Apesar de se concentrar em maior volume na plataforma da exchange de criptomoedas FTX, cuja crise de liquidez desencadeou um crash no mercado esta semana, o Brazilian Digital Token (BRZ) não oferece riscos aos investidores da maior stablecoin atrelada ao real. Foi o que garantiu Thiago César, CEO da startup fundada por brasileiros na Suíça Transfero, em entrevista ao InfoMoney. 

As preocupações em relação ao BRZ se relacionam ao fato de a FTX ser a principal apoiadora do projeto, uma relação que teve um passo importante em maio de 2020, quando a exchange de Sam Bankman-Fried (SBF) chegou ao Brasil e começou a aceitar depósitos e saques em real, via Pix, por meio de uma parceria com a Transfero. 

Na esteira das preocupações dos investidores do BRZ também estão os possíveis impactos na rede Solana (SOL), blockchain em que a stablecoin foi lançada e que está no olho do furacão da crise da FTX por causa da alta concentração de SOL no patrimônio da Alameda Research, empresa irmã da exchange de SBF, que é a principal apoiadora do projeto, sendo responsável por um aporte de R$ 40 milhões à Transfero em 2020.

Thiago César argumentou que, apesar de o maior volume se concentrar na FTX, o BRZ também está disponível nas exchanges centralizadas (CEXs) Crypto.com, Bitget, Phemex e NovaDAX, além da exchange descentralizada (DEX) Uniswap. O executivou ressaltou que a maior stablecoin do mundo não atrelada ao dólar americano, cuja capitalização de mercado era de US$ 192 milhões na manhã desta quinta-feira (10), também é negociada através das redes Ethereum, Stellar, Algorand, Binance Smart Chain, RSK Network, Polygon e Avalanche.

Ele disse ainda que a Transfero detém a custódia dos ativos que dão garantia aos BRZs e que a empresa está em negociação com a FTX para retirar os tokens em posse da exchange. O CEO da Transfero acrescentou que a crise na FTX “não muda nada” para a startup e que a exchange de SBF é “um dos muitos clientes que temos.”

O CEO reconheceu o sentimento negativo co mercado com o episódio envolvendo a FTX e emendou dizendo que os players do mercado cripto têm uma “massa crítica suficiente” para se adaptar às mudanças. 

A Transfero também acabou envolvida na crise da FTX pelo fato de integrar uma lista de empresas expostas à exchange, além de ter a Alameda Research com um de seus investidores. Em resposta ao Cointelegraph Brasil, a Transfero informou que a exposição da startup à exchange é irrelevante e revelou que seus criptoativos estão em posse da custodiante israelense Fireblocks.

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