Um relatório do Ministério do Interior da Itália publicado pela agência ANSA revelou na última quarta-feira que uma série de grupos mafiosos na Itália pode estar tentando comandar ataques de ransomware para roubar vacinas contra a COVID-19.
Segundo o relatório, os mafiosos estariam de olho nas vacinas por conta da "alta demanda" e pela "baixa oferta inicial" das doses, disputadas por países de todo o mundo.
A polícia italiana comandou o monitoramento dos grupos mafiosos do país, que tem alguma das máfias mais conhecidas de todo o mundo, como a Cosa Nostra, da Sicília, a 'Ndrangheta, da Calábria, a Camorra, da região de Nápoli, e a Mafia Capitale, que atua na capital Roma.
As autoridades chamaram atenção para uma série de ataques de hackers contra o sistema de saúde italiano, em busca de obter "informações confidenciais" sobre os imunizantes e transporte das doses de vacinas, com objetivo de tentar interceptar e roubar cargas no país.
Nos primeiros 10 meses de 2020, a Itália também sofreu com aumento de ataques hacker no país, registrando um crescimento de 353% de campanhas deste tipo contra "instituições de relevância nacional". Houve também aumento de 8% de transações bancárias suspeitas que podem estar ligadas principalmente à lavagem de dinheiro das máfias italianas.
A máfia italiana também estaria se aproveitando da duração da pandemia para atrair membros de movimentos de ultradireita nacionalista e torcidas organizadas dos maiores clubes italianos para as organizações criminosas. A suspeita é de que os recrutados passam a atuar como infiltrados, tanto no setor privado quanto em estatais, inclusive na área da saúde.
Os ataques de ransomware dispararam em 2020 em todo o mundo, com o Brasil se tornando um dos maiores epicentros globais de ataques de hackers, especialmente contra entidades na América Latina e na Europa.
No Brasil, uma série de ataques a entidades governamentais em novembro paralisou uma série de serviços públicos, incluindo sistemas do Ministério da Saúde e do Superior Tribunal de Justiça. Na maioria dos ataques, o resgate foi pedido em Bitcoin.
Assim como as autoridades italianas, as políticas e investigadores da América Latina se preocupam com a lavagem de dinheiro de grupos criminosos. Como noticiou o Cointelegraph Brasil, cartéis de drogas e traficantes no bloco latinoamericano estão usando criptomoedas para lavar o dinheiro conseguido em atividades criminosas.
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