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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Com criptomoedas em baixa, quais foram os ETFs de melhor desempenho na B3 em 2025?

Com ativos digitais em queda acentuada, ETFs atrelados a ouro e prata lideraram o ranking de rentabilidade na bolsa brasileira em 2025.

Com criptomoedas em baixa, quais foram os ETFs de melhor desempenho na B3 em 2025?
NOTÍCIAS DO MERCADO

Resumo da notícia:

  • Em 2025, os ETFs atrelados a ouro e prata registraram valorizações superiores a 130% na B3, enquanto o mercado de criptomoedas enfrentou retração.

  • A aversão ao risco impactou o fluxo de capital, resultando em saídas líquidas de US$ 1 milhão em ETFs de criptomoedas na bolsa brasileira.

  • Apesar do desempenho negativo das criptomoedas, mercado de ETFs cresceu 50% no Brasil em 2025.

Os fundos de índice (ETFs) negociados na B3 encerraram 2025 com uma forte valorização de produtos atrelados a commodities como ouro e prata. Ao contrário de 2024, as criptomoedas estão ausentes na lista de melhor desempenho de ETFs da bolsa brasileira.

Em um cenário de turbulências geopolíticas e macroeconômicas, enquanto os principais produtos de ativos digitais da B3 acumularam perdas de até 60%, os ETFs de metais preciosos valorizaram até 130%.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, os quatro ETFs com melhor desempenho na bolsa brasileira em 2025 foram diretamente ligados à prata ou ao ouro. O maior destaque foi o Global X Silver Miners (BSIL39), que oferece exposição a mineradoras de prata e acumulou uma valorização de 131,35% no período, seguido pelo Abrdn Physical Silver Shares (SIVR39), com 130,63% de retorno.

Embora em patamares inferiores aos ETFs atrelados à prata, os produtos de investimento em ouro também registraram ganhos expressivos. O Abrdn Physical Gold Shares ETF (ABGD39) valorizou 48,29%, enquanto o iShares Gold Trust (BIAU39) obteve 47,67% de retorno, consolidando a força dos metais preciosos como reserva de valor.

A performance superior de ouro e prata é atribuída à busca por proteção por parte dos investidores. Anderson Kuntzler, especialista em investimentos, explica que o "cenário global marcado por instabilidade econômica e tensões geopolíticas" — incluindo conflitos na Europa e no Oriente Médio e incertezas sobre as tarifas comerciais nos EUA — motivou a busca por ativos de reserva de valor, fazendo com que as commodities se destacassem enquanto o apetite por risco diminuía.

Perdas de ETFs de criptomoedas chegam a 60%

Em contrapartida, os ETFs de criptomoedas apresentaram resultados negativos em 2025. Principal fundo negociado na bolsa brasileira, o HASH11 encerrou o ano com queda de 22,3%, enquanto fundos setoriais como o DEFI11 (finanças descentralizadas) desvalorizaram 60% e o WEB311 (plataformas de contratos inteligentes) caiu 46%.

As perdas também atingiram os fundos atrelados a ativos específicos. O BITH11, que oferece exposição direta ao Bitcoin (BTC), registrou uma desvalorização de 18,2% no acumulado do ano. 

Na mesma trilha, os ETFs voltados para as principais redes de contratos inteligentes do mercado, ETHE11 (ETH) e SOLH11 (SOL), recuaram 21% e 39%, respectivamente.

Gráfico ETFs Criptomoedas B3
Desempenho dos principais ETFs de criptomoedas da B3. Fonte: Hashdex

O desempenho dos ETFs de cripto teve reflexos nos fluxos de capital no mercado. No acumulado de 2025, o saldo ficou negativo em cerca de R$ 5,42 milhões.

Apesar do saldo negativo, os dois maiores ETFs da Hashdex ainda retêm volumes significativos: o HASH11 encerrou o ano com R$ 3,2 bilhões em ativos sob gestão, enquanto o BITH11 (atrelado ao Bitcoin) registrou R$ 1,6 bilhão. No total, os criptoativos somam R$ 8 bilhões ativos sob gestão.

Ativos sob gestão de ETFs crescem 50% no Brasil em 2025

Também nesse caso, cripto esteve na contramão do mercado. Os ETFs alcançaram uma captação líquida de R$ 13 bilhões em 2025, segundo reportagem do Valor Econômico. Esse crescimento foi sustentado quase integralmente pelos ETFs de renda fixa, que captaram R$ 10 bilhões, elevando o patrimônio total da categoria no país para patamares superiores a R$ 90 bilhões, o que representa uma alta de mais de 50% em relação ao ano anterior.

Mesmo com esse avanço, a participação de mercado dos ETFs ainda é considerada marginal, representando apenas 0,8% do total da indústria de fundos no Brasil. Cristiano Castro, diretor da BlackRock, explica que o produto enfrenta uma forte concorrência local de títulos públicos e ativos isentos de imposto sobre ganho de capital, como debêntures, LCIs e LCAs.

Segundo o executivo, boa parte dos investidores brasileiros prefere abrir mão da diversificação oferecida pelos ETFs, em benefício da isenção fiscal e da previsibilidade desses instrumentos.

Os prejuízos dos ETFs de criptomoedas não impediram que a B3 expandisse sua oferta de produtos relacionados ao setor. Em 2025, a bolsa brasileira passou a oferecer a negociação de futuros de Ethereum e Solana, além dos futuros de Bitcoin, lançados em 2024.

Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, os planos da B3 para 2026 incluem o uso de blockchain para modernizar sua infraestrutura de negociação e o lançamento de uma stablecoin atrelada ao real. Apesar do mercado de baixa, a adoção institucional segue em expansão no Brasil.

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