Independente do que se pode pensar a respeito, DOGE é um dos criptoativos mais comentados do mercado. Desde sua humorada criação em dezembro de 2013, é um dos queridinhos dos traders, ao mesmo tempo em que é duramente criticado por aqueles que não encontram valor intrínseco no ativo.

Em 2021, a criptomoeda firma seu destaque no mercado graças às investidas de Elon Musk: o empresário tem usado seu twitter para alimentar as expectativas dos investidores, tendo inclusive prometido levar DOGE à lua e, mais recentemente, se intitulado “Dogefather”.

É possível o ativo transformar essa euforia em ganhos consistentes no longo prazo? Ou será essa mais uma bolha para o volátil histórico do ecossistema cripto? Para basear nossa resposta, vamos olhar para os fundamentos do ativo.

Fonte: Coinmarketcap

Desenvolvimento

Uma métrica que merece atenção é a quantidade de atualizações da tecnologia da rede. O gráfico abaixo demonstra a lentidão do desenvolvimento da plataforma DOGE em comparação com o Bitcoin, sugerindo que não se implementaram grandes esforços para tornar as operações na rede mais rápidas, seguras e baratas.

Fonte: Coindesk/Github

Hash rate

A recente euforia do mercado parece não ter contagiado os mineradores, segundo o indicador de poder computacional dedicado à rede: nos últimos 6 meses, enquanto o preço do ativo saltou 3907,7%, o hash rate evoluiu apenas 11,0%.

O hash rate tem oscilado pouco abaixo dos 300 TH/s, muito distante ainda da alta histórica em julho de 2019, quando superou os 440 TH/s.

Fonte: Coinmarketcap

Por outro lado, houve um cruzamento altista de médias móveis em janeiro, quando a média de 30 dias do hash rate superou a média de 200 dias.

Esse evento pode significar que o poder computacional da rede está em trajetória ascendente - o que significaria mais competição entre os mineradores, maiores custos de mineração e, portanto, pressão à alta dos preços. A evolução lenta do hash rate até aqui seria explicada pelos processos de percepção da oportunidade pelos mineradores e a implementação de maior capacidade de mineração, que pode exigir investimentos em espaço físico, equipamentos e mão de obra qualificada.

Mas essa hipótese ainda precisa ser testada nas próximas semanas, de acordo com a evolução do hash rate.

Lucros não realizados

Agora, passamos a analisar o DOGE de acordo com os ganhos que a trajetória de preço do ativo oferece para seus investidores. Para isso, utilizamos o MVRV, uma métrica que aproxima a taxa de lucro não realizado dos detentores - ou seja, a oportunidade de realizar lucros.

O MVRV é calculado pela razão entre o preço de mercado do ativo e uma aproximação do preço de aquisição de cada unidade. Por exemplo: se todas as unidades de DOGE tivessem sido adquiridas em outubro de 2020, quando o preço estava em torno de US$0,0026, em 25 de abril a rede teria um MVRV de 46,8 (46,8 = 0,1218/0,0026).

Assim, quando o indicador está em nível elevado, significa que há uma boa oportunidade de realizar lucros vendendo o ativo, o que historicamente antecipa aumento da pressão vendedora nas exchanges. 

Como se pode observar no gráfico abaixo, as maiores quedas do ativo ocorreram após o o indicador ultrapassar 3. E isso chama atenção para o momento atual: em janeiro de 2021, a média de 30 dias o MVRV do Dogecoin atingiu seu valor mais alto desde outubro de 2019 e, desde então, tem chegado perigosamente perto dos níveis mais altos da história do ativo, estabelecidos em junho de 2017 e janeiro de 2018.

Fonte: Coinmarketcap

Demanda transacional

Até agora, os dados parecem sugerir que o DOGE está sobrecomprado e pode estar prestes a sofrer uma queda de preço. Mas, ao analisar alguns indicadores de demanda da rede, podemos chegar a uma conclusão bem diferente:

Desde abril de 2020, o volume de transações na rede (média de 30 dias) apresenta evolução de mais de 500%. A trajetória é bastante acidentada, é verdade, mas pode apontar que tem crescido o interesse em se efetuarem transferências nessa rede.

Fonte: Coinmarketcap

A alta impulsionou também as taxas de transação, o que pode gerar mais interesse entre os mineradores. Com maiores investimentos na capacidade computacional da rede, seria esperado um aumento na competição dos validadores, trazendo maiores custos de mineração e, assim, suportes mais elevados para o preço do ativo.

Fonte: Coinmarketcap

Conclusão

A recente alta de preço tem, claramente, impulsionado a demanda pelo ativo e pelas transações na rede. Embora as variáveis de reação mais “lenta”, como hash rate e atualizações no GitHub, sugiram cautela, a tendência crescente para o incentivo aos mineradores e a necessidade de segurança na rede podem impulsionar o estímulo à mineração e à evolução tecnológica da plataforma - o que traria mais confiança para o ativo e, consequentemente, poderia sustentar o preço em patamares elevados.