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Stablecoins na América Latina: Messari aponta tendências em alta e em baixa para 2026

Boletim da empresa de análise do mercado de criptoativos destaca a liquidação comercial B2B e contas em dólar digital como setores de maior crescimento, enquanto pagamentos no varejo perdem espaço para soluções locais.

Stablecoins na América Latina: Messari aponta tendências em alta e em baixa para 2026
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Resumo da notícia:

  • A Messari projeta que a liquidação B2B e as contas em dólar digital serão os principais motores de crescimento dos criptoativos na América Latina em 2026.

  • Setores maduros como remessas internacionais e pagamentos no varejo enfrentam saturação e forte concorrência de sistemas locais como o Pix.

  • A região registrou um aumento de 63% na adoção de criptoativos em 2025.

O mercado de criptoativos na América Latina registrou um crescimento de 63% em 2025, alcançando a marca de 57,7 milhões de detentores de ativos digitais (aproximadamente 12,1% da população adulta da região), segundo análise publicada pela Messari. O Brasil, a Argentina e El Salvador lideram a adoção dos criptoativos na região.

De acordo com as projeções da Messari para 2026, a região se consolida como um dos principais polos globais de adoção de stablecoins, devido à crescente demanda por infraestrutura financeira eficiente e exposição direta ao dólar em economias como Brasil, Argentina e Venezuela.

Com os avanços regulatórios testemunhados em 2025, que contribuíram para a integração dos ativos digitais ao sistema financeiro em diversos países da região, a Messari prevê que “é provável que vejamos uma explosão de novos negócios de criptoativos surgindo na América Latina nos próximos anos.”

Stablecoins se consolidam como o principal motor de adoção dos criptoativos na América Latina

A Messari identifica três setores com alto potencial de crescimento na região: liquidação comercial B2B (business-to-business), contas em dólar digital (crypto neobanking) e pagamentos de salários e prestadores de serviço.

A liquidação B2B é considerada a oportunidade mais promissora no longo prazo, com o potencial de inovação das stablecoins no comércio transfronteiriço de pequenas e médias empresas (PMEs) e fluxos de pagamentos de fornecedores multinacionais.

Segundo a análise, a forma como as stablecoins são tratadas pelos órgãos reguladores facilita sua incorporação ao sistema financeiro tradicional:

“As stablecoins são vistas como instrumentos de liquidação e ferramentas de eficiência de câmbio (FX), em vez de fichas de cassino especulativas.”

Paralelamente, a demanda por contas em dólar digital — utilizadas para tesouraria e poupança — continua forte, especialmente em mercados com histórico de inflação e dificuldades de acesso ao dólar.

O mercado de contas digitais expandiu-se de forma acentuada em países que enfrentam crises econômicas, como a Venezuela e a Bolívia, atendendo não apenas o varejo, mas também microempreendedores e empresas que buscam preservar seu capital contra a desvalorização cambial.

Destacando-se como um dos líderes nessa tendência, em 2025, o Brasil tornou-se o principal mercado do mundo para o EtherFi Cash, uma solução de conta digital e cartão de crédito colateralizado por criptoativos desenvolvida pelo protocolo DeFi (finanças descentralizadas) EtherFi (ETHFI).

O segmento de pagamentos de salários e prestadores de serviço é apontado como um nicho ainda pouco explorado. Com o aumento do trabalho remoto e da migração de serviços para países vizinhos (nearshoring), a Messari observa que as oportunidades neste setor tendem a ser mais promissoras do que no segmento de remessas tradicionais, oferecendo margens superiores para as startups de criptoativos.

Competição com soluções tradicionais limita oportunidades nos setores de remessas e pagamentos 

A Messari avalia que os setores de remessas e pagamentos de varejo apresentam o menor potencial de crescimento relativo para 2026. A análise indica que esses mercados já enfrentam uma saturação de agentes e concorrência direta de sistemas de pagamentos instantâneos locais, como o Pix no Brasil, que já atendem de forma eficiente a demanda dos usuários por agilidade e eficiência.

No caso das remessas, o setor é considerado maduro e "brutalmente competitivo". A Messari ressalta que as stablecoins já entregaram a maior parte de seus ganhos de eficiência nesse campo, transformando o cenário de disrupção em um processo de simples otimização, o que limita novas oportunidades de entrada e retornos financeiros expressivos para as empresas locais.

Quanto aos pagamentos no varejo, a análise destaca que as stablecoins funcionam majoritariamente como fontes de financiamento e não como instrumentos de pagamento direto no cotidiano. Para o consumidor médio, a tecnologia adiciona pouco valor no momento do checkout, uma vez que as soluções de pagamento tradicionais e digitais locais já funcionam de maneira satisfatória.

A Messari conclui que o avanço das stablecoins reflete a maturação do mercado regional, com a adoção de casos de uso reais focados em eficiência corporativa.

Nessa linha, a análise conclui que as apostas mais seguras no longo prazo para desenvolvedores e investidores baseados na região são “a liquidação B2B, que incorpora também soluções de tesouraria corporativa, câmbio (FX) e gestão de liquidez, enquanto a demanda imediata concentra-se no setor de neobanking.”

O relatório reforça que, enquanto o mercado já precificou o potencial das remessas, os pagamentos de varejo permanecem como uma "solução à procura de um problema inexistente" no mercado latino-americano.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a gestora de ativos digitais Hashdex também apontou as stablecoins, ao lado da tokenização de ativos reais (RWA) e da economia agêntica, como uma das principais tendências para o mercado de criptoativos em 2026.