O Bitcoin e as criptomoedas serão um componente fundamental do sistema financeiro no futuro, afirmou Marcos Galperin, fundador e presidente do Mercado Livre, a maior empresa da América Latina.

"Estou absolutamente convencido de que as criptomoedas terão um papel muito importante no futuro das finanças pessoais", afirmou Galperin em entrevista ao jornal argentino La Nacion.

Para Galperin, o Bitcoin (BTC) é um antídoto contra o endividamento crescente dos governos e a expansão monetária dos bancos centrais das principais economias do mundo, além de oferecer garantias de liberdade financeira e individual para os cidadãos.

O fundador do Mercado Livre lembrou também que fez seu primeiro investimento em Bitcoin em 2013, influenciado por um funcionário da empresa que fora enviado aos Estados Unidos para estudar novas tecnologias:

"Tive a sorte de investir cedo [em Bitcoin] porque alugamos para o nosso colega uma vaga no escritório de Wences Casares e Micky Malka e eles rapidamente o contagiaram, fazendo com que muitos de nós acabássemos investindo em Bitcoin em 2013."

Wences Casares é um empreendedor argentino reconhecido por ser um dos pioneiros e maiores entusiastas do Bitcoin. Entre as muitas empresas fundadas por Casares, destaca-se a Xapo, uma das maiores custodiantes de Bitcoin do planeta, que armazena bilhões de dólares em criptomoedas em cofres de alta segurança.

Atribui-se a Casares o crédito de ter apresentado e divulgado o Bitcoin na região do Vale do Silício, na Califórnia, sendo assim um dos principais responsáveis pela adoção das criptomoedas pela comunidade do setor de tecnologia.

Em 2013, o Bitcoin fechou o ano cotado em torno de US$ 800. Desde então, valorizou 7.650%. Em 2021, o Mercado Livre adicionou R$ 40 milhões em Bitcoin ao seu balanço patrimonial.

No passado, Galperin elogiara o Bitcoin por suas propriedades de reserva de valor. Agora, reiterou novamente essa opinião ao manifestar sua preocupação com a expansão das dívidas soberanas em escala global, afirmando que o suprimento limitado de 21 milhões de BTCs "é super valioso para a sociedade e para as pessoas":

"Quando observamos os déficits fiscais que existem em todos os governos do mundo, o fato de existir uma moeda que os governos não podem desvalorizar, como o Bitcoin, para mim, isso é algo absolutamente fundamental. Acredito também que é uma moeda que garante liberdades aos cidadãos, independentemente dos governos."

A menção ao Bitcoin surgiu no contexto de oportunidades de investimento na Argentina. Galperin destacou que o foco dos investidores deve se concentrar no setor privado. Em especial, na introdução de recursos tecnológicos para acelerar a produção agropecuária, na renovação das matrizes energéticas do país e no aprimoramento da infraestrutura básica, como portos, aeroportos e rodovias.

Galperin também comentou os riscos e oportunidades inerentes à disrupção provocada pelos avanços da inteligência artificial (IA), tanto para os empreendedores quanto para os cidadãos comuns:

"Para as pessoas que rejeitam a IA, ela representa uma ameaça. Ou seja, um robô de inteligência artificial não vai te deixar sem emprego, mas alguém que entendeu a inteligência artificial e a utiliza vai te deixar sem emprego se você não fizer o mesmo."

Mercado Livre e as criptomoedas

O Mercado Livre adotou o serviço de compra e venda de criptomoedas em agosto de 2021, através de seu aplicativo de carteira digital, o Mercado Pago. No ano seguinte, a empresa adquiriu uma participação sobre o grupo 2TM, controlador da Mercado Bitcoin, maior exchange de criptomoedas do Brasil, e lançou a sua própria criptomoeda, o Meli Coin.

Em setembro de 2023, a empresa informou à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA que custodiava US$ 21 milhões em criptomoedas das carteiras dos clientes do Mercado Pago na América Latina.

Além disso, Galperin participou individualmente da rodada de financiamento de série B da exchange de criptomoedas Ripio, liderada pelo Digital Currency Group (DCG).

Recentemente, o Mercado Livre divulgou um acordo de financiamento fechado com o JP Morgan cujo objetivo é converter o Mercado Pago no maior banco digital do México, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.