A proposta de regulamentação da Inteligência Artificial (IA) no Brasil, que tramita no Senado Federal, pode trancar o avanço da tecnologia e fazer o país ficar para trás da “nova economia gigante do mundo”, segundo avaliação do escritor, professor e estudioso de inovação e economia digital Gil Giardelli.

Em entrevista concedida ao portal de notícias Convergência Digital, durante o SAS Inovate on tour 2024, evento promovido recentemente pela empresa global de análise estatística e educacional SAS em São Paulo, o especialista disse que o Senado priorizou pessoas do setor Jurídico durante os debates promovidos pela Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial do Brasil (CTIA).

Ele acrescentou que leu claramente a proposta de regulamentação encabeçada eplo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e discordou dos rumos do Projeto de Lei (PL) 2.338/2023, que prevê a regulamentação da tecnologia no país.

De acordo com o especialista, os rumos regulatórios da IA no Brasil atualmente representam muitas trancas, em detrimento da educação. Punição precoce que pode levar o país a um grande atraso “na inovação dessa economia, que é uma janela gigante do mundo”. 

O especialista disse que o PL está muito focado na regulamentação europeia, o que pode travar o avanço de deep techs de IA no país, e citou o exemplo de Boston (EUA), que regulamentou a tecnologia de uma forma “mais leve”, que favoreceu a “explosão de inovação.”

Gil Giardelli acrescentou que o país deveria dar um passo atrás para não ser tanto punitivo, embora reconheça casos em que a punição é necessária, como as deep fakes,  sugeriu que o Brasil olhe o exemplo da China. Em relação às oportunidades, Giardelli citou as áreas de emergia limpa, empreendedorismo de alto impacto, substituição de alguns tipos de trabalho já obsoletos. 

IA e o PIB

Segundo uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria McKinsey, a inteligência artificial tem capacidade de automatizar de 60 a 70% das atividades laborais e elevar o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) global em até 1,2%. Atualmente os setores bancário, de serviços financeiros, seguros e saúde representam a maior fatia de adesão da IA. Por outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a tecnologia deve afetar até 60% dos empregos nas economias desenvolvidas. 

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, o país ocupa a 11ª colocação em desenvolvimento de inteligência artificial de acordo com pesquisa divulgada no  SAS Inovate on tour 2024.