O bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) pretende avançar com o projeto de criação de uma moeda comum alternativa ao dólar em uma reunião dos ministros que compõem o bloco marcada para este mês.

Um dos focos principais da nova moeda é promover maior estabilidade dos sistemas monetários e financeiros internacionais, reduzindo riscos associados à dependência do dólar, revelou o embaixador da África do Sul na China, Siyabonga Cyprian Cwele, em entrevista ao veículo de mídia chinesa Global Times.

Enquanto a nova moeda não sai do papel, os BRICS pretendem promover o uso de suas moedas nacionais em transações internacionais para reduzir os riscos associados ao dólar. Mais especificamente, mitigar a vulnerabilidade a sanções internacionais como aquelas aplicadas pelos Estados Unidos à Rússia desde o início da guerra contra a Ucrânia.

Além disso, as maiores economias dos BRICS seguem acumulando reservas em ouro, conforme revelam dados do World Gold Council. Em março, o último mês de que se tem registro, China e Índia adicionaram 5 toneladas de ouro e a Rússia, 4 toneladas, às suas reservas internacionais, ficando apenas atrás da Turquia, com 14 toneladas.

Variação das reservas internacionas de ouro em março de 2024. Fonte: World Gold Council

O país do sudeste europeu que tem a Rússia como um de seus principais aliados no continente lidera as aquisições de ouro em 2024, com mais de 30 toneladas. China, com 27 toneladas, e Índia, com 20 toneladas, vem logo a seguir. Brasil e África do Sul não figuram no ranking do World Gold Council.

No entanto, dados do CEIC revelam que em março o Brasil adicionou US$ 1 bilhão em ouro às suas reservas, valor que representa o maior crescimento nominal desde 2021. Segundo o CEIC, o Brasil possui atualmente 9,2 bilhões de dólares em ouro em suas reservas internacionais.

 Variação das reservas de ouro do Brasil em 2024 em milhões de dólares. Fonte: CEIC Data

Inovações tecnológicas e expansão do bloco

O embaixador sul-africano destacou que o BRICS tem como agenda comum a adoção de novas tecnologias em nível governamental, citando tanto o yuan digital chinês quanto o Pix brasileiro. Ele confirmou que a moeda comum do bloco será 100% digital e disse que o compartilhamento de dados financeiros entre os BRICS é importante para o avanço e o desenvolvimento do projeto.

A expansão do bloco também está em discussão. Na Cúpula do BRICS em 2023, realizada em Joanesburgo, na África do Sul, os países membros concordaram em convidar seis novos países para se juntarem ao grupo, incluindo Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Cwele revelou que outros 20 países manifestaram interesse em se associar formalmente aos BRICS. Embora não tenha citado nações específicas, o embaixador disse que há economias emergentes entre os candidatos.

Ele ressaltou que os países membros estão trabalhando para criar diretrizes inclusivas para incorporar novos países ao bloco, que não sejam discriminatórias ou focadas exclusivamente em aspectos econômicos.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, não há planos de adoção de criptomoedas em nível institucional por parte dos BRICS.