O governo brasileiro fechou uma parceria comercial com o governo chinês na qual transações entre as nações serão realizadas usando o Yuan e não o dólar. As operações serão feitas usando o Banco Bocom BBM e o China Interbank Payment System (CIPS), a alternativa chinesa ao Swift.
A sucursal brasileira do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) também atuará como banco de compensação do renminbi no Brasil, ou "clearing house". O CEO do Bocom BBM, Alexandre Lowenkron, afirmou que a simplificação das operações financeiras entre Brasil e China tem o potencial de potencializar a diversificação da pauta de comércio entre os dois países.
Ele acredita que a tendência é que o renminbi se torne uma das principais moedas usadas no comércio brasileiro ao longo do tempo. Em fevereiro, o Banco do Povo da China, o banco central chinês, assinou um memorando de entendimento (MOU) com o Banco Central brasileiro para a realização de acordos que viabilizem o pagamento do comércio entre os países na moeda chinesa.
A adesão do Bocom BBM ao CIPS e a definição do ICBC como clearing house estavam entre os próximos passos previstos, após o MOU assinado entre os bancos centrais. Os acordos também se inserem em uma discussão geopolítica importante sobre pagamentos em moedas locais e desdolarização.
Com as facilidades de pagamento em renminbi, Brasil e China avançam em relação à desdolarização e à redução da dependência do comércio global da moeda americana. O próximo passo será abrir portas para integrações também no mercado financeiro.
Yuan Digital
Além disso, o novo acordo abre precedentes para que os pagamentos entre as nações sejam realizados com o uso de CBDC. No caso da China, a nação vem testando a mais de um ano sua moeda digital, o Yuan Digital (e-CNY) e recentemente começou a realizar pilotos de pagamentos cross-border com países asiáticos.
No ano passado, nos primeiros testes de pagamentos internacionais usando a CBDC chinesa, cerca de US$ 22 milhões foram transacionados por meio do m-Bridge, um projeto com participação do BIS que testa pagamentos internacionais em moedas digitais emitidas por bancos centrais da China, Hong Kong, Tailândia e Emirados Árabes Unidos.
No entanto, a China sinaliza que o CIPS será a espécie de Swift para o Yuan e, consequetemente para sua versão digital, abrindo, portanto a possibilidade do acordo entre as nações incluir pagamentos em CBDC no futuro.
O Banco Central do Brasil, que também já iniciou os testes do Real Digital, a CBDC nacional, também já declarou que entre seus planos está habilitar o uso da moeda digital nacional em pagamentos crosses borders habilitados por contratos inteligentes.
Porém, o BC nacional destaca que ainda há muitos problemas de interoperabilidades entre as CBDCs já que os próprios Bancos Centrais ainda não definiram a tecnologia a ser usada. No caso da moeda digital chinesa, embora o governo tenha uma blockchain própria, a BSN, o Yuan Digital não usa um sistema em blockchain.
O PBOC já confirmou que não usa nenhum ledger distribuído, ou tecnologia blockchain, porque seria inadequado para lidar com volumes de transações antecipados. O e-CNY exige que os usuários associem alguma informação de identificação com sua carteira digital antes que possam armazenar ou transacionar a moeda, sob um princípio que os funcionários do PBOC chamam de anonimato controlável.
Já o Real Digital do Brasil não tem uma tecnologia definida ainda. O Banco Central anunciou que nos testes da CBDC será usado o Hyperledger Besu, uma blockchain baseada no Ethereum EVM, porém não há garantias de que o sistema será adotado oficialmente pelo BC.
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