A Receita Federal do Brasil descobriu o maior esquema de lavagem de dinheiro com Bitcoin (BTC) no país até hoje, com valores que superam os R$ 10 milhões. A informações são do portal O Bastidor.

Segundo o jornalista Diego Escotegui, auditores da Receita detectaram "o primeiro grande caso de lavagem de dinheiro do Brasil por meio de Bitcoins".

Embora o caso esteja sob investigação, sem revelar o montante total nem a atividade do grupo criminoso, os valores identificados pela Receita estariam "na casa de dezenas de milhões de reais". Escotegui escreve:

"O esquema inclui outros métodos de lavar dinheiro, como uso fraudulento de transações de imóveis. Mas é a primeira vez que os auditores obtêm evidências de que operações com uma criptomoeda constituíram o principal método de lavagem. Em tese, o uso (habilidoso) de criptomoedas facilita o anonimato das transações."

A lavagem de dinheiro com Bitcoin pode parecer uma prática atraente para grupos de criminosos, mas pode também facilitar a vida das autoridades para recuperar os fundos e identificar os autores, já que as transações ficam registradas na blockchain e facilitam o rastreamento.

Em dezembro, o delegado do Núcleo de Operações com Criptoativos e ao Crime Organizado do Ministério da Justiça do Brasil, Vytautas Zumas, comentou à Veja:

“Isso gera uma falsa sensação de anonimato, mas absolutamente todas as transações são gravadas no banco de dados, acessível a qualquer um que tenha internet”

Por este motivo, os criminosos evitam as exchanges de criptomoedas e preferem transações diretas, em P2P. Apesar disso, as transações continuam sendo registradas em blockchain e passíveis de rastreamento pelas autoridades, apesar de mais difíceis de identificar.

No ano passado, o FBI apreendeu cerca de R$ 130 milhões em criptomoedas da pirâmide financeira brasileira Indeal, um dos maiores golpes do país em 2019. O saldo estava em uma exchange nos Estados Unidos.

Outras pirâmides que deixaram bilhões de prejuízo, como a Unick Forex, a Midas Trend e a BWA, também têm tido suas carteiras monitoradas nos últimos meses em buscas de pistas do paradeiro do dinheiro roubado. As carteiras monitoradas têm Bitcoins em valores que ultrapassam os bilhões de dólares.

Em abril de 2019, o FBI também prendeu um líder de uma rede de prostituição e outro comandante de um grupo hacker depois de identificar grandes transações ilegais com Bitcoin.

O uso de criptomoedas pelo crime organizado tem chamado atenção de autoridades, especialmente depois que um relatório comprovou que as apreensões de dinheiro ligado ao crime organizados caíram 70% nos últimos 10 anos. Suspeita-se que os fundos dos criminosos - especialmente os cartéis de drogas na América Latina - estejam migrando para as blockchains.

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