Uma pesquisa encomendada pela Sherlock Communications e realizada através da plataforma digital Toluna, com 2.700 cidadãos maiores de 18 anos dos principais países da América Latina, mostrou que 48% dos brasileiros entrevistados defendem que o Brasil siga os passos de El Salvador, que adotou o Bitcoin como moeda de curso legal em 7 de setembro.
Enquanto 31% dos brasileiros concordam e outros 17% concordam fortemente com a adoção do Bitcoin (BTC) como moeda de curso legal no país, 12% discordam e 9% discordam fortemente desta possibilidade. Outros 30% são indiferentes e não concordam nem discordam da ideia.
Esse resultado coloca o Brasil na vanguarda da defesa da adoção institucional das criptomoedas na América Latina, à frente de Colômbia, México e Argentina, países em que a maioria dos participantes da pesquisa também apoiou a Lei Bitcoin de El Salvador, porém em proporções ligeiramente menores - 52%, 51% e 45%, respectivamente.
A adoção do Bitcoin como moeda oficial de seus países é aprovada por 44% dos colombianos e argentinos e por 43% dos mexicanos. Já os chilenos são menos amigáveis ao Bitcoin, com apenas 41% dos entrevistados apoiando o movimento de El Salvador, e 36% concordando com a possibilidade de o Bitcoin tornar-se moeda oficial do país.
Se a maioria dos brasileiros ouvidos pela pesquisa é simpática ao BTC, eles estão divididos quanto ao desenvolvimento do ecossistema cripto no país. Ao mesmo tempo que 31% acredita que o país está fazendo progressos no setor, 35% afirma que estamos muito atrasados em relação a outros países. Outros 23% dizem que dentro de alguns anos a adoção será maior por aqui, e apenas 4% pensam que as criptomoedas não têm futuro no Brasil.
Atualmente, o Brasil tem aproximadamente 1,4 milhão de usuários de criptomoedas registrados, de acordo com dados da pesquisa.
Além da forte valorização que o mercado de criptomoedas vem registrando desde 2020, a crise econômica, um fantasma que insiste em assombrar os países da região e recentemente foi aprofundada pelos efeitos da pandemia do coronavírus, foi um fator fundamental para o aumento do interesse em criptomoedas na região, segundo a pesquisa.
A crise foi um importante catalisador do interesse sobre criptomoedas para 75% dos entrevistados brasileiros, sendo que 38% disseram ter ficado muito mais interessados e 37% um pouco mais interessados.
Os percalços econômicos também tiveram reflexos nas principais justificativas para utilização de criptomoedas na região.
Tendo que escolher três entre oito opções apresentadas, no Brasil os entrevistados disseram utilizá-las primordialmente para diversificação dos investimentos (55%), proteger o patrimônio contra a inflação e a instabilidade financeira (39%) e para acompanhar as últimas tendências tencológicas (37%).
O relatório que acompanha os dados da pesquisa destaca o ambiente cada vez mais favorável ao investimento em criptoativos no país por conta da diversificação de produtos e serviços financeiros oferecidos por instituições do mercado tradicional.
"A Hashdex lançou o primeiro ETF de criptomoedas na LATAM para rastrear o Nasdaq Crypto Index (NCI). O fundo foi distribuído pelo Itaú e pelo BTG, captando mais de R$1 bilhão em sua primeira emissão, com 80% do valor total pulverizado entre 61,5 mil investidores pessoa física, tornando-se o terceiro maior ETF listado na B3, a bolsa de valores oficial do Brasil."
Apenas 12% dos brasileiros responderam que jamais investiriam em criptoativos, um número significativamente menor do que os 33% verificados na pesquisa do ano anterior. Entre os três principais motivos para evitar investimentos em criptomoedas estão a segurança (42%), a volatilidade do mercado (37%) e a falta de dinheiro (33%).
Conforme noticiou o Cointelegraph recentemente, o Brasil também é o líder latinoamericano em utilização de protocolos DeFi, e o crescimento do setor de criptomoedas e tecnologia blockchain é uma tendência que deve ser mantida tanto no país quanto em seus vizinhos latinoamericanos, afirmou Luiz Eduardo Abreu Haddad, líder de comunidades da plataforma de moedas sociais digitais Cambiatus e consultor de blockchain da Sherlock, em reportagem do site Valor Investe:
“No Brasil, regulações mais amigáveis atraíram investidores institucionais e corporações para o setor. O experimento de El Salvador pode virar uma grande referência para países latino-americanos de como incorporar blockchain e criptomoedas à suas economias e gerar bem-estar aos cidadãos.”
Assim como nos demais países investigados na pesquisa, as três criptomoedas mais conhecidas no Brasil são o Bitcoin, o Ethereum (ETH) e o Litecoin (LTC).
LEIA MAIS