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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Amazônia ganha IA que prevê áreas com risco de desmatamento

‘Deforestation Prediction System’ já está em operação e dados estão disponíveis ao Ibama e municípios da região.

Amazônia ganha IA que prevê áreas com risco de desmatamento
Brasil

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) desenvolveu recentemente uma ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de antecipar, com até 15 dias, áreas com alto risco de desmatamento na Amazônia.

Batizada de Deforestation Prediction System, a ferramenta já está disponível na plataforma TerraBrasilis, que é um portal público com dados geográficos e ambientais produzidos por sistemas de monitoramento como o PRODES e o DETER, utilizados no acompanhamento do desmatamento na Amazônia, inclusive por municípios daquela região.

A plataforma Terrabrasilis pertence a uma Sala de Situação mantida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que é um dos parceiros da PUC-Rio no desenvolvimento do projeto de IA. Iniciativa também conta com a participação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

A previsão de desmatamento é fundamental, pois os técnicos não podem visitar todos os lugares da Amazônia. É necessário priorizar. As ações de fiscalização são caras, envolvem deslocamentos por longas distâncias e áreas de difícil acesso. A ferramenta que até então era usada pelo Ibama precisava ser atualizada, pois se baseava em um método proposto há cerca de 20 anos, explicou o coordenador do projeto, o professor de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, Raul Feitosa.

Segundo ele, o trabalho, iniciado em janeiro de 2024, recebeu investimento de R$ 2,5 milhões da Climate and Land Use Alliance (CLUA), uma coalizão internacional de fundações dedicada à proteção das florestas tropicais.

Funcionamento

Em artigo publicado pelo portal The Conversation, Feitosa acrescentou que a base da ferramenta de IA está em identificar fatores ou condições mais relacionadas ao desmatamento iminente, de modo que possam antecipar a sua ocorrência, a partir da base de dados históricos da Amazônia Legal, disponibilizada pelo INPE. Isso porque o Instituto realiza o monitoramento sistemático dos biomas brasileiros por sensoriamento remoto, gerando um grande volume de dados em plataformas como PRODES e DETER.

Selecionamos variáveis espaciais e ambientais, como rede hidrográfica, proximidade de rodovias, limites de áreas protegidas e terras indígenas, padrões climáticos e, sobretudo, registros históricos de desmatamento. Esse último fator é essencial, já que novos eventos tendem a se repetir próximos aos locais já afetados no passado, explicou.

O coordenador estimou que, com base em experimentos, o modelo pode reduzir os erros em cerca de 75% a 80% em comparação com o modelo anterior. Ele também revelou que, “com apoio do Ministério do Meio Ambiente, estamos elaborando uma nova proposta para estender o uso de IA à previsão de outros eventos prejudiciais à floresta, como incêndios e processos de degradação, além de expandir o modelo para outros biomas, como o Cerrado”.

Apesar disso, uma pesquisa divulgada esta semana apontou aumento na desconfiança dos brasileiros com a IA, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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