Autor de livro sobre as empresas big tech que moldaram a Web 2.0, professor da Universidade Nova York e apresentador da CNN, Scott Galloway visualiza o futuro da internet de forma totalmente diferente das narrativas sobre o metaverso e a Web3 que têm dominado os debates sobre inovação tecnológica atualmente.

Em participação no SXSW, festival de inovação e cultura digital que está acontecendo em Austin, nos EUA, Galloway previu que o metaverso não será construído em ambientes de realidade virtual e aumentada como projetado pela Meta (ex-Facebook) e por plataformas descentralizadas como The Sandbox (SAND) e Decentraland (MANA).

Ao invés de experiências sensoriais e imersivas que reporduzem ambientes do mundo físico, o áudio será o elemento central do metaverso. Segundo Galloway, o som - e não a imagem - vai permitir interações mais reais e envolventes com dispositivos de inteligência artificial:

"Eu acredito que o metaverso vai ser menos parecido com "Matrix", e mais parecido com o filme "Her". Existe algo sobre a natureza do som, sobre ter um aparelho falando direto aos seus ouvidos que cria um nível de intimidade, engajamento e talvez até de vício, que irá moldar o metaverso mais do que os elementos visuais."

Outro fator que dificulta o engajamento com experiências virtuais que demandam headsets é que ele causa desconforto físico. Galloway mencionou um pesquisa da própria Meta que revelou que 40% dos usuários mencionaram ter sentido náuseas ao utilizar o aparelho em ambientes imersivos.

Galloway afirmou também que assistentes virtuais como a Alexa, da Amazon, serão onipresentes. Em muitos casos, estes dispositivos substituirão interlocutores humanos no dia a dia das pessoas para auxiliá-las em atividades cotidianas, especialmente vinculadas à oferta de produtos e serviços caros aos usuários. 

Web3

A promessa de descentralização e de distribuição de valor aos usuários da internet através de protocolos da Web3 não passam de uma promessa vazia para Galloway. "Não há nenhum tipo de poder para as pessoas na Web3. Na verdade, ela promove novos tipos de concentração [de poder]", declarou.

Nesse sentido, Galloway está alinhado a Jack Dorsey, CEO da Block e ex-CEO do Twitter, e Elon Musk, CEO da Tesla. Ambos já manifestaram-se criticamente à Web3, questionando a suposta descentralização de protocolos financiados por fundos de capital de risco, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil no ano passado.

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