Em entrevista concedida ao editor-chefe do Cointelegraph Brasil, Lucas Caram, na última segunda-feira (14), o diretor da Mercado Bitcoin (MB), Fabrício Tota, revelou que o ‘inverno cripto’ em 2018 influenciou a tomada de decisões da exchange de criptomoedas no ano seguinte no que diz respeito à chegada dos criptoativos ligados ao futebol, no mercado brasileiro. Tota disse que há espaço para novos projetos, como o NBA Top Shop, que consiste na criação de tokens não fungíveis (NFTs), oficialmente chamados de “Moments”, a partir de jogadas exclusivas da liga profissional de basquete dos Estados Unidos.
Questionado por Lucas Caram sobre o início da aproximação da MB com o mercado de criptoativos ligados ao futebol, Tota declarou que o “cenário horroroso” do inverno cripto fez a exchange “sair da zona de conforto” e buscar novos produtos, uma vez que, segundo ele, não dava para ficar “de braços cruzados esperando o Bitcoin (BTC) subir.”
Segundo ele, a paixão pelo futebol e a certeza do potencial da tecnologia blockchain em servir como solução para diversos problemas relacionados ao esporte geravam certa “inquietude” em várias pessoas da empresa. O que favoreceu a aproximação com a plataforma Socios ao saberem dos fan tokens.
A gente se aproximou deles, uma história que começou com eles três anos atrás. Ativamente, a primeira coisa que a gente fez foi listar o Chiliz (CHZ), o token da Socios aqui no MB, depois vieram as listagens diretamente, os tokens dos clubes, a gente tinha uma expectativa lá atrás: ‘Uma hora, esses caras chegam no Brasil.’ E foi dito e feito, o mercado de fan tokens aconteceu pelo mundo, fecharam com muitos outros clubes, fecharam com diversos clubes brasileiros também, disse.
Ele também lembrou a chegada dos tokens ligados ao mecanismo de solidariedade da Federação Internacional de Futebol (FIFA), que preveem o recebimento de um percentual de royalties sobre transações envolvendo jogadores formados nas divisões de base dos clubes. Neste caso, os percentuais são divididos em criptoativos, negociados na MB Digital Assets (MBDA), plataforma de ativos digitais lastreados em ativos reais.
Nesta época vieram os tokens da MBDA, que são tokens lastreados em ativos reais, a gente já tinha feito precatório, já tinha feito consórcios, daí a gente fez o token do mecanismo de solidariedade, primeiramente com o Vasco e há poucos meses a gente fez com o Santos também. Então um inverninho não faz mal a ninguém, a gente pôs a cabeça pra funcionar, pra criar produtos, disse.
Ao citar a escolha do busto do ex-jogador Ronaldo Fenômeno por detentores dos fan tokens do Corinthians, monumento que foi fixado no Parque São Jorge, Fabrício disse que o utility token ainda deve evoluir no que diz respeito a benefícios exclusivos e engajamentos propostos. Já em relação aos tokens de solidariedade, ele ressaltou a existência de direito sobre os tokens ao explicar que:
Se o Paris [Saint-Germain - PSG] vende o Neymar, o clube comprador vai pagar o Paris pelos direitos econômicos, o antigo passe, mas ele também tem que pagar aos clubes formadores. No caso o Santos, onde o Neymar fez a carreira dele, tem direito a quase 4% do valor dessa transferência, então dentro dos tokens, o mecanismo MBDA é uma representação desse direito do clube e o clube cedeu esse direito para dentro da estrutura do token. Juridicamente não é o Santos mais o detentor desse direito, então quem recebe esses 4% não é o Santos, é o investidor, o detentor do token. Claro que, parte desses tokens ainda está em posse do clube, explicou.
Fabrício Tota frisou ainda o perfil mais especulativo dos fan tokens, que podem oscilar, por exemplo, com notícias (ou boatos) de compra ou venda de jogadores consagrados. O que, em linhas gerais, não acontece na mesma medida em relação aos tokens de solidariedade, que possuem o perfil de investimento.
Em relação às projeções para 2022, o diretor da MB disse que
A gente, além de continuar listando, alguns clubes devem fazer seus lançamentos dentro de algumas semanas. O Inter de Porto Alegre fechou, mas ainda não lançou, o Palmeiras também já fechou com a Socios. O produto do mecanismo de solidariedade, a gente vem conversando com alguns clubes também. Essa ideia da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), você trazer gente nova, com outra visão para os clubes, mais dinheiro também, mais capacidade de execução. A gente rodou mais de 30 clubes brasileiros e há muitos clubes ainda com estrutura modesta em seu time de gestão, de marketing.
No que diz respeito a projetos nos moldes do MBA Top Shop, ele disse acreditar que há espaço no mercado nacional e salientou que a discussão já está acontecendo em relação aos direitos ressaltando que “algo que era monopólio de uma companhia, agora está super espalhado, então isso facilita a conversa.”
Em relação aos tokens do mecanismo de solidariedade, o diretor da MB também lembrou o lançamento do "Token da Vila” no início de março, do qual fazem parte uma cesta de 12 jogadores formados nas divisões de base do Santos Futebol Club conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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