Os contratos futuros de Bitcoin (BITFUT) superaram a marca de R$ 10 bilhões em volume negociado um mês após terem sido lançados pela B3. Segundo a bolsa, a marca é notável e faz do produto um sucesso, apesar das dificuldades iniciais relativas à liquidez.
Dados da B3 compartilhados com o InfoMoney mostram que os futuros de Bitcoin (BTC) registraram uma média diária de 20 mil contratos negociados e R$ 510 milhões transacionados.
Embora ainda esteja muito abaixo de produtos consolidados, como derivativos do dólar e do Ibovespa, que mantêm uma média diária de 490 mil e 3,8 milhões contratos negociados, os futuros de Bitcoin vêm surpreendendo positivamente, de acordo com Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3:
"O bit (BITFUT) já tem negociado mais do que o mercado à vista de Bitcoin."
O sucesso inicial do produto reafirma que as criptomoedas têm grande popularidade entre os investidores da B3. Além dos derivativos de Bitcoin, há 13 ETFs de criptomoedas em negociação na B3 atualmente. Por isso, o lançamento de contratos futuros de Ethereum (ETH) e de opções de futuros de Bitcoin estão no horizonte da B3, revelou o executivo.
Como se trata de um produto novo, a B3 ainda não conseguiu traçar um perfil dos investidores de futuros de Bitcoin, exceto pela percepção de que em geral os primeiros adeptos têm sido os day traders.
No entanto, outras classes de investidores, além das pessoas físicas, têm aderido ao produto, revelou Skistymas:
"Temos visto, de fato, outros investidores entrando. São grandes players internacionais, traders de alta frequência, grandes formadores de mercado globais, que estão dando liquidez ao produto, além de gestores de fundos e bancos locais."
Além de serem uma alternativa à negociação no mercado à vista, os contratos futuros permitem que os investidores montem posições de hedge para se proteger da volatilidade típica do mercado de criptomoedas.
Formadores de mercado estrangeiros com experiência no mercado de criptomoedas têm sido fundamentais para garantir a liquidez no mercado de futuros da B3.
A liquidez é essencial para estreitar os spreads no mercado de futuros de Bitcoin da B3, que se mostraram bastante largos logo após o lançamento do produto. O spread é a diferença entre o valor das ordens de compra e venda de um determinado ativo financeiro. Em mercados com maior liquidez, essa diferença tende a ser pequena.
Durante a primeira semana de negociação, o spread dos futuros de Bitcoin da B3 ficou alto, como admitiu Skistymas. No entanto, ele destaca que o amadurecimento do mercado tem sido rápido e atualmente os spreads "já estão tão competitivos quanto os dos futuros de Bitcoin na CME" – a Bolsa Mercantil de Chicago, maior mercado de derivativos de Bitcoin do mundo em termos de volume negociado.
Como operar nos mercados futuros de Bitcoin da B3
Nos mercados futuros, o investidor se compromete a comprar ou vender um determinado ativo em uma data futura a um preço pré-determinado. Os contratos podem ser utilizados tanto como um instrumento de proteção contra futuras oscilações de preço de um determinado ativo – uma moeda, uma ação, uma commodity ou a taxa de juros, por exemplo – quanto em estratégias de investimento especulativas.
Para negociar os futuros de Bitcoin na B3, investidores de varejo precisam depositar uma margem mínima de R$ 100 por contrato em uma corretora credenciada. Não há a necessidade de operar em dólares, como em exchanges de criptomoedas.
Os investidores que mantiverem posições nos contratos, ou seja, que não zerarem suas posições até o final do pregão, deverão depositar em suas contas o equivalente a 50% do valor do contrato. O chamado depósito de margem assegura que ambas as partes da operação cumpram suas obrigações pré-estabelecidas.
Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil na ocasião, 7,4 mil contratos foram negociados na estreia dos futuros de Bitcoin na B3, em 18 de abril.
Até agora o recorde de contratos negociados e volume movimentado foi registrado em 15 de maio, com mais de R$ 1 bilhão transacionados através de 33 mil contratos, números cinco vezes maiores do que aqueles registrados no dia do lançamento do produto.