependência do dólar.

Em outubro, o World Gold Council registrou a aquisição de 53 toneladas de ouro por bancos centrais, um crescimento de 36% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, o total já chega a 254 toneladas. 

Ainda que a demanda global tenha caído em relação a 2024, a tendência se mantém constante desde 2008, com forte aceleração a partir de 2022, após as sanções financeiras impostas à Rússia por potências do Ocidente na esteira da invasão da Ucrânia.

Gráfico do ouro mantido em reservas soberanas de bancos centrais. Fonte: World Gold Council

Dados adicionais do relatório “Global Public Investor 2025” do OMFIF (Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras) revelam que o ouro ultrapassou o euro e retomou a segunda posição nas reservas internacionais de bancos centrais, ficando atrás apenas do dólar.

O relatório do OMFIF aponta que a busca por resiliência e estabilidade tem motivado gestores de reservas internacionais a rever suas estratégias, priorizando ativos que ofereçam proteção contra riscos de sanções e volatilidade cambial.

O ouro mantém baixa correlação com os mercados de ações, criptomoedas e títulos públicos, oferecendo proteção contra instabilidades macroeconômicas e geopolíticas.

Ouro renova máximas históricas e supera US$ 4.000 em 2025

A demanda crescente impulsionou o preço do ouro a sucessivas máximas históricas desde o início de 2024. Com valorização de 60% em 2025, os retornos do ouro superam o mercado acionário, outras commodities e o próprio Bitcoin (BTC).

No primeiro trimestre, o ouro superou a marca de US$ 3.000 pela primeira vez em sua história. Atualmente, é negociado por US$ 4.208, de acordo com dados da TradingView.

Gráfico diário XAU/USD. Fonte: TradingView

Segundo o relatório do OMFIF, a intenção de compra permanecerá elevada tanto no curto quanto no longo prazo: um saldo líquido de 32% dos gestores de reservas soberanas planeja aumentar suas alocações em ouro nos próximos 12 a 24 meses — o maior nível em cinco anos — com destaque para mercados emergentes, onde 37% dos bancos centrais pretendem ampliar suas posições.

Gráfico das perspectivas de compra de ouro nos próximos 12 a 24 meses. Fonte: OMFIF

Em um horizonte de dez anos, o percentual sobe para 40%, indicando que a acumulação de ouro representa uma mudança estrutural na gestão de reservas de bancos centrais.

Enquanto o Brasil avança na acumulação de ouro físico seguindo seus pares globais, as discussões sobre a criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin no país não apresentam o mesmo progresso.

Apesar do projeto de lei do deputado federal Eros Biondini (PL-MG), propondo a criação da ResBIT, e do debate provocado por Pedro Guerra, assessor especial do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a incorporação da criptomoeda às reservas soberanas enfrenta objeções por parte de membros do Banco Central, do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda.

A rejeição ao Bitcoin em reservas soberanas é um fenômeno global. Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, 97% dos bancos centrais não planejam incluir o criptoativo em suas reservas. As principais objeções levantadas pelos gestores são os riscos de volatilidade, segurança e a falta de regulamentação.

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