Resumo da notícia:
O Banco Central do Brasil projeta a convergência total entre Pix, Drex, tokenização de ativos reais e Open Finance até 2029.
O Drex e a tokenização de ativos reais são a “terceira grande infraestrutura digital pública” do país, focada em liquidação atômica e programabilidade financeira, além do Pix e do Open Finance.
O Drex passa por uma reestruturação após enfrentar limitações técnicas nas fases um e dois do piloto.
O sucesso do Pix foi apenas o primeiro capítulo de uma transformação profunda no sistema financeiro nacional, segundo Rogério Lucca, Secretário Executivo do Banco Central do Brasil (BC).
Ao apresentar o planejamento estratégico da autarquia para o ciclo 2026 a 2029, Lucca afirmou que a tokenização de ativos reais (RWA) e a reestruturação do Drex são prioridades na agenda de inovação do BC, pois a convergência de ambos formará a “terceira grande infraestrutura digital pública” do sistema financeiro nacional, além do Pix e do Open Finance.
A visão da autoridade monetária é que o Drex não teria utilidade plena sem um ecossistema funcional de tokens RWA, assim como a tokenização ainda carece de um ambiente institucional seguro para escalar.
Para Lucca, o avanço do Drex e da tokenização são fundamentais para levar a eficiência transacional do Pix para a camada de ativos. Ancorado no compromisso com a estabilidade financeira, o novo planejamento estratégico visa modernizar o mercado de capitais brasileiro sem abrir mão da segurança.
A ideia é que nos próximos quatro anos as informações compartilhadas no Open Finance estejam integradas à “liquidação atômica” e à “programabilidade financeira”, afirmou o secretário executivo:
"Esse ganho que eu tenho em termos de informação no Open Finance potencialmente eu vou poder ter no futuro também com a utilização do DREX ou da tokenização, na utilização dos meus ativos para obter serviços financeiros.”
Infraestruturas digitais desbloqueiam novos casos de uso para ativos financeiros
A integração entre Pix, Open Finance e Drex é o diferencial do sistema financeiro nacional, afirma o secretário executivo do BC.
Enquanto o Pix simplificou a forma como o dinheiro é movimentado, a tokenização desbloqueia novos casos de uso para diferentes ativos. Por sua vez, o Open Finance nivela o acesso à informação e o Drex atua como a plataforma de liquidação, permitindo que os produtos financeiros se tornem “mais baratos pro cliente final” e que o sistema se torne "mais seguro como um todo”, explicou Lucca:
"No Open Finance, na medida que eu consigo pegar essa informação e passar para outras instituições financeiras, eu tenho uma concorrência mais igualitária no provimento desse crédito para mim. Então não é só meu banco que sabe que eu sou um bom pagador; agora, outros bancos também sabem e podem me fazer uma oferta em condições melhores."
O desenvolvimento de novas infraestruturas digitais não se limita ao Drex. Lucca afirmou que o BC trabalha para integrar o sistema de títulos públicos brasileiros ao mercado internacional e modernizar os regimes de resolução das instituições financeiras.
Essas medidas visam facilitar o acesso de investidores globais ao mercado brasileiro, algo que pode impactar positivamente a política monetária do BC.
Aumento no rigor regulatório é o custo da inovação
Lucca admitiu que a inovação tecnológica adiciona novos vetores de risco e vulnerabilidades ao sistema financeiro. Em resposta ao crescimento de fraudes e golpes registrado em 2025, a agenda prevê maior rigor regulatório e fiscalização sobre os agentes financeiros.
Lucca enfatizou que as infraestruturas do BC jamais sofreram ataques ou foram "hackeadas" com sucesso. Embora tenham ocorrido fraudes envolvendo altas quantias, esses incidentes envolveram instituições financeiras que integram o ecossistema do Pix e não os sistemas gerenciados pelo BC.
Ainda que a estratégia seja regular sem sufocar a inovação, o progresso tecnológico tem um custo. É nesse sentido que o BC está agindo para adotar medidas de proteção sem “jogar o bebê fora com a água suja.” Ou seja, a ideia é fortalecer a segurança do sistema sem “abrir mão dos ganhos que a gente teve em termos de eficiência.”
Entre as medidas em curso, Lucca citou que os Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs) passarão a obedecer regras mais claras e serão alvo de supervisão direta das autoridades; o monitoramento sobre instituições que oferecem infraestrutura bancária para terceiros será intensificado; e as exigências de capital mínimo para novas instituições serão elevadas, garantindo que apenas empresas robustas façam parte do sistema.
Brasil vai manter pioneirismo em inovação financeira
Lucca projetou que a agenda de inovação do BC manterá um ritmo acelerado nos próximos quatro anos. Até 2029, a meta do Banco Central é fomentar um ecossistema onde o Drex opere como a base de uma economia tokenizada e interconectada.
Ao unir a democratização da informação (Open Finance) com a programabilidade do dinheiro (Drex e tokenização) sob um arcabouço regulatório moderno, o Brasil consolida sua posição como líder global na agenda de inovação financeira, afirmou Lucca.
Apesar da confiança demonstrada pelo secretário executivo, o projeto do Drex enfrenta limitações tecnológicas que estão atrasando o seu desenvolvimento.
Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a tecnologia blockchain se mostrou inapropriada para as necessidades da moeda digital brasileira. Na próxima fase, o projeto vai ser direcionado para a criação de mecanismos para facilitar o acesso ao crédito, com uma entrega mais rápida e funcional para os usuários finais.

