A OpenAI, desenvolvedora do chatbot de inteligência artificial (IA) ChatGPT, oficializou na última quinta-feira (28) a abertura de um escritório da empresa no Brasil.

De acordo com informações do jornal O Estado de São Paulo, a empresa não detalhou o local, mas disse que o escritório será em São Paulo e que o espaço será focado em encontros e treinamentos em IA para públicos diversos, em formato semelhante ao do Google no país.

Há muito entusiasmo em torno da inteligência artificial no Brasil. As startups estão avançando rapidamente e grandes empresas já vêm incorporando essas ferramentas às suas operações. Ter um escritório aqui nos permite estar mais próximos de clientes e parceiros, além de apoiar esse movimento, disse em nota o diretor de operações da empresa, Brad Lightcap.

Por sua vez, o diretor de políticas públicas da OpenAI para a América, salientou que “os brasileiros não estão apenas usando nossas ferramentas, mas também criando a partir delas”.

A OpenAI informou ainda que o ChatGPT já reúne 50 milhões de usuários mensais no Brasil, sendo que, no começo do mês, a empresa já havia revelado que os brasileiros mandam mais de 140 milhões de mensagens diariamente para o chatbot.

IA no trabalho

Na última segunda-feira (26), a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados realizou audiência pública nesta terça-feira (26) para discutir os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.

O debate foi promovido pela Comissão de Trabalho da Câmara, em atendimento ao Requerimento nº 28/2025-CTRAB, de autoria da deputada Flávia Morais (PDT-GO), e teve como presidente da mesa a deputada Daiana Santos.

De acordo com informações da Agência Gov, a audiência teve como objetivo principal analisar as transformações que a adoção da IA tem provocado nas rotinas profissionais, incluindo a automação de tarefas, a reconfiguração de profissões e o surgimento de novas funções. O evento reuniu representantes de instituições públicas, sindicatos, confederações patronais e especialistas acadêmicos.

Entre os convidados estavam Paula Montagner, representante do Ministério do Trabalho (MT); Hugo Valadares Siqueira, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Tiago Braga, diretor do Ibict; Carlos Fernandes Coninck Junior, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical; Roberta Barreira Sousa Aires, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC); Marcelo Caio Ferreira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI); e Dora Kaufman, doutora em redes digitais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Durante sua fala, Tiago Braga destacou a importância da ciência e da tecnologia nesse cenário e o compromisso do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) com o desenvolvimento de tecnologias de IA alinhadas às necessidades e realidades brasileiras.

O Ibict, em seu plano estratégico, tem trabalhado para a construção de tecnologias e de modelos de inteligência artificial que são feitos, desenvolvidos, treinados e executados no Brasil, afirmou.

Como exemplo, o diretor apresentou um projeto inovador desenvolvido pelo Instituto: um modelo próprio de IA, lançado oficialmente durante a última reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Pernambuco. A tecnologia permite a interação com um holograma do físico brasileiro César Lattes, proporcionando uma experiência educativa e interativa sobre a vida e a obra de um dos maiores e mais importantes nomes da ciência nacional.

Com ênfase no tema central da audiência, Tiago Braga afirmou que “é necessário repensar o investimento na área de Ciência e Tecnologia, adotando uma postura que promova o uso do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para apoiar as unidades de pesquisa e o sistema de C&T”. Segundo o diretor, “esse é um trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo MCTI, com o objetivo de fortalecer a ligação entre a ciência e a implementação dessas tecnologias no contexto brasileiro, para que possam chegar ao mercado e ser incorporadas ao mercado de trabalho.”

Segundo a presidente da mesa, deputada Daiana Santos, o debate destacou a importância da soberania digital e reforçou que “é responsabilidade do Parlamento reunir elementos suficientes para apresentar à sociedade brasileira o que vem sendo pensado em relação à inteligência artificial e seu impacto no mercado de trabalho”. A deputada ressaltou a necessidade de construir espaços de diálogo com a população, assumindo o compromisso de tornar o Legislativo acessível e disponível para ser acionado por diferentes setores.

Existe uma grande necessidade destes debates, e nos colocamos à disposição, pois estamos tratando do desenvolvimento da nossa sociedade, completou.

Enquanto isso, médicos brasileiros testam a IA na diagnóstico de glaucoma, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.