A Comissão de Valores Mobiliários do Brasil está prestes a autorizar os investimentos "qualificados", restritos hoje a quem tem pelo o menos R$ 1 milhão em ativos, para o investidor comum.

A decisão da CVM, segundo o UOL, pretende liberar investimentos em produtos com maior risco e mais complicados e antes restritos a investidores qualificados depois de realizar um estudo que comprovou que a flexibilização pode ser benéfica ao mercado.

O crescimento do número dos investidores de varejo, que saltou de 620 mil em 2017 para 4 milhões neste ano, é um dos fatores, já que o investidor comum hoje compreende melhor o funcionamento de títulos de dívida, mercados de ações, BDRs e ETFs.

O número de corretoras e empresas também é um sinal de maturidade, já que hoje o investidor comum não depende mais apenas dos grandes bancos para se informar sobre investimentos. As plataformas de educação financeira se popularizaram e criaram uma geração de investidores mais consciente e preparada.

A baixa das taxas de juros também ajudam na decisão, já que a poupança, o Tesouro Selic e outros papéis hoje têm rendimentos muito baixos, e a CVM acredita que as aplicações podem ajudar nos investimentos a longo prazo.

Em comparação com outros países, o Brasil ainda tem também boa parte dos investimentos individuais aplicados em papéis de pouco rendimento, com a mudança tendo papel fundamental para a migração destes investimentos para outros de maior rendimento.

Segundo o texto, a CVM pode seguir um caminho parecido com o dos Estados Unidos, que permite 15% dos investimentos do pequeno investidor em empresas fechadas, como forma de diversificação. Julia Melo, sócia da Fortesec-Forte Securitizadora, diz:

Existem produtos com algum risco já disponíveis para o pequeno investidor, que entretanto ainda prefere produtos sem risco, como a poupança. Então para esse público, os produtos mais arriscados não devem ter tanto apelo. Mas já com relação ao investidor com mais conhecimento e maior apetite para o risco, cabe sim uma flexibilização das ofertas. Cerca de 90% das operações que faço com os CRIs vão para investidor qualificado. Se houver flexibilização, vou poder acessar mais investidores.

Bruno Luna, da CVM, apontas os riscos das mudanças e fatores para atenção dos investidores:

Como esses investimentos apresentam maiores complexidades e riscos, a CVM adianta que serão criadas regras para que o pequeno investidor tenha acesso a mais informações sobre esses produtos no momento em que eles forem oferecidos. A gente viu com o fundo imobiliário que ao ter cotas negociadas em Bolsa, o investidor tem uma porta de saída para resgatar a aplicação e também aumenta o volume de informações em circulação disponíveis para os aplicadores porque tem analistas escrevendo sobre esses fundos.

As mudanças podem estar disponíveis nos próximos 18 meses e devem formar um processo com diversas etapas até a liberação completa para o investidor comum.

Um dos fundo que podem ser liberados a investidores do varejo é justamente o de ETFs com 100% de exposição a criptomoedas. Hoje, os investimentos em fundos com maior exposição são restritos a investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão, como nos casos de fundos de gestoras como a QR Capital, Vitreo e até o ETF 100% Bitcoin que foi lançado na Bolsa em maio.

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