A Elo divulgou na última semana a versão de 2024 do relatório “Tendências em Tecnologias de Pagamento”, um documento de 46 páginas em que a empresa brasileira de tecnologia de pagamentos aponta os possíveis caminhos tecnológicos a serem seguidos pelo Brasil este ano nesse segmento.

Para o CEO da empresa, Giancarlo Greco, o “Brasil vem fazendo grandes avanços dentro do tema inovação financeira, entre eles, destaca-se a construção do Drex”, que é a versão brasileira de moeda digital emitida por banco centra (CBDC, na sigla em inglês). 

“Estima-se que até o final desta década, mais de 98% do PIB global vai flutuar livremente pelos sistemas de integração das CBDCs. Estamos diante de um dos movimentos mais disruptivos desde a origem do mercado de capitais, lá no século 17”, observou.

O relatório destaca que o Drex é um consenso entre os especialistas e que o Brasil tem chances de se manter um seleto grupo de 130 países que estão desenvolvendo suas CBDCs.

“O ecossistema do Drex vai trazer possibilidades tecnológicas inéditas, inclusive para processos já conhecidos, convergindo soluções de simplificação e agilidade para produtos e serviços que hoje são morosos e burocráticos”, afirmou Rafael Dias Silva, Superintendente Nacional da Administração Financeira da CAIXA. 

Ele citou o Delivery vs Payment (DV), que é uma forma de liquidação de transações em que os títulos financeiros só são entregues após o pagamento. 

“Com o Drex, vamos digitalizar de ponta a ponta modelos de financiamento que antes eram puramente analógicos”, completou.

O documento destacou que um dos melhores casos de uso para ilustrar este subtema são as negociações de títulos públicos federais que, sozinha, movimenta mais de R$ 7 bilhões por dia, segundo a B3, a bolsa de valores brasileira. 

Giancarlo Greco avaliou que a principal tendência tecnológica deve ser a inteligência artificial (IA), que, “em pouco tempo será reconhecida por oferecer as melhores ofertas de crédito que você já recebeu, e também lhe ajudar a proteger seus dados pessoais, evitar fraudes e melhorar suas opções de consumo e gestão de investimentos – algo que veremos ao longo deste ano.”

A esse respeito, o documento observa que a “Inteligência Artificial Generativa (IAG) é capaz de expandir os modelos algorítmicos pré-concebidos na arquitetura do seu ecossistema de origem. Por isso, a IAG é oficialmente considerada uma Inteligência Artificial que poder ser ‘ensinada” a gerar sozinha novos conjuntos de dados dentro do seu escopo. A palavra generativa vem justamente da qualidade de ‘gerar’”.

“Hoje, não há motivos para duvidar que a IAG tem um potencial muito grande de expandir o volume de crédito do mercado, seja no aumento do limite a quem consegue acessar crédito, ou em propostas para o público desbancarizado. Na minha visão, a IAG, também será um poderoso vetor de inclusão financeira”, avaliou Felipe Almeida, Head of Advisory da empresa de inovação digital Avanade.

Segundo o executivo, 70% a 80% das empresas no Brasil desenvolvem projetos com a IA em um nível básico de maturidade e, “com a consolidação de programas de IA Generativa para consumidores, como o Bard do Google e o ChatGPT da OpenAI, o mercado de IAG está pronto para se tornar um dos maiores da Economia Global, e pode chegar até US$ 1,3 trilhão nos próximos 10 anos.”

Greco ainda elencou “a tokenização de ativos financeiros e a consolidação da blockchain como matriz segura para o mercado serão tão disruptivas quanto a célebre IA. A tendência é que alterem profundamente o nosso modo de poupar, transferir, receber e liquidar dinheiro.”

Em relação a essas vertentes tecnológicas, o relatório aborda a tokenização de ativos verdes no Brasil citando que, dentro do vasto repertório dos ativos verdes, os créditos de carbono se consolidaram como a solução tokenizada mais madura para o mercado brasileiro, que se estima que o setor vai gerar receitas acima de US$ 120 bilhões até 2030 e que em 2023, “a Rayons Energy, plataforma especializada em recursos renováveis, levantou R$ 5 milhões em receitas comercializando tokens com a maior usina fotovoltaica (baseada em luz solar) de Brasília, instalada na região de Planaltina”.

“Um ativo, verdadeiramente verde, deve representar uma solução passível de rastreabilidade dentro de um repertório considerado amigável à agenda de sustentabilidade. Eu gosto do termo amigável, pois ele traduz a sutileza por trás da intenção do investimento”, explicou Rodrigoh Henriques, diretor de Inovação da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (a Fenasbac). 

De acordo com o relatório, em 2024 os principais avanços devem acontecer nas áreas de transporte, logística, projetos de Web3 e políticas estruturais para governos e entidades internacionais nas áreas de gestão do clima, segurança alimentar e supervisão de áreas preservadas. 

Sobre a regulamentação da criptomeconomia no Brasil este ano, o levantamento da Elo observou que, com a entrada em vigor da lei 14.478/2023 (Marco Regulatório) em junho do ano passado, “o que antes era um espaço vulnerável a golpes e a desinformação, hoje está em rápida curva de crescimento, sem grandes distâncias de modelos globais bem estabelecidos”. 

“Acredito que nos próximos meses o setor de criptoativos terá melhorias importantes no seu arcabouço de segurança jurídica. Com isso, teremos um novo ambiente de negócios, mais bem protegido e inteligente, sobretudo na perspectiva dos investidores”, afirmou Felipe Brasileiro, cofundador da LoopiPay, empresa especializada em compra e venda de tokens em carteiras digitais.”

Entre outras abordagens, o relatório também tratou da evoluçãodo ecossistema de pagamento brasileiro, movimento estrelado pelo Pix. prevenção a fraudes e a necessidade e os desafios de se manter os direitos à privacidade dentro da tecnologia blockchain.

Ainda na última semana, a ABCripto se posicionou sobre a consulta pública do Banco Central voltada à regulamentação infralegal das criptomoedas no país ao defender a segregação patrimonial e outra diretrizes, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.