A uma semana do fechamento mensal, o Bitcoin parece encaminhado para quebrar seu histórico de "setembros vermelhos." Após o segundo fechamento semanal consecutivo com alta superior a 7%, a maior criptomoeda do mercado acumula ganhos de 7,6% em setembro, gerando expectativas de que a retomada do mercado de alta finalmente pode se concretizar.
Um boletim recente da Ecoinometrics apontou que a queda do Bitcoin (BTC) desde a renovação das máximas históricas em março já dura mais do que seis meses: 189 dias para ser mais preciso. Um período extremamente longo para mercados de alta.
"Como pode ser visto no gráfico abaixo, uma correção tão longa quanto essa é incomum para o Bitcoin", afirma o boletim. "Historicamente, as correções do Bitcoin duram menos de 200 dias ou se tornam muito mais prolongadas, sinalizando mercados de baixa."
Maiores períodos de baixa do Bitcoin em comparação com o índice Nasdaq. Fonte: Ecoinometrics
Em outras palavras, o tempo está se esgotando para o Bitcoin retomar a tendência de alta. Daqui por diante, uma potencial reversão dependerá mais das condições econômicas dos EUA do que propriamente dos cortes das taxas de juros, segundo a Ecoinometrics:
"A trilha de cortes das taxas de juros estabelecida pelo Fed pode não ser suficiente para nos tirar dessa situação. O que realmente importa é se os EUA entram em recessão ou conseguem um pouso suave."
Macroeconomia e eleições nos EUA
No campo macroeconômico, a redução de 0,5% na taxa de juros dos EUA na semana passada marcou o início da reversão da política monetária do Banco Central dos EUA (Fed). A maior preocupação deixa de ser o comportamento da inflação, aparentemente sob controle, e se volta para a atividade econômica.
De acordo com dados da FedWatch Tool, o mercado projeta que os juros ainda poderiam cair mais 1% até o fim de 2024, sinalizando dois cortes adicionais de 0,5% nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). No entanto, a maior probabilidade, no momento, é que os juros sejam reduzidos em 0,75% nas duas próximas reuniões agendadas até o final do ano, conforme o gráfico abaixo.
Previsão sobre taxa nominal dos juros nos EUA após reunião de dezembro de 2024. Fonte: FedWatch Tool (CME Group)
Diante das perspectivas de afrouxamento gradual da política monetária do Fed beneficiando os ativos de risco, as atenções do mercado de criptomoedas se dividem entre os indicadores de empregos e consumo e as eleições de novembro.
Embora seja inegável que uma vitória de Trump tenda a ter um efeito positivo imediato sobre o preço das criptomoedas, uma eventual derrota do ex-presidente é cada vez menos vista como um revés para a indústria.
A primeira manifestação de Kamala Harris sobre a indústria de criptomoedas ficou longe de empolgar a comunidade. No entanto, causou a impressão de que, independentemente de quem venha a ocupar a Casa Branca no ano que vem, a repressão às criptomoedas nos EUA está com os dias contados.
"Faremos parcerias para investir na competitividade da América, para investir no futuro da América. Nos posicionaremos a favor de tecnologias inovadoras como IA e ativos digitais, ao mesmo tempo em que garantimos a proteção de nossos consumidores e investidores”, disse Harris em um evento de arrecadação de fundos em Manhattan na semana passada.
Análise do preço do Bitcoin
Assim como a alta do preço do Bitcoin em setembro foi inesperada, as incertezas sobre os rumos do mercado persistem no curto prazo, apesar do histórico altamente favorável da ação de preço do BTC no quarto trimestre.
Diego Pohl, analista da Crypto Investidor, afirma que o teste definitivo para a retomada da tendência de alta ainda está por vir:
"O Bitcoin iniciou a semana testando região importante de resistência, próxima dos US$ 65.000", observou Pohl. A conversão deste nível de resistência em suporte "será fundamental para a confirmação e a retomada do movimento de alta do Bitcoin."
A confirmação deste rompimento proporcionaria um desafio à atual máxima histórica de US$ 73.750 no curto prazo. Para que isso aconteça, porém, "é importante o preço se manter acima da região de suporte em US$ 61.000.", afirma Pohl.
Uma vez que a máxima histórica seja renovada, os próximos alvos estão na região entre US$ 84.000 e US$ 100.000, conforme o gráfico abaixo.
Gráfico anotado de 4 horas de futuros perpétuos BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor
Um cenário baixista é cada vez menos provável nas condições atuais de mercado, conclui Pohl:
"Caso o atual suporte seja quebrado, movimento menos provável na conjuntura atual, ocorreria uma invalidação do movimento altista e, consequentemente, um teste de suporte na região dos US$ 43.000."
Na manhã desta terça-feira, 24 de setembro, o Bitcoin é negociado a US$ 63.513, em alta de 8% nos últimos sete dias, de acordo com dados da CoinGecko.
Apesar das incertezas políticas e macroeconômicas, o Bitcoin deve atingir US$ 200.000 em 2025, segundo projeções de Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do banco de investimentos britânico Standard Chartered, conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil.